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Gripe A H1N1: uma pandemia de “heróis anónimos”

Dez anos depois da pandemia da gripe A, o médico Filipe Froes confessa que viveu a doença “24 horas por dia” e com ela redescobriu o significado da dedicação e do “espírito de missão de ser médico”.

Gripe A H1N1: uma pandemia de “heróis anónimos”

“Esta foi a pandemia dos heróis anónimos. Tive a oportunidade de trabalhar em equipa com pessoas com um altruísmo, dedicação e abnegação ímpares. Profissionais de saúde que se ofereceram, se voluntariaram, e foram trabalhar com espírito de missão e dedicação. A pandemia da gripe A mudou a minha vida”, relata, em entrevista à agência Lusa, o pneumologista Filipe Froes, que, em 2009 e 2010, era consultor da Direção-Geral da Saúde e coordenador da resposta dos cuidados de internamento no plano de contingência à pandemia.

À semelhança do que sente, acredita que a gripe pandémica de 2009 “foi a pandemia em que muitas pessoas tiveram a redescoberta da gratificação profissional”.

No Algarve, por exemplo, que foi uma zona com muitos casos da doença, Filipe Froes recorda que os profissionais trabalhavam “horas a fio”, com uma dedicação e altruísmo exemplares.

Há dez anos, Filipe Froes era assistente hospitalar graduado no Hospital Pulido Valente, onde ainda trabalha, e tinha 48 anos, que celebrou em plena pandemia, aliás, no dia em que se deu em Portugal o primeiro caso de transmissão secundário da doença.

Os primeiros casos da doença começaram a surgir no mundo durante o primeiro trimestre de 2009, embora desde 2005 a Organização Mundial de Saúde (OMS) viesse a alertar para uma possível pandemia da gripe.

Contudo, a fase de pandemia viria a ser decretada apenas a 11 de junho de 2009, embora dois meses antes, em finais de abril, a OMS declarasse a gripe H1N1 como emergência de saúde pública internacional.

Portugal ativou a sua fase de contingência da doença também em finais de abril de 2009, com o primeiro caso a ser registado numa mulher proveniente do México.

A pandemia de gripe A H1N1, que inicialmente começou por ser designada como gripe suína, nasceu precisamente em zonas de criação de porcos no México.

“Para ocorrer uma pandemia tem de haver conjugação de vários fatores: uma estirpe nova do vírus ‘influenza’, não haver imunidade entre a população e o vírus ter capacidade de transmissão eficaz entre os humanos”, explica o médico Filipe Froes.

Na gripe sazonal, que ocorre todos os anos, a estirpe do vírus que circula é sempre aparentada de outras que já circularam e com as quais grande parte da população já teve contacto.

Há ainda a diferença da altura em que surge e da sua duração: a pandemia não se sujeita apenas a tempo frio e demora muito mais tempo. A pandemia de gripe A durou, por exemplo, mais de um ano.

Graças à simplificação com que passou a ser designada, a pandemia de H1N1 acabou por trazer “má fama” ao vírus da gripe A, que ocorre em muitas das gripes sazonais registadas.

A pandemia de gripe A provocou 284 mil mortes em todo o mundo, 124 das quais em Portugal.

Fonte: Lusa

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