SAÚDE E BEM-ESTAR

Para a saúde, será melhor trabalhar de pé ou sentado?

Durante anos, ouvimos dizer que “estar sentado é o novo fumar”. A frase parece resumir um problema muito real, mas também o simplifica muito. Se estar sentado fosse sempre a pior opção, bastaria ficarmos de pé para resolver o problema, o que não é verdade.

Para a saúde, será melhor trabalhar de pé ou sentado?


Para milhões de pessoas, trabalhar de pé não é uma alternativa saudável, mas sim uma exigência diária. Profissionais de saúde e da indústria, professores, vendedores, empregados de mesa e cabeleireiros passam inúmeras horas de pé – e isso também prejudica a saúde.

As perturbações musculoesqueléticas – que afetam as costas, o pescoço, os ombros, as pernas e os pés – são o problema de saúde ocupacional mais comum na Europa. Então, será melhor trabalhar de pé ou sentado?
Na verdade, o mais importante é o tempo que se passa em cada posição e a frequência com que as pessoas se movimentam ao longo do dia.

O corpo humano não reage bem a posturas estáticas prolongadas. Estar sentado durante longos períodos tende a causar problemas na região lombar, pescoço e ombros, já passar horas de pé está mais associado a fadiga, dor lombar e pressão excessiva nas pernas e pés. Estar de pé e sentado pode não causar a mesma dor, mas nenhuma das duas posições é inofensiva se mantida durante muito tempo.

Quando se pensa em dores relacionadas com o trabalho, pensa-se quase sempre nas costas, no entanto, o trabalho do corpo começa muito mais abaixo, nos pés.
O pé é a base mecânica sobre a qual tudo o resto se apoia: está em contacto com o solo, distribui a pressão e transmite forças para o tornozelo, joelho, anca e coluna. Se esta base trabalhar sem parar durante horas a fio, o resto do corpo também pode sofrer.

Num estudo recente com trabalhadores de linhas de montagem, um dia inteiro de trabalho de pé foi associado a alterações mensuráveis na postura e na distribuição da pressão na planta dos pés, assim como a um desconforto frequente na região lombar, nos joelhos e nos próprios pés.

Por outras palavras, nem todos os pés reagem da mesma forma às mesmas exigências do ambiente de trabalho, e esta diferença biomecânica pode contribuir para o aparecimento de desconforto. Assim sendo, será mais saudável variar a postura, incorporar o movimento e reduzir o tempo passado em posições estáticas.

Isto leva, por vezes, a procurar soluções inovadoras, como mesas com altura ajustável, cadeiras e palmilhas especialmente concebidas ou dispositivos como corretores de postura, almofadas ergonómicas e suportes lombares prontos a usar. Algumas destas ferramentas podem ajudar, mas nenhuma delas, por si só, compensa um dia de trabalho mal planeado.

As medidas preventivas que realmente funcionam incluem pausas curtas regulares, rotação de tarefas, ajustes na estação de trabalho, calçado adequado, exercício físico e uma rotina que permita a movimentação.
É essencial compreender que o corpo foi concebido para mudar, adaptar-se e mover-se. Se um trabalho nos obrigar a permanecer na mesma posição durante muito tempo, vai, certamente, dar origem a problemas.

Fonte: Tupam Editores

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