DEPRESSÃO

Depressão em idosos pode ser sinal de doença cerebral grave

Um novo estudo, recentemente publicado na revista General Psychiatry, sugere que a depressão na terceira idade pode ser um sinal precoce de doenças cerebrais graves. A depressão ocorre com mais frequência e mais cedo em idosos que desenvolvem doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy.

Depressão em idosos pode ser sinal de doença cerebral grave


Os investigadores constataram que o risco de depressão aumenta progressivamente nesses indivíduos, atingindo o pico cerca de três anos antes do diagnóstico de Parkinson ou demência. Além disso, os doentes com Parkinson ou demência continuam a apresentar taxas mais elevadas de depressão do que pessoas com outras doenças crónicas.

Para a equipa, liderada por Christopher Rohde, do Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, as descobertas são compatíveis com a hipótese de que a depressão seja uma manifestação precoce das alterações neurodegenerativas que eventualmente levam à doença de Parkinson e à demência de corpos de Lewy.

Cerca de 30% a 40% das pessoas com Parkinson ou demência de corpos de Lewy apresentam depressão, mas, até agora, não estava claro se a depressão seria como um indicador de uma doença cerebral iminente ou se seria uma resposta natural que as pessoas têm a uma doença incapacitante.

Para o novo estudo, os especialistas analisaram dados de mais de 17.700 dinamarqueses com Parkinson ou demência de corpos de Lewy. A média das idades era de 74,98 (68,10–80,85) anos, e 39,92% eram mulheres. A equipa comparou as taxas de depressão desses indivíduos com as de idosos que sofrem de outras doenças crónicas, como artrite reumatoide, doença renal e osteoporose.

Os resultados mostraram que a depressão associada ao Parkinson ou à demência não pode ser totalmente explicada pelo fardo emocional de viver com uma doença crónica.
As outras doenças crónicas não apresentaram o mesmo aumento acentuado no risco de depressão – o que sugere que a depressão poderá estar ligada a alterações precoces no cérebro, em vez de ser uma resposta emocional à saúde debilitada.

As descobertas foram particularmente impressionantes para a demência de corpos de Lewy, onde as taxas de depressão foram ainda maiores do que no Parkinson.
Após o diagnóstico de doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy, a incidência persistentemente maior de depressão destaca a necessidade de maior atenção clínica e triagem sistemática para sintomas depressivos nesses doentes.

Apesar de a principal conclusão permanecer válida, isso não significa que todas as pessoas com depressão vão desenvolver uma doença cerebral como Parkinson ou demência. No entanto, a depressão pode servir como um sinal de alerta para idosos em risco de desenvolver essas doenças cerebrais.

Fonte: Tupam Editores

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