INFERTILIDADE

Testosterona não melhora os resultados dos tratamentos de FIV

A administração de testosterona por via subcutânea antes do tratamento de estimulação ovárica não melhora significativamente os resultados reprodutivos, pelo que a sua utilização não é geralmente recomendada em conjunto com a fertilização in vitro (FIV), de acordo com um estudo internacional liderado pela Fundação Dexeus Mujer, em Barcelona.

Testosterona não melhora os resultados dos tratamentos de FIV


Muitas mulheres com problemas de infertilidade apresentam uma baixa reserva ovárica, o que também afeta o sucesso dos tratamentos de estimulação ovárica e FIV. Uma estratégia para tentar melhorar os resultados é a administração transdérmica de testosterona, que é produzida naturalmente pelos ovários e pelas glândulas suprarrenais e desempenha um papel no desenvolvimento folicular.

Alguns estudos iniciais apontaram para um possível efeito benéfico do uso de testosterona no desenvolvimento folicular e na ação da hormona folículo-estimulante (FSH), no entanto, a maioria destes estudos não foi conclusiva.

Um estudo recente sobre o tema, publicado na revista Nature Communications, envolveu 10 centros em Espanha, Suíça, Bélgica e Dinamarca.
O ensaio clínico avaliou se a administração transdérmica prévia de testosterona em gel poderia melhorar as taxas de gravidez clínica, ou seja, gravidez confirmada por ecografia e batimentos cardíacos fetais, em mulheres com baixa reserva ovárica que planeavam submeter-se a tratamento de FIV.

A investigação incluiu 288 mulheres entre os 18 e os 43 anos de idade, de vários países europeus. Destas, 135 foram selecionadas para o grupo que recebeu testosterona transdérmica (5,5 miligramas em gel) uma vez por dia, durante nove semanas, antes do início do tratamento de estimulação ovárica, e 154 receberam um placebo.

Os resultados revelaram que as taxas de gravidez clínica não apresentaram diferença significativa. Especificamente, foram de 15,7% no grupo da testosterona e 14,9% no grupo do placebo.

Segundo os especialistas, as descobertas ajudarão a evitar o atraso no início do tratamento resultante da administração prévia de testosterona, além de direcionarem a investigação para outras estratégias complementares que possam ser mais eficazes na melhoria dos resultados reprodutivos na FIV.

Fonte: Tupam Editores

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