CATATUAS E OUTRAS AVES FONADORAS

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CATATUAS E OUTRAS AVES FONADORAS

  Tupam Editores

O ser humano é a única criatura com capacidade para falar. Na natureza, cada animal tem a sua própria voz. Aves como a imponente águia podem grasnar, o minúsculo e delicado beija-flor pode trissar, o gracioso rouxinol pode gorjear, um mamífero como a zebra pode zurrar, e um inseto como a abelha pode zumbir.

Existem, porém, algumas aves capazes de reproduzir todos esses sons, incluindo a voz humana, ou mesmo qualquer outro tipo de ruído artificial, como o de uma campainha, buzina, um toque telefónico, uma porta que range, entre outros sons distintos.

Seja pelo seu canto, pela sua aparência ou simplesmente pela sua capacidade de interação com o ser humano, a verdade é que os pássaros, independentemente da espécie, são animais fascinantes.

Em busca do animal de estimação perfeito, ou seja, aquele que melhor se encaixa no seu espaço e estilo de vida, muitas pessoas optam por adquirir pássaros por acreditarem que estes requerem menos atenção, carinho, cuidado ou espaço que outras espécies. Para grande parte das pessoas as aves servem apenas para estar em exposição numa gaiola a emitir sons, mas estas podem ser, tal como qualquer outro animal, um excelente animal de estimação e companhia.

Uma vez tomada a decisão de adquirir uma ave para companhia, o passo seguinte será descobrir qual a ideal para o seu espaço e condições. Entre uma variedade de espécies que se estima superior a 10 000, em todo o mundo, e considerando que com cada uma delas se vai construir um relacionamento único a escolha não é tarefa fácil.

Aves da família das catatuas, araras e papagaios – os Psitacídeos –, por exemplo, além de serem das mais procuradas, são muito inteligentes, e podem inclusive aprender a falar, realizar truques e irão certamente tornar-se muito interativas e carinhosas com os seus donos.

Mas, apesar de toda a interação que se pode gerar entre dono e animal de estimação é importante saber que estas aves podem ser muito barulhentas e em certos momentos incómodas. Enquanto muitos pássaros emitem vocalizações que podem ser calmantes, agradáveis e alegres, estas espécies de aves podem emitir sons que abeiram a fronteira do insuportável a ensurdecedor.

Para o seu bem-estar, da família, dos vizinhos, e até mesmo o da própria ave, é crucial levar esse fator em consideração ao escolher a espécie que pensa manter como animal de estimação.

papagaio a brincar com dono

Embora as aves mais barulhentas possam ser treinadas para diminuir esse comportamento, essas vocalizações são uma forma de comunicação e nunca serão erradicadas. Além disso, é importante prestar atenção ao animal, pois pode estar a tentar comunicar com o dono para o alertar para a presença de pessoas, pragas (como ratos), ou até mesmo chamar a atenção sobre si porque quer brincar ou alimentar-se.

Ao contrário dos animais que foram domesticados ao longo de milhares de anos, como cães e gatos, os pássaros são essencialmente selvagens e precisam de ser socializados todos os dias para ficarem mansos e reagirem como os donos esperam. As aves costumam construir os seus relacionamentos a longo prazo, e é algo edificado todos os dias, com uma boa dose de amor, carinho e atenção. A confiança entre pássaro e dono é produto dessa interação diária.

A ordem Psitaciforme: Catatuas, e outras aves "faladoras"

Existem no mundo, aproximadamente, 360 espécies da Ordem Psitaciformes. Muito coloridas, estas aves têm uma distribuição geográfica vasta, ocupando as regiões quentes e temperadas de todos os continentes. A maior biodiversidade do grupo encontra-se na Oceania, América Central e América do Sul.

Os psitaciformes possuem bico forte, grosso e recurvo, língua carnuda e grossa, dedos livres, dois para frente e dois para trás, e pés curtos, mas muito articuláveis, que além de sustentarem o corpo, auxiliam na manipulação dos alimentos que consomem. Caracterizam-se pelo bico encurvado, com a mandíbula superior recurvada sobre a inferior, uma adaptação à sua alimentação, à base de grãos, sementes e frutos.

O grupo dos psitacídeos inclui aves muito populares e conhecidas tais como as catatuas, papagaios e araras, entre outros, que chamam a atenção principalmente por terem a capacidade de imitar com grande exatidão todos os tipos de sons, incluindo palavras.

São das aves mais inteligentes e que possuem o cérebro mais desenvolvido. O seu longo período de vida é igualmente digno de nota, por exemplo, as espécies de grande porte atingem entre os 60 a 80 anos de idade. Em consequência das suas características, tornaram-se aves de cativeiro, bastante populares em parques e jardins zoológicos, facto que veio a colocar muitas espécies em perigo de extinção.

Se a intenção for ensinar um psitacídeo a falar, terá de adquiri-lo o mais jovem possível, para que se adapte a si, e se sinta bem e confiante consigo. Só assim terá uma ave palradora e feliz.

catatua

Imitadora da fala humana, capaz de acrobacias e de se afeiçoar às pessoas, além de elegante e com uma plumagem vistosa, a catatua tem vindo a conquistar espaço como companheira de estimação. Pertencente à família Cacatuidae, tem uma expetativa de vida de cerca de 30 a 75 anos e pode alcançar tamanhos entre os 35 a 70 centímetros.

Nas aves de grande porte, tudo nelas é proporcional, incluindo o ruído que fazem! A maior parte das espécies possui uma charmosa crista (de tamanho, cor e forma específicas) que, dependendo do seu estado de humor, é erguida ou baixada quando a ave está excitada ou alarmada.

São animais muito inteligentes, ativos e divertidos, aprendem com muita facilidade a abrir gaiolas, e a pegar em pequenos objetos como isqueiros, canetas, relógios, entre outros, devendo, portanto, deixar-se longe do seu alcance. Sentindo-se negligenciadas, tendem a arrancar as penas e a destruir tudo o que tenham à volta, sejam plantas, mobília, eletrodomésticos, ou mesmo roupa, mas se receberem a atenção desejada são afetuosas e brincalhonas com o dono, tornando-se extremamente ternas.

É fundamental adquirir um animal criado em cativeiro, pois um exemplar capturado na natureza é normalmente um problema sério, já que vai sentir a falta dos seus semelhantes e fazer a vida negra aos donos, por sofrer com essa perda. O controlo cada vez mais apertado das autoridades tem tornado esse negócio um fracasso.

papagaio do Congo

Mas os pássaros mais "faladores" são os papagaios, particularmente os papagaios-do-congo. Mesmo sem ensinamento, eles ouvem a fala humana e aprendem a imitá-la, tornando-se verdadeiros tagarelas. Além disso, a espécie possui o vocabulário mais extenso dentre todas as aves "falantes".

O papagaio cinzento do congo (Psittacus erithacus erithacus) é a subespécie mais popular como ave de estimação. É uma ave muito amistosa, inteligente e sensível, tendo sido sobretudo a capacidade de "falar", ou seja, reproduzir a voz humana, que lhe trouxe popularidade. Ao contrário de outros papagaios, este é bastante tímido e apesar de ser um talentoso mímico pode não desejar falar se estiverem estranhos na divisão. E se esta característica pode parecer uma desvantagem quando se quer exibir a ave aos vizinhos, por outro lado, são aves mais calmas, que não incomodam com o barulho.

Com uma esperança média de vida longa, cerca de 40 anos, o Papagaio Cinzento é um animal de estimação para a vida. Uma das características desta ave é a preferência por um dos elementos da família (que pode não ser o tratador), por quem desenvolve especiais laços de afetividade.

Curiosamente estes papagaios também podem criar aversão a determinadas pessoas que frequentam a casa. Tal como a catatua, quando se sente só, tem tendência a arrancar as penas, sendo por isso importante fornecer-lhe estímulos para o evitar.

A arara (Ara spp.) é outra ave que também apresenta semelhanças com as catatuas, particularmente em termos de habilidade da fala. Mas, embora possam aprender rapidamente a falar, o seu vocabulário e as suas técnicas de imitação não são tão desenvolvidas como as dos papagaios-do-congo.

arara brasileira

São aves trepadoras, grandes apreciadoras de acrobacias, muito bonitas e coloridas, que atingem aproximadamente o tamanho de 85 centímetros e 60 anos de vida. Embora não sejam as melhores imitadoras, podem ser ensinadas a repetir a voz humana, devendo para isso ser criadas com pessoas desde tenra idade para facilitar a aprendizagem. Algumas aves podem ser mais barulhentas e, por vezes, incomodar a vizinhança.

Trata-se, no entanto, de aves extremamente dóceis e com um instinto gregário muito forte que, se habituadas desde idade precoce, podem conviver de uma forma muito agradável com humanos, dando-se bem e criando laços de afetividade muito fortes com todos os membros da família.

Tal como as aves anteriormente mencionadas, a arara precisa de muita atenção e carinho, caso contrário, poderá apresentar uma plumagem deficiente, entre outras perturbações de comportamento. A caça furtiva em busca de animais de companhia e o desaparecimento do seu habitat colocou estas aves num estado de conservação ameaçada.

Mas quais serão as características especiais que conferem a estas aves a capacidade pronunciada de imitação da voz humana?

O órgão fonador das aves
catatua a gritar

Quando um pássaro abre o bico e lança o seu canto, não está apenas a executar um ato voluntariamente artístico. O objetivo é outro: ele está, de alguma forma, a expressar-se ou a manifestar um sentimento específico.

Todo o pássaro canoro tem inscrito no seu código genético as instruções que lhe permitem emitir as vozes de chamada, manifestações sonoras básicas como gritos ou pios que as caracterizam. O canto e as suas variantes são aprendidos com indivíduos adultos da mesma espécie, e certos investigadores chegam a afirmar que um pássaro jovem necessita de cerca de cem dias para dominar a vocalização característica da sua espécie. Isto significa que o estímulo social faz parte do processo de aprendizagem. Sem estímulo, os pássaros não aprendem os cantos e a falta de exemplos sonoros pode conduzir a deformações.

Não são raras as aves que afastadas do convívio dos seus semelhantes acabam por adquirir o meio de expressão de outra espécie. Este facto não deve, no entanto, ser confundido com a facilidade que certos pássaros têm de imitar a expressão vocal alheia, como é o caso das aves mencionadas.

Como os seres humanos, as aves produzem sons através do fluxo de ar que é expirado dos pulmões até ao aparelho fonador. Desta forma, as ações de respirar e cantar requerem coordenação. A siringe, análoga à laringe dos outros vertebrados, é uma estrutura localizada na junção da traqueia com os brônquios e consiste de duas membranas simétricas em cada lado dos brônquios.

A membrana responsável pela produção de som é denominada membrana tympaniformis interna e o seu funcionamento está relacionado os pulmões e os sacos aéreos, estruturas que aumentam a capacidade pulmonar e permitem o funcionamento adequado da siringe, realizando uma contrapressão na região traqueal, de forma que possam vibrar com o movimento de expiração pulmonar, produzindo o som desejado.

A estrutura varia em função da espécie, podendo ser dotada de mais ou menos pares de músculos nos anéis bronquiais e, consequentemente, produzir vocalizações mais ou menos sofisticadas. As aves capazes de efetuar vocalizações complexas, como muitas espécies de pássaros canoros, possuem em média sete pares, enquanto no outro extremo, as cegonhas e as avestruzes, não as possuem. Os papagaios, considerados muito faladores, situam-se no meio, com três pares de músculos na siringe.

Até pode falar... mas não diz quando está doente

Perder uma ave de companhia pode ser uma experiência traumática, tal como a perda de um cão ou gato, embora seja, por muitos, considerado algo ridículo. Os animais não são capazes de nos dizer se estão bem, mas conseguem transmiti-lo através dos seus comportamentos.

Em caso de doença, mal se note algo de errado deve contactar-se o médico veterinário de imediato. Muitos dos problemas das aves só são detetados demasiado tarde devido ao facto de os donos não se documentarem antecipadamente sobre a especificidade do animal.

Apesar de o tratamento em medicina veterinária das aves ser ainda bastante insuficiente, a informação de que veterinários e criadores dispõem, é muito mais abrangente e completa do que há uma dezena de anos.

Além disso, começam finalmente a trabalhar em conjunto, o que não se verificava antes, pois devido à precariedade do serviço prestado os criadores optavam por tentar solucionar os problemas por si próprios. Mesmo assim, embora o seu universo permaneça mais reduzido do que o desejável, é compensador verificar um aumento significativo de profissionais com formação adequada. Mas atenção, ainda não existem especialistas!

Assim, é importante estar sempre atento ao comportamento e aparência da sua ave "faladora". Esta pode ser uma grande companheira, pois desenvolvem as suas próprias personalidades e possuem palavras e frases favoritas que usam em momentos apropriados e, por vezes... inapropriados também!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
07 de Junho de 2017

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