MEDICAMENTO

Fármaco para demência pode ajudar a tratar abstinência alcoólica

Um novo estudo de investigadores da Universidade de Kentucky está a explorar se um medicamento originalmente desenvolvido para combater a neuroinflamação na demência também pode ajudar a reduzir a inflamação cerebral prejudicial associada à abstinência alcoólica.

Fármaco para demência pode ajudar a tratar abstinência alcoólica

O estudo, publicado recentemente na revista Alcohol, examina os efeitos anti-inflamatórios do composto experimental MW150 durante a exposição aguda ao álcool e a abstinência em modelos animais. A equipa descobriu que o medicamento reduziu significativamente os marcadores inflamatórios selecionados, particularmente durante a abstinência alcoólica.

A investigação focou-se na p38α MAPK – uma via de sinalização fortemente associada à inflamação no cérebro. Os especialistas testaram o MW150 em dois modelos diferentes de cultura celular do sistema nervoso central e observaram reduções nas respostas inflamatórias durante os períodos de abstinência.

Apesar de ainda se estar numa fase inicial da investigação, as descobertas são particularmente relevantes porque o MW150 – juntamente com um medicamento relacionado, o Neflamapimod – já está a ser estudado em ensaios clínicos para a demência e outras doenças neurodegenerativas.

De acordo com os investigadores, a abstinência do álcool pode desencadear neuroinflamação, que contribui para recaídas crónicas e danos neurológicos a longo prazo. O Kentucky continua a enfrentar preocupações crescentes em relação à perturbação por uso de álcool, tornando a procura de novas estratégias terapêuticas especialmente relevante para o estado.

Mesmo que esta abordagem não altere diretamente os comportamentos de consumo de álcool, a redução da neuroinflamação pode ainda ter importantes efeitos neuroprotetores que melhoram os resultados para os doentes.

Segundo os investigadores, há ainda muito trabalho a fazer antes que as descobertas possam ser traduzidas em aplicações clínicas. Estudos futuros irão avaliar se o MW150 produz efeitos anti-inflamatórios semelhantes em modelos animais vivos e se estes efeitos influenciam os comportamentos de recaída no alcoolismo.

Fonte: Tupam Editores

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