Colete inteligente previne mortes por hipotermia em idosos
Uma equipa de investigadores da Universidade Nottingham Trent (NTU) desenvolveu um colete têxtil inteligente capaz de monitorizar a temperatura corporal e detetar o risco de hipotermia nos idosos. A nova tecnologia tem como objetivo mitigar o risco aumentado que esta população enfrenta devido à perda mais rápida de calor corporal, à regulação térmica prejudicada, às doenças crónicas, ao uso de medicamentos e à fragilidade.

Liderada pelo Dr. Theo Hughes-Riley, do Grupo de Investigação em Têxteis Avançados da NTU, a investigação centra-se em quatro termistores em miniatura incorporados no fio do colete para detetar alterações sustentadas na temperatura corporal.
Os termistores – que medem 1 mm de comprimento e 0,5 mm de largura – estão ligados a um microcontrolador através de Bluetooth, o que permite a transmissão de dados em tempo real para um telemóvel ou outro dispositivo e podem disparar um alarme caso as leituras anormais persistam ao longo do tempo.
Encapsulados em resina para serem totalmente laváveis e revestidos por uma trança de poliéster, os termistores estão posicionados em pontos-chave do corpo, dois no peito e dois na omoplata, mas são impercetíveis para o utilizador.
O protótipo foi testado em vários movimentos do dia-a-dia – como sentar, caminhar, saltar e alcançar objetos – para garantir a sua precisão em situações reais de utilização, tendo os dados recolhidos durante os testes revelado padrões únicos de mudança de temperatura que podem ajudar a identificar respostas fisiológicas anormais antes de se tornarem perigosas.
A hipotermia é uma condição muito perigosa, especialmente para os idosos que vivem sozinhos. Ao combinar têxteis eletrónicos com uma peça de roupa do dia-a-dia, como um colete, os cuidadores e os profissionais de saúde poderão responder imediatamente a qualquer risco detetado e ajudar a salvar a vida dos idosos que possam necessitar de assistência urgente.
Os termistores – colocados em superfícies planas de contacto que ajudam a manter uma ligação consistente com a pele – operam com base no princípio dos semicondutores, em que a resistência diminui à medida que a temperatura aumenta. São calibrados especificamente para os fios utilizados no colete, e os dados que fornecem são inferidos para estimar a temperatura corporal central do utilizador.
De acordo com Kalana Marasinghe, a especialista que testou o protótipo, a investigação mostrou como os têxteis inteligentes têm o potencial de salvar vidas, dando aos prestadores de cuidados e aos médicos dados em tempo real sobre a saúde de uma pessoa, ajudando a garantir que esta recebe o tratamento adequado.