Surto de Ébola alarga‑se em grande parte sem ser detetado
O surto de Ébola no nordeste da República Democrática do Congo já confirmou 1 792 infetados e 625 mortes, mas as autoridades sanitárias avisam que a dimensão real pode ser duas a quatro vezes maior que os números oficiais.

Um responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que, em áreas como o epicentro em Bunia, cerca de 80% dos novos casos não têm ligação conhecida a doentes já identificados, indicando transmissão comunitária não rastreada. Em zonas com menos casos, como o Quivu do Norte, a maioria das novas infeções consta nas listas de contactos, evidenciando algum progresso no rastreio.
A estirpe em circulação é a rara variante Bundibugyo, associada a taxas de letalidade entre 30% e 50% e para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Aproximadamente 90% dos casos concentram‑se na província de Ituri, em locais como Bunia, Rwampara, Mongbwalu e Nyakunde, onde a transmissão permanece intensa.
Em Bunia, cidade com cerca de um milhão de habitantes, uma em cada duas pessoas testadas para Ébola apresenta resultado positivo, reforçando a preocupação com propagação comunitária e subnotificação.