Espanha vai proibir acesso às redes sociais a menores de 16 anos
Apesar de as redes sociais terem muitos aspetos positivos, também os têm negativos, e devem ser levados em consideração. De acordo com José Antonio Galiani, do Centro Psicossocial Galiani, o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento e muitos menores não estão “preparados” para lidar com os conteúdos das redes sociais.

Assim, o anúncio do primeiro-ministro Pedro Sánchez de proibir o uso das redes sociais a menores de 16 anos não é uma proibição arbitrária, mas uma medida preventiva, semelhante às restrições ao consumo de álcool ou à condução de veículos.
Galiani explicou que as redes sociais introduzem “reforço constante, comparação social e sobre-exposição emocional”, e o cérebro dos menores não está preparado para isso, especialmente nas áreas do autocontrolo e da regulação emocional.
Nas consultas, os especialistas têm observado um aumento claro de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, problemas de autoestima e comportamentos de automutilação ligados ao uso intensivo das redes sociais. E o problema é que não se trata apenas da quantidade de tempo gasto a utilizá-las, mas da dinâmica, que pode ser emocionalmente avassaladora para um menor.
Por essa razão, defendeu a imposição de limites externos às crianças enquanto desenvolvem o autocontrolo, pois proibir sem educar é inútil, mas educar sem limites é igualmente ineficaz. Considera, aliás, a proibição do uso das redes sociais por menores uma medida complementar à educação digital.
Adiar o acesso às redes sociais não impede a aprendizagem, permite que ela aconteça quando existe maior maturidade emocional e competências de pensamento crítico.
Como acontece com qualquer regra, alguns menores certamente vão tentar contornar esta proibição, no entanto, este facto não invalida a medida. Até porque as leis não eliminam todos os riscos, mas reduzem-nos.
O especialista em psicologia realçou ainda que a sociedade normalizou a exposição das crianças a dinâmicas concebidas para viciar os adultos e sublinhou que a saúde mental das crianças é uma questão de saúde pública.
Esta medida torna evidente que o bem-estar psicológico é mais importante do que o ganho económico. Não se trata de “diabolizar” a tecnologia, mas sim de a utilizar quando o desenvolvimento emocional o permite.
Não basta, no entanto, tirar o telemóvel aos adolescentes. É necessário o apoio e consistência dos pais, que devem oferecer alternativas, como conversa e atividade física e social real. É importante dar o exemplo com as práticas tecnológicas e perceber que estabelecer limites é uma forma de cuidar.