Stress em idosos associado a pior recuperação pós-cirúrgica
Mesmo um stress moderado antes de uma cirurgia pode ter influência na recuperação dos idosos, de acordo com um novo estudo da Escola de Medicina da Universidade de Duke, em Durham, Estados Unidos.

O estudo, publicado na revista Anesthesiology, descobriu que os doentes que levavam mais preocupações para a sala de operações apresentavam maior risco de delirium – um estado súbito de confusão –, relatavam mais dor não controlada e permaneciam mais dias internados no hospital, mesmo que não se considerassem muito stressados.
Os resultados permitiram concluir que mais de 40% dos idosos que se preparavam para uma cirurgia de grande porte, exceto cirurgia cardíaca ou cerebral, relataram níveis de stress moderado a elevado, semelhantes aos observados em doentes com cancro avançado.
Surpreendentemente, não era a intensidade do stress percebido, mas sim a quantidade de fatores stressantes que se destacava. A quantidade de fatores stressantes apresentou uma forte correlação com os níveis de dor e o tempo de internamento hospitalar. A probabilidade de desenvolver delírio aumentou 19% por cada fator stressante adicional.
A Dra. Leah C. Acker, autora sénior do estudo, descreveu-o como um “fenótipo de sobrecarga”, no qual pequenas pressões se acumulam o suficiente para prejudicar a recuperação do doente.
É da responsabilidade do anestesiologista garantir a saúde do doente, mas este também tem as suas próprias preocupações. A investigação demora apenas alguns minutos mas dá uma ideia do que é mais importante para os doentes, para se poder adaptar as conversas ou intervenções simples que podem fazer toda a diferença.
Para medir o stress dos 132 doentes com 65 anos ou mais que participaram no estudo, os investigadores utilizaram uma versão digital de três minutos do Termómetro de Angústia do National Comprehensive Cancer Network (NCCN) entre novembro de 2022 e fevereiro de 2024.
As preocupações mais comuns incluíam alterações do sono ou do apetite, comunicação com os profissionais de saúde e responsabilidades familiares. Numa secção de comentários aberta, os doentes escreveram sobre as suas preocupações com as finanças, as reparações em casa, a perda de independência, a situação do país e a manutenção de atividades que lhes traziam alegria e significado, como viagens, concertos e golfe.
Uma vez que a maioria dos adultos com mais de 65 anos será submetida a pelo menos uma cirurgia, a anestesiologista considera importante que os médicos tenham uma forma melhor de identificar quem poderá estar em risco de ter problemas após a cirurgia.
O delírio é uma das complicações pós-operatórias mais graves para os idosos, aumentando os custos hospitalares e o risco de demência a longo prazo.
Um estudo mais amplo poderia determinar quais os fatores de stress específicos que influenciam mais fortemente os resultados cirúrgicos. As descobertas evidenciam uma oportunidade negligenciada para melhorar os resultados das cirurgias, ao identificar e abordar o stress dos doentes antes do procedimento.