ORTODONTIA

Mordida cruzada anterior associada ao risco de perda dentária

A má oclusão, ou mordida desalinhada, é uma condição em que os dentes superiores e inferiores não encaixam corretamente ao fechar a boca, resultando num desalinhamento dentário. Um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Tohoku, permitiu concluir que a má oclusão ou dentes apinhados podem afetar a saúde dos restantes dentes da boca.

Mordida cruzada anterior associada ao risco de perda dentária


Estudos anteriores haviam estabelecido associações entre más oclusões específicas e a perda dentária. Duas má oclusões em particular – a mordida cruzada anterior e a mordida aberta – podem alterar a distribuição da força para os outros dentes durante a mastigação, o que pode influenciar o risco de perda dentária.

O objetivo da equipa era examinar se a mordida cruzada anterior ou a mordida aberta estão associadas a desfechos relacionados com a perda dentária em adultos com 40 anos ou mais.

O estudo observacional, publicado em janeiro no jornal Clinical Oral Investigations, compilou dados de 17.349 adultos com estas idades, participantes no Estudo de Coorte Comunitário do Projeto Tohoku Medical Megabank, e categorizou-os em quatro grupos – oclusão normal, mordida aberta anterior, mordida cruzada anterior e má oclusão combinada – com base nas medidas orais.

Os especialistas determinaram, então, se os pacientes tinham ≤19 dentes remanescentes e perda de dentes posteriores (na parte de trás da boca) para avaliar os potenciais efeitos da mordida cruzada anterior e da mordida aberta em comparação com uma mordida normal.
Importa referir que ter menos de 20 dentes afeta a mastigação, a nutrição, a fragilidade e a esperança de vida saudável, razão pela qual a identificação deste risco é importante para a saúde pública.

De acordo com Kento Numazaki, primeiro autor do artigo, os resultados sugerem que o alinhamento da mordida, além das cáries e das doenças gengivais, pode estar relacionado com a retenção dentária a longo prazo. Isto realça a importância de consultas dentárias regulares e avaliações ortodônticas adequadas.

Especificamente, o estudo permitiu verificar que os adultos com mordida cruzada anterior (mas não com mordida aberta anterior) apresentaram maior probabilidade de perda dentária e um risco 1,14 vezes maior de perda de molares após ajuste para idade, sexo, higiene oral, cárie, doença periodontal e fatores de estilo de vida. Análises adicionais estratificadas por idade mostraram que as diferenças na retenção molar entre os grupos oclusais foram mais pronunciadas nas faixas etárias mais avançadas.

Por outro lado, os adultos com mordida aberta anterior apresentaram uma menor prevalência de perda dentária posterior no estudo, o que sugere que diferentes maloclusões anteriores podem influenciar a retenção dentária de formas distintas.

O estudo forneceu a primeira evidência clara a nível populacional que relaciona a mordida cruzada anterior com a perda dentária. Munida destas descobertas iniciais, a equipa pretende investigar mais a fundo os efeitos da mordida cruzada anterior na perda dentária e na saúde oral para além do Japão.
O próximo passo será conduzir estudos longitudinais para compreender melhor como a perda dentária progride ao longo do tempo em indivíduos com mordida cruzada anterior.

Fonte: Tupam Editores

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