O nariz é a chave para determinar se ficamos doentes ou não
Porque é que algumas pessoas apanham constipações com mais frequência do que outras, ou desenvolvem infeções respiratórias mais graves? Um novo estudo ajudou a esclarecer esta questão. A culpa não é dos vírus, mas sim do nariz de cada um.

Cada adulto apanha duas a quatro constipações por inverno. No caso das crianças, este número sobe para sete ou oito. Estas são médias estatísticas. Não existe um dado oficial único, porém, sabe-se que nem todas as pessoas apanham constipações da mesma forma.
Algumas pessoas passam o inverno com constipações, enquanto outras quase nunca as apanham. A sorte não é o fator determinante. Existem fatores que nos tornam mais ou menos suscetíveis a doenças como, por exemplo, a higiene das mãos, ambientes bem ventilados e o uso ou não de máscara. Mas há outro fator importante: o nosso nariz.
O nariz é a principal porta de entrada para os vírus respiratórios, a não ser que se respire sempre pela boca. E respirar pelo nariz é uma boa ideia, porque é aí que a nossa biologia colocou o maior número possível de “guardiões” para impedir a entrada de vírus.
Em primeiro lugar, temos os minúsculos pelos, tão desagradáveis, mas que nunca devem ser removidos, pois formam a primeira barreira de proteção dos pulmões. E depois, o epitélio, o revestimento mucoso que reveste as vias nasais. As células que o compõem trabalham em conjunto para combater os vírus invasores e ativar um arsenal de defesas.
Esta barreira inteligente liberta vesículas extracelulares, que funcionam como iscos, atraindo o vírus para que este se fixe a elas e não entre na célula. Também segregam muco, que é a nossa salvação. Ajuda a aprisionar o vírus e ajuda-nos a identificar o tipo de infeção. É por isso que não se engole o muco. Assoa-se o nariz para o expelir.
O estudo em causa centrou-se exclusivamente na forma como o nariz reage ao rinovírus – o tipo de vírus responsável pela maioria das constipações. No entanto, as suas conclusões estão de acordo com outros estudos anteriores que incluíram mais vírus respiratórios.
Não há evidências científicas que relacionem o tamanho do nariz com um maior ou menor risco de infeção. Não importa se ele é maior ou mais largo. Os fatores determinantes são diferentes. Importante é a eficácia da barreira de defesa do organismo. De acordo com o estudo, isto vai determinar se a infeção se espalha e se pode agravar-se, evoluindo para bronquite ou pneumonia.
É fundamental que as vias de comunicação entre as células estejam a funcionar corretamente. São enviadas mensagens anunciando a chegada do vírus para que as células se possam preparar. E assim, podem enviar vesículas – as tais células “isco” – em maior quantidade.
Outro fator importante é o frio. Com o frio, a secreção daquela multidão de vesículas cai para o chão; as vesículas saem vazias ou com muito pouca carga antiviral.
Não é preciso viver obcecado com o seu nariz mas pode fazer algumas coisas para o ajudar a funcionar corretamente.
Cubra-o se estiver muito frio. Se estiver a caminhar sozinho, não apanhará uma constipação, pois ninguém lhe transmitirá vírus. Mas se estiver a interagir com outras pessoas, é melhor cobrir o nariz e a garganta para que o frio não enfraqueça o seu sistema imunitário.
Evite ambientes secos: as mucosas funcionam melhor quando hidratadas. Beba muitos líquidos e evite locais com aquecimento ou ar condicionado fortes, que secam o ar.
Aposte numa dieta saudável para reforçar o sistema imunitário: alimentos ricos em vitaminas A, C e em zinco e ómega-3 ajudam a reforçar a barreirar epitelial.
Evite o tabaco e a poluição, pois irritam as mucosas, entre muitos outros efeitos nocivos para a saúde. O sistema imunitário também possui componentes genéticos e relacionados com a idade que não podemos controlar mas, se seguir estas orientações, provavelmente estará mais bem preparado.