ENVELHECIMENTO

Cientistas podem ter descoberto a chave para anti-envelhecimento

Uma equipa de cientistas descobriu substâncias até agora desconhecidas que podem ajudar a proteger melhor as células da pele contra o envelhecimento. A descoberta, publicada no Journal of Natural Products, é surpreendente não só pela eficaz ação rejuvenescedora desta bactéria, o Paracoccus sanguinis, um microrganismo pouco conhecido, mas também pela sua origem: pode ser encontrada no sangue humano.

Cientistas podem ter descoberto a chave para anti-envelhecimento


Durante o estudo, os especialistas cultivaram grandes quantidades desta bactéria e analisaram as substâncias químicas que produzia, conhecidas como metabolitos: pequenas moléculas que as células (ou micróbios) geram enquanto vivem, se alimentam e “respiram”.

Nesse cocktail, foram identificadas doze substâncias. E dessas doze, seis nunca tinham sido descritas antes, ou seja, ninguém sabia que existiam. O passo seguinte foi testar se estas moléculas poderiam ter alguma utilidade e, estas foram testadas, especificamente, no contexto do envelhecimento da pele.

Para o efeito, foram utilizadas culturas de células da pele humana (fibroblastos) que foram submetidas a stress oxidativo – um tipo de oxidação interna. Pode imaginar-se como pequenas faíscas químicas que danificam gradualmente as proteínas, as gorduras e o ADN, e que estão associadas tanto ao envelhecimento como a muitas doenças.

Descobriu-se que três dos seis novos metabolitos que tinham sido descobertos reduziram significativamente os níveis destas “faíscas” oxidantes. Ao mesmo tempo, reduziram a produção de duas proteínas inflamatórias e de outra proteína que promove a degradação do colagénio, a grande “rede” proteica que confere firmeza e elasticidade à pele.

A ideia não surgiu do nada. A noção de que um vampiro precisa de sangue para se manter jovem tem alguma base científica. Há anos que se sabe que o sangue não transporta apenas oxigénio. Transporta hormonas, proteínas e outras moléculas que comunicam constantemente com os nossos órgãos.

No mundo da longevidade, as experiências envolvendo transfusões de sangue jovem tornaram-se famosas. Utilizando uma técnica em modelos animais, os investigadores descobriram que o sangue de pessoas jovens parecia rejuvenescer certos tecidos em animais mais velhos, enquanto o sangue velho fazia o contrário.
A partir daí, vários grupos dedicaram-se a procurar os fatores da juventude no plasma (a parte líquida do sangue).

Segundo a Dra. Giulia Accardi, da Universidade de Palermo, e principal autora do estudo, por enquanto, não há provas sólidas de que receber plasma jovem seja um tratamento anti-envelhecimento em humanos. Será que a nova descoberta vai alterar essa perceção? É cedo demais para dizer. Para já, muda o foco da atenção: em vez de se procurarem grandes proteínas e hormonas, o foco está agora nas pequenas moléculas.

Provavelmente, os cosméticos terão novos ingredientes que incluem estes metabolitos recém-descobertos, ou medicamentos que imitam ou potenciam a ação destas moléculas. Mas isso não está para breve. Por enquanto, apenas se sabe o que acontece nas células isoladas em laboratório.

Para se chegar a um creme, comprimido ou terapia segura, será necessário primeiro demonstrar que estes compostos funcionam da mesma forma num organismo inteiro, que não são tóxicos a longo prazo e que realmente oferecem algo além do que já se consegue com os tratamentos conhecidos.

Fonte: Tupam Editores

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