Tiras nasais: ajudam realmente a melhorar o desempenho?
Hoje em dia não é incomum ver os desportistas a treinar com algo visível no rosto: uma pequena tira no nariz. Não se trata de um penso médico ou de um acessório; é um dispositivo que se tornou moda entre atletas de elite e amadores, com o objetivo de melhorar a respiração e, consequentemente, o desempenho.

A tendência combina ciência, marketing e superstição dos atletas, mas a questão inevitável que se põe é: serão estas finas tiras adesivas e dilatadores nasais algo mais do que um efeito placebo?
Estas tiras nasais externas são pequenas faixas flexíveis que aderem à ponte do nariz, enquanto os dilatadores são colocados na parte interna. A sua principal função é alargar ligeiramente as narinas, reduzindo a resistência ao fluxo de ar.
O seu propósito inicial era aliviar a congestão nasal (provocada por rinite, desvio do septo, alergias ou constipações) ou o ressonar, mas cedo começaram a ser utilizadas no desporto. O objetivo é claro: se permitirem a entrada de mais ar, mais oxigénio chega ao nariz e o corpo funciona melhor. A realidade, porém, é mais complexa do que o marketing.
O consenso atual é que estes dispositivos podem tornar a respiração mais confortável, com uma melhor sensação subjetiva de respiração, especialmente para aqueles que apresentam alguma obstrução nasal. No entanto, não transformam o desempenho aeróbico, uma vez que as tiras nasais não melhoram significativamente o consumo máximo de oxigénio, a frequência cardíaca ou a perceção de esforço durante o exercício. Por isso, na população em geral, o seu efeito no desempenho pode ser considerado insignificante.
Contudo, nem todos reagem da mesma forma. Em atletas adolescentes, observou-se que o uso de tiras nasais melhorou moderadamente a capacidade respiratória e o consumo de oxigénio, além de reduzir a sensação de fadiga. Isto pode ocorrer porque, nos jovens em desenvolvimento com estruturas nasais mais estreitas devido ao desenvolvimento ainda não adulto, a expansão do fluxo de ar pode ter um efeito real.
Na verdade, para além do uso de tiras nasais, o que é realmente interessante é a forma como se respira durante o exercício. A ciência tem tentado comparar a respiração nasal e a respiração oral durante a atividade física. Quando se compara a respiração exclusivamente pelo nariz, exclusivamente pela boca ou a combinação de ambas, a respiração exclusivamente nasal limita o desempenho máximo em exercícios de alta intensidade, uma vez que reduz a ventilação geral.
No entanto, a intensidades moderadas, a respiração nasal apresenta claras vantagens, filtrando e humidificando o ar, melhorando a oxigenação e reduzindo a frequência respiratória, promovendo assim um trabalho mais eficiente.
Portanto, respirar pelo nariz não só altera a forma do fluxo de ar, como a sua composição. A respiração nasal é uma forma invisível de treino para a eficiência metabólica e para a saúde vascular.
Quando se trata de treino respiratório, as técnicas de respiração controlada, como a respiração lenta, alternada ou com apneia, melhoram a regulação autonómica, a concentração e a recuperação. Não se trata apenas de inspirar e expirar, mas de treinar o controlo respiratório. Assim, a respiração nasal é o ingrediente secreto do atleta, pois otimiza a utilização de oxigénio, melhora o sono, a cognição e a recuperação.
Para uma melhor respiração, a pessoa deve praticar a respiração nasal durante o aquecimento, corrida leve ou caminhada, forçando-se a manter a boca fechada para treinar o sistema respiratório.
Não deve forçar a respiração nasal durante exercícios de alta intensidade. Quando o corpo necessitar de abrir a boca para respirar, a pessoa deve fazê-lo, pois a ventilação nasal terá atingido o seu limite.
Deve praticar a respiração lenta (6 a 8 ciclos por minuto) para ativar o sistema nervoso parassimpático e melhorar a recuperação, e evitar a congestão crónica ou hábitos posturais que dificultem a respiração pelo nariz.
As tiras ou expansores nasais podem ajudar algumas pessoas, mas o verdadeiro potencial está em recuperar o controlo consciente da respiração, esse aliado silencioso que acompanha cada movimento. Porque, como tantas vezes acontece no desporto, a diferença não está fora, mas dentro.