TREINO DOMÉSTICO, CÃES E GATOS

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TREINO DOMÉSTICO, CÃES E GATOS

  Tupam Editores

Cães e gatos são os animais de estimação mais populares do mundo e talvez por isso exista tanta comparação entre as duas espécies. Contudo, apesar da enorme ligação entre ambos, cimentada por anos e anos de convivência, existem muitas diferenças comportamentais que por vezes dão algumas dores de cabeça aos seus tutores.

Por mais absurdo que pareça, ainda existem pessoas que não sabem distinguir as atitudes de cães e gatos e, por essa razão, querem que um gato se comporte como um cão, ou vice-versa. Mas a diferença de comportamento é enorme, e começa logo pela forma de lidar com o seu dono.

Apesar de respeitarem os donos, os gatos são muito independentes. Já os cães são, na sua maioria, bastante submissos. E as diferenças não se ficam por aqui, por exemplo, enquanto os cães dormem de noite, quase todos os gatos gostam de dormir durante o dia.

No que diz respeito aos hábitos alimentares, as diferenças também são notórias. Os gatos são "controlados" na sua própria alimentação, ou seja, comem apenas o necessário para satisfazer a sua fome. Os cães, por sua vez, vão continuar a comer enquanto houver ração.

Em termos de higiene os felinos são indiscutivelmente melhores. Os gatos são muito preocupados com a sua limpeza, razão pela qual passam grande parte do dia a lamber-se. Os cães, pela sua natureza, acabam por estar sempre mais sujos.

Desde filhotes, os gatos procuram locais ideais para fazerem as suas necessidades, enterrando-as depois. Neste aspeto os cães também deixam muito a desejar, pois são muito desleixados e não se importam minimamente com o local onde vão fazer as necessidades e, a não ser que sejam repreendidos e ensinados, vão com muita frequência surpreender negativamente os seus donos.

Gato a Dormir

Os donos de animais de estimação enfrentam frequentemente o desafio de ensinar novos comportamentos ao seu cão ou gato, por necessidade ou por simples diversão. O problema é como fazê-lo. Por exemplo, como se pode ensinar um animal de estimação a sentar-se, a deitar-se, a dar um passo para trás ou a subir para o carro? Não é tão complicado como parece, basta apenas conhecer algumas das técnicas disponíveis, escolher a mais adequada e pôr mãos à obra com um plano de treino claro, muita paciência e algumas recompensas.

Treinar o cão: para construir laços e evitar situações desagradáveis

Todo o comportamento que um animal apresenta é um comportamento natural instintivo, porém em condições não favoráveis para que este animal expresse os seus comportamentos naturais e as suas necessidades básicas fisiológicas, físicas e mentais, esses comportamentos podem tornar-se um problema.

A maioria das pessoas compram ou adotam um animal de estimação por impulso, sem conhecer o comportamento da espécie, para que a raça foi desenvolvida, humanizando e tratando o animal como uma criança, e querendo ainda que este se mantenha limpo, em silêncio, e que aprenda tudo por "telepatia" – o que não vai acontecer!

No que diz respeito ao cão, o treino pode revelar-se simultaneamente uma tarefa difícil e bastante gratificante. Aos três meses de idade o cão já se desenvolveu o suficiente para aprender com eficácia bastantes ensinamentos. No entanto, com esta tenra idade ele é ainda um cachorrinho num ambiente desconhecido.

O cão está geneticamente programado para obedecer ao líder. Assim, para que o treino funcione, é importante que o cão reconheça o dono como líder, que seja este a dar os comandos e a ensinar o cão, que seja ele a andar com ele pela trela, etc.

Treino do cão

Antes de avançar para o treino, o dono deve adquirir uma coleira e uma trela, que lhe permitam controlar o animal de forma eficaz. É importante que tente fazer do treino uma festa para ambos, mas mantenha sempre uma voz firme, e felicite o cão sempre que este faça progressos na aprendizagem.

Existem alguns comandos básicos (Lado, Senta, Fica, Aqui, Deita) que, depois de estarem devidamente assimilados pelo cão, podem ajudar no treino de ações mais complexas, se o dono o desejar. Deve ensinar-se uma coisa de cada vez e apenas avançar no treino depois de se ter a certeza que o animal aprendeu corretamente.

Entre esses comandos está o "Lado", o primeiro comando que se deve ensinar ao cão, e que é usado para manter o animal sempre do lado esquerdo do dono. Este comando "Lado" deve ser dado imediatamente precedido do nome do cão (por ex. "Boby Lado"), mantendo o cão sempre próximo da perna do dono.

Para ensinar o comando "Senta" o dono deve começar por caminhar com o animal ao seu lado, depois parar e dar o comando "Senta", colocando a mão esquerda na traseira do cão e levando-o a sentar-se. A mão direita deve ser usada para manter a cabeça do cão levantada.

Com a voz de comando "Fica", pretende-se que o cão permaneça sentado até ordem em contrário. Deve ter início na posição de sentado (com a trela). Dar o comando "Fica", posicionar a mão esquerda à frente do focinho e dar um passo em frente. Repetir firmemente o comando "Fica" precedido do nome do animal (por ex. "Boby Fica"), permanecendo assim durante 10 segundos no máximo.

O comando "Aqui" é extremamente importante porque vai permitir soltar o animal sem perder o controlo. Neste comando o cão deve estar do lado esquerdo do dono. Este deve dar o comando (por ex. "Boby Aqui") e puxar a trela obrigando o cão a posicionar-se de frente para si. Com a repetição deste comando poderá em breve fazê-lo sem trela chamando o cão até si.

Para ensinar o comando "Deita" começa-se da posição de sentado (do lado esquerdo). Deve ajoelhar-se e colocar o braço à volta do pescoço do animal tocando com a mão na perna direita dianteira. Dar o comando "Deita" precedido do nome do cão e conduzi-lo até à posição de deitado. Repetir o comando (por ex. "Boby Deita") intensamente enquanto o cão se deita. É importante que felicite sempre o cão pelos progressos na aprendizagem.

Treino do cão

Após ter conseguido ensinar todos este comandos básicos ao cão, deverá sentir-se à vontade com ele em locais públicos e amplos pois terá sempre o controlo.

Mas para além destes comandos também é importante ensiná-lo a não comer alimentos do chão e oferecidos por estranhos, a ser asseado em casa, ou a ir buscar um objeto – um dos ensinamentos mais queridos pelo dono e pelo cão. Para o dono é uma forma de se divertir e para o cão é uma forma de seguir o seu instinto natural de correr atrás de objetos.

Para o efeito, comece por interessar o cão pelo objeto (que pode ser qualquer um, desde que este o possa agarrar com a boca sem dificuldade e sem se magoar) fazendo várias brincadeiras de modo a centrar nele a sua atenção.

Segure-o na boca do cão enquanto puxa, atire-o a uma distância curta. Brinque bastante até o animal se sentir sempre interessado por ele e correr atrás dele para o apanhar. Normalmente, depois de apanhar o objeto é natural que o cão fuja com ele para brincar sozinho. É aqui que começa a parte principal do treino. Chame-o alegremente para junto de si e nunca corra atrás dele pois ele pode interpretar como uma nova brincadeira e arruinar-lhe o treino. Quando conseguir que este venha até si, felicite-o efusivamente e retire-lhe o objeto da boca. Bem simples, não é?

Mais difícil é ensinar o cão a ser asseado em casa, contudo, com alguma vigilância e paciência tudo correrá bem.

Treino do cão

Os cães têm um instinto natural que os leva a procurarem um local afastado do sítio onde dormem para fazerem as suas necessidades. Neste sentido, não será difícil ensiná-lo a ir à rua ou a um local específico.

Sempre que notar que o cão tem necessidade, coloque-o no local (caixa, rua ou quintal) onde pretende que ele se alivie. Adicionalmente, deve-se levar o animal a esse local logo pela manhã, depois de todas as refeições e antes de ir dormir. Deste modo vai-se aos poucos criando rotinas na satisfação das suas necessidades fisiológicas. Depressa ele se habituará a esta rotina, porém não espere resultados imediatos e definitivos. Mantenha-se sempre atento. Quando detetar que o animal vai aliviar-se dentro de casa dê-lhe firmemente um comando "Não" e leve-o para o local indicado.

Ensinar o cão a não comer alimentos do chão e de estranhos é também um pouco mais difícil de concretizar, mas muito útil, pelo que deve ter alguma paciência neste processo. Não só previne que o cão contraia doenças devido a alimentos estragados na rua e no parque, como evita que os amigos do alheio o distraiam para entrar na propriedade.

A base do sucesso deste treino reside por um lado na perfeita aprendizagem dos comandos básicos e por outro em disciplinar os hábitos alimentares do animal. Um cão deve ter uma só pessoa que lhe dá a alimentação a horários regulares, assim como local e recipiente únicos para comer.

Numa primeira fase do treino, segure o cão pela trela e peça a um estranho que lhe dê um pedaço de carne. Quando o cão tentar apanhá-lo puxe firmemente a trela e dê um comando firme "Não" precedido do nome do cão. Repita este ensinamento bastantes vezes até o cão se mostrar indiferente à oferta de comida.

Cão no caixote do lixo

Numa segunda fase vai treinar o cão a não apanhar alimentos do chão durante os seus passeios. Devem ser colocados previamente alguns pedaços de comida em locais por onde costuma passear com o animal. Deve passear um pouco com ele, passando propositadamente nesses locais. Quando o cão tentar apanhar a comida puxe firmemente a trela e dê um comando firme "Não" precedido no nome do cão. Deve repetir várias vezes este treino até que possa deixá-lo passar livremente e ao longe executar esta mesma ordem.

Treinar o seu cão ajuda a construir um laço único entre ambos. Além disso, o treino é um aspeto muito importante para os cães, pois ajuda-os a integrar-se melhor na casa e no quotidiano dos donos, não devendo ser descurado. E os gatos, poderão eles também ser treinados?

Será a educação dos gatos uma missão impossível?

Pouco se comenta sobre educação de gatos. Há quem diga, inclusive, que é impossível ensiná-los. Mas, ao contrário do que se imagina, é possível modificar vários comportamentos dos felinos em geral com técnicas de adestramento. Todo o sistema de aprendizagem dos gatos se baseia em recompensas e disciplina.

Se no caso dos cães a base do treino reside em ordens diretas que vão aprendendo a assimilar, nos pequenos felinos este tipo de comportamento só os irá assustar e confundir. Um dos segredos para o treino eficaz do gato é descobrir qual a guloseima que mais gosta e oferecê-la ao seu companheiro assim que ele corresponda a determinada ordem com um comportamento correto.

Quando chama o seu animal de estimação ele vem ter consigo? Este é o mais básico dos treinos, porém, pode ser especialmente útil no caso de algum dia o gato fugir, principalmente se está muito habituado a estar em casa.

Para conseguir que este "reconheça" o seu nome e se aproxime, há que acostumá-lo a ele, repetindo-o a cada oportunidade: quando lhe estiver a fazer carícias, a dar de comer ou a repreender. Se ao início houver resistência, pode recorrer-se ao ruído do pacote de comida – ao mesmo tempo que se pronuncia o seu nome –, para o levar a aproximar-se.

Desta forma, ele passará a associar o chamamento a algo positivo e, aos poucos, virá ter consigo quando o chamar.

Gato a afiar as unhas

Mas uma das razões que leva os donos a quererem treinar ou, pelo menos, a educar os seus gatos prende-se com o afiar das unhas. É que por vezes, e inadvertidamente, os nossos amigos fazem-no em móveis, cortinados ou até mesmo em sofás. E aqui nem é um problema de comportamento, mas sim de instinto. E, se pensa que ao comprar um poste destinado a afiar as unhas resolve o problema, desengane-se.

Para que um desses postes seja atrativo para o gato tem de obedecer a alguns critérios. Deve ser alto, feito de madeira não muito rija e ter corda à volta. Depois, deve ser colocado no quarto onde tanto o gato como a família passam mais tempo.

O processo de treino é relativamente simples. Para o encorajar a utilizá-lo o dono deve arranhar ele próprio o poste com as unhas e ir chamando o gato. É que os nossos amigos gostam muito de nos imitar.

Gato a afiar as unhas

Assim que ele afiar as unhas no poste recompense-o ou com mimos ou com um pequeno pitéu. Daí para a frente, ele passará a afiar as unhas apenas nesse poste.

E se o animal não usar a caixa de areia para fazer as necessidades? O hábito dos gatos urinarem e defecarem em caixas de areia é natural no animal, porém, pode haver casos em que esse hábito não se manifeste. Se esse é o caso do seu gato, seguir alguns passos simples pode resolver o problema.

A caixa deve ser colocada num lugar calmo, ter o tamanho suficiente para o gato quando adulto, devendo optar-se por uma areia não aromatizada, a que os animais preferem.

Para lhe incutir o hábito, mais ou menos 10 minutos antes da hora habitual de fazer as necessidades, deve pegar no gato e colocá-lo dentro da caixa. Assim que ele defecar ou urinar no seu interior, mime-o ou dê-lhe uma recompensa sob forma de alimento.

Mas atenção, enquanto não tiver a certeza de que o gato já sabe usar convenientemente a caixa, controle os locais da casa por onde ele costuma andar, para evitar surpresas desagradáveis.

Não há dúvidas de que um problema comportamental de um animal pode pôr em causa o vínculo de afeto existente entre este e os humanos que o rodeiam. Constata-se que os comportamentos indesejados dos animais constituem uma das principais causas de abandono de cães e gatos em Portugal, e no mundo.

A relação com animais de estimação pode tornar-se um pesadelo se, por algum motivo, estes começarem a manifestar comportamentos que ponham em causa o seu próprio bem-estar e o daqueles que o rodeiam – donos, familiares, amigos ou vizinhos.

Alguns dos comportamentos indesejados mais comuns são agressividade, destruição, defecar ou urinar em casa e não onde é suposto fazê-lo, ladrar ou miar fora de um contexto aceitável, entre outros.

É importante que ensine o seu cão ou gato a serem civilizados e a desenvolverem um temperamento aceitável e equilibrado. A obediência é a base da relação extraordinária que podemos construir com os nossos animais de estimação. Além disso, o treino acaba por reforçar a cumplicidade e o vínculo emocional que o ligam ao seu amigo de quatro patas, e promove relações mais fortes entre donos e animais. Aproveite a experiência... vai compensar!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
28 de Julho de 2017

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