ENVELHECIMENTO

Estudo relaciona inflamação com declínio cognitivo

A obesidade e a idade avançada estão fortemente associadas à inflamação crónica de baixo grau no organismo – uma condição que parece estar intimamente ligada ao declínio cognitivo e à demência. Um estudo recente do Instituto Baycrest descobriu que os participantes com níveis elevados de inflamação representam aproximadamente dois terços dos que têm um défice cognitivo, em comparação com apenas cerca de um terço dos adultos cognitivamente saudáveis.

Estudo relaciona inflamação com declínio cognitivo


Frequentemente designada por “inflamação crónica associada ao envelhecimento”, a inflamação crónica de baixo grau aumenta gradualmente com a idade e contribui para a vulnerabilidade a doenças relacionadas com a idade, incluindo a demência.

Embora a inflamação tenda a aumentar naturalmente ao longo do tempo, a sua gravidade é fortemente influenciada por fatores como o peso corporal, a saúde cardiovascular e outros aspetos da saúde física. Com o tempo, esta inflamação persistente, mesmo quando ocorre fora do cérebro, pode contribuir para alterações na função cerebral.

Este foi o primeiro estudo a examinar os níveis de inflamação num grupo alargado e diversificado de idosos com diferentes formas de demência, défice cognitivo ligeiro e sem défice cognitivo. Os participantes foram selecionados a partir do Estudo Abrangente de Avaliação da Neurodegeneração e Demência (COMPASS-ND).

Esta coorte singularmente diversificada permitiu aos investigadores examinar como os fatores de estilo de vida e de saúde contribuem para a inflamação associada ao envelhecimento em várias condições cognitivas e médicas do mundo real. Embora a qualidade da dieta e o sono também tenham influenciado a inflamação, a obesidade surgiu como o fator mais importante.

Para o estudo foram recolhidos dados extensivos de 514 participantes, incluindo medidas de inflamação sistémica, idade e sexo, história cardiovascular e médica, fatores de estilo de vida como dieta, sono, tabagismo e peso corporal, avaliações cognitivas e alterações na substância branca cerebral observadas através de exames de ressonância magnética.

De entre os resultados da investigação, publicada no Journal of Alzheimer's Disease, destaca-se o facto de a inflamação elevada ter sido mais comum e mais pronunciada nos participantes com défice cognitivo.

Verificou-se ainda que a obesidade foi o fator de estilo de vida que mais contribuiu para a inflamação, ultrapassando a influência da dieta e da qualidade do sono. Entre os indivíduos com demência, aqueles com doenças vasculares apresentaram níveis mais elevados de inflamação.

Os resultados sugerem que a inflamação sistémica pode desempenhar um papel importante nas alterações cognitivas que frequentemente acompanham o envelhecimento. As descobertas apontam para os fatores de estilo de vida que influenciam a inflamação como potenciais alvos para a redução precoce do risco.

Embora ainda não seja claro se o tratamento direto da inflamação pode prevenir a demência, as descobertas podem ajudar a desenvolver estratégias para a identificação precoce de riscos e prevenção. A equipa de investigação está atualmente a realizar estudos de acompanhamento para explorar ainda mais a relação entre inflamação e declínio cognitivo.

Fonte: Tupam Editores

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