Tomar aspirina durante gravidez pode prevenir pré-eclâmpsia grave
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materna em todo o mundo. De acordo com dados do UT Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos, a prescrição diária de aspirina na primeira consulta pré-natal para todas as grávidas está associada a uma redução geral do desenvolvimento de pré-eclâmpsia grave.

Trata-se de uma complicação grave da gravidez que inclui pressão arterial elevada persistente e sinais de danos nos órgãos, como proteínas na urina ou alterações hepáticas. Esta complicação que põe em risco a vida, caracteriza-se por uma pressão arterial perigosamente elevada e sinais de danos em órgãos vitais (fígado, rins ou cérebro). A sua identificação passa pela monitorização da pressão arterial e dos sintomas.
Embora o uso de aspirina em baixa dose se tenha mostrado eficaz na prevenção da pré-eclâmpsia em doentes de alto risco quando iniciado entre a 12ª e a 28ª semana de gestação, o seu uso é ainda subutilizado. Assim, as diretrizes recentes recomendam considerar o uso universal de aspirina em grávidas de alto risco.
Para compreender o efeito da terapia universal com aspirina na redução da pré-eclâmpsia numa população de grávidas com elevada incidência da doença, os investigadores administraram 162 mg de aspirina diariamente a todas as doentes na sua primeira consulta pré-natal, às 16 semanas de gestação ou antes, a partir de agosto de 2022.
A equipa comparou os resultados de 18.457 doentes que deram à luz no Hospital Parkland em Dallas, Texas, entre 2023 e 2025, após a mudança na prática para a terapia universal com aspirina, com um número semelhante de doentes antes da utilização da aspirina.
Os especialistas descobriram que as grávidas que receberam aspirina diariamente apresentaram uma taxa de desenvolvimento de pré-eclâmpsia 29% menor em comparação com o grupo que não a recebeu. Observaram ainda que as doentes que receberam aspirina e desenvolveram pré-eclâmpsia o fizeram mais tarde na gestação, em comparação com o grupo de controlo.
Verificou-se ainda que os doentes com hipertensão crónica pré-existente que receberam aspirina também apresentaram menor probabilidade de desenvolver pré-eclâmpsia. Além disso, não se detetou um aumento da hemorragia materna ou descolamento prematuro da placenta com o tratamento com aspirina.
Segundo a Dra. Elaine L. Duryea, investigadora principal, a implementação da aspirina sem receita médica nesta população de grávidas de alto risco pareceu atrasar o início e, em algumas doentes, prevenir completamente o desenvolvimento de pré-eclâmpsia com características graves.
Embora não se possa ter a certeza de que sejam observados efeitos semelhantes noutras populações de doentes, não houve evidências de danos causados pela administração de aspirina.