INFANTIL

Acesso precoce às redes sociais afeta salas de aula

O acesso precoce às redes sociais provoca efeitos difíceis de reverter no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças, notados por professores e psicólogos nas escolas e em consultas, que defendem uma maior regulação destas plataformas.

Acesso precoce às redes sociais afeta salas de aula

Rita Mendes, professora de Música ativa nas redes sociais, considera, no entanto, que os menores não deveriam ter presença nessas plataformas. Com turmas do pré‑escolar ao 3.º ciclo, afirma distinguir facilmente os alunos com acesso às redes dos que não têm: entre os primeiros observa‑se menor capacidade de concentração, lacunas no vocabulário e maior dificuldade em expressar sentimentos ou em explicar conflitos ocorridos no recreio.

“Nas redes sociais existe uma constante assimilação de conteúdos, mas não há apropriação, porque o cérebro não tem tempo para reter”, afirma, contrapondo com a leitura, em que o texto é processado e assimilado.

O psicólogo Júlio França sublinha igualmente o impacto precoce no desenvolvimento da linguagem, atribuindo‑o à ausência de contextos adequados para essa aprendizagem. A interação com pais, colegas e educadores funciona como modelo para a linguagem; fora desse contexto, a linguagem pode evoluir, mas com erros.

Entre as crianças mais pequenas, refere‑se ainda prejuízo na regulação emocional e na motricidade. Nos mais velhos, o problema também existe, sobretudo devido à exposição excessiva a ecrãs e a conteúdos inapropriados para a idade — como violência, incitamento ao ódio ou material sexual.

A substituição das interações presenciais por tempo de ecrã compromete o desenvolvimento de competências socioemocionais. Júlio França lembra o impacto do confinamento durante a pandemia e alerta para o potencial aditivo das plataformas digitais, reforçando a necessidade de medidas que protejam o desenvolvimento infantil.

Fonte: Tupam Editores

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