ANTIBIÓTICO

Toma excessiva de antibióticos pode agravar distúrbios de humor

Os antibióticos estão entre os medicamentos mais utilizados no mundo, sendo atualmente os mais eficazes para o tratamento de infecões bacterianas, no entanto, a sua toma excessiva pode prejudicar a microbiota intestinal, a população de microrganismos que vivem nos intestinos e nos ajudam a digerir os alimentos.

Toma excessiva de antibióticos pode agravar distúrbios de humor


Sabe-se que as bactérias e outros microrganismos presentes no intestino também comunicam com o cérebro através de uma via de comunicação conhecida como eixo intestino-cérebro. Estudos recentes sugerem que algumas bactérias intestinais ajudam a reduzir a inflamação e a manter o funcionamento saudável do cérebro.

Uma equipa de investigadores do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Chongqing realizou um estudo para explorar a possibilidade de os efeitos dos antibióticos sobre as bactérias intestinais também poderem facilitar o desenvolvimento de transtornos de saúde mental, particularmente o aumento da ansiedade.

As descobertas, publicadas na revista Molecular Psychiatry, sugerem que estes medicamentos podem, de facto, prejudicar as bactérias intestinais que ajudam a regular o humor, associando a sua toma excessiva a níveis mais elevados de ansiedade.

Os antibióticos podem ser um fator de risco para a saúde mental. Para compreender melhor os seus efeitos, os especialistas realizaram uma série de experiências envolvendo ratinhos adultos e humanos. No primeiro conjunto de experiências, administraram antibióticos a ratinhos, observaram o seu comportamento e analisaram o microbioma nas suas fezes, comparando ambos com o de animais que não receberam os antibióticos.

Quando utilizaram pacientes tratados com antibióticos (n = 55), pacientes que nunca haviam tomado antibióticos (n = 60) e controles saudáveis (n = 60), também observaram sintomas evidentes de ansiedade naqueles tratados com antibióticos, juntamente com uma microbiota intestinal alterada (principalmente Firmicutes), redução de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) e metabolismo lipídico alterado nas fezes e no soro.

Aqueles tratados com antibióticos apresentaram níveis consistentemente mais baixos de acetilcolina no soro e nas fezes, o que apresentou alta correlação com os sintomas de ansiedade.

Ao analisarem os dados recolhidos, os investigadores descobriram que a toma de antibióticos estava associada a comportamentos semelhantes à ansiedade em ratinhos e a níveis mais elevados de ansiedade em humanos. Além disso, os medicamentos pareciam reduzir a quantidade de algumas bactérias intestinais benéficas, particularmente aquelas do grupo Bacteroides.

A equipa descobriu ainda uma associação entre a ingestão de antibióticos e a redução do neurotransmissor acetilcolina – uma substância química que ajuda na comunicação entre as células nervosas. Os ratinhos e os pacientes humanos que receberam ao antibióticos apresentaram níveis mais baixos de acetilcolina tanto no intestino quanto no cérebro, em comparação com aqueles que não os tomaram.
A análise de concorrência indicou que o par Bacteroides-acetilcolina pode desempenhar um papel importante na ansiedade induzida pelos antibióticos.

De modo geral, os resultados do estudo sugerem que a toma excessiva de antibióticos pode não só alterar a microbiota intestinal, mas também aumentar os níveis de ansiedade e ter um impacto negativo na saúde mental.

No futuro, este trabalho poderá inspirar novas investigações que explorem o impacto da toma de antibióticos na saúde mental, potencialmente contribuindo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas centradas no reequilíbrio da microbiota intestinal após o tratamento com antibióticos.

Fonte: Tupam Editores

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