INFERTILIDADE

Estudos apontam smartphones como possível fator na redução das taxas de fertilidade

Dois estudos realizados nos Estados Unidos sugerem que a utilização generalizada de smartphones poderá estar associada à diminuição das taxas de fertilidade observada em diversos países ao longo das últimas décadas. A principal explicação avançada pelos investigadores passa pela redução das interações sociais presenciais e, consequentemente, da atividade sexual.

Estudos apontam smartphones como possível fator na redução das taxas de fertilidade

A queda da natalidade tem vindo a preocupar especialistas em várias regiões do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de fertilidade caiu cerca de 22% desde 2007. Segundo investigadores da Universidade de Middlebury, este declínio não pode ser explicado apenas por fatores tradicionalmente apontados, como as dificuldades económicas, os custos da habitação, as despesas com creches ou o acesso a métodos contracetivos.

Num estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER), os investigadores Caitlin Myers e Ezekiel Hooper analisaram a coincidência temporal entre a chegada do primeiro iPhone, em 2007, e o início de uma redução mais acentuada da fertilidade. Como o equipamento esteve inicialmente disponível apenas através da operadora AT&T, os autores compararam regiões com cobertura da rede com outras onde o acesso era mais limitado.

Os resultados indicam que as áreas com maior acesso ao iPhone registaram uma diminuição mais expressiva do número de nascimentos, sobretudo entre mulheres jovens, com idades entre os 15 e os 24 anos.

Segundo os investigadores, a tendência parece estar mais relacionada com mudanças nos comportamentos sociais do que com questões financeiras. À medida que os smartphones se tornaram parte integrante do quotidiano, o tempo dedicado a encontros presenciais e a relações sociais diminuiu significativamente. Em paralelo, verificou-se um aumento do consumo de conteúdos digitais, incluindo pornografia, que poderá funcionar como alternativa a relações íntimas reais.

Os autores sublinham, contudo, que os smartphones não constituem a única explicação para o declínio da natalidade, mas consideram que representam um fator relevante e frequentemente ignorado nas políticas públicas destinadas a incentivar o aumento do número de nascimentos.

Conclusões semelhantes foram apresentadas por Nathan Hudson e Hernan Moscoso Boedo, economistas da Universidade de Cincinnati. Num estudo que analisou dados de 128 países, os investigadores observaram que a disseminação dos smartphones coincidiu com uma aceleração da redução das taxas de fertilidade na adolescência.

De acordo com os autores, esta relação foi identificada em países com realidades económicas, culturais e sociais muito distintas, sugerindo que a expansão dos smartphones poderá constituir um fenómeno tecnológico global com impacto nos comportamentos demográficos.

Embora os estudos não estabeleçam uma relação direta de causa e efeito, os investigadores defendem que a transformação dos hábitos sociais provocada pela utilização intensiva de dispositivos móveis deve ser considerada entre os fatores que ajudam a explicar a diminuição das taxas de fertilidade observada em várias partes do mundo.

Fonte: Tupam Editores

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