Fazer diferentes tipos de exercício prolonga esperança de vida
Um estudo conduzido por cientistas da China, Coreia do Sul e Estados Unidos permitiu concluir que alternar diferentes tipos de atividade física é a melhor forma de prolongar a esperança de vida.

Para investigar melhor estes potenciais efeitos, o estudo, cujos resultados foram publicados na revista BMJ Medicine, baseou-se em duas grandes análises de coorte com avaliações repetidas da atividade física ao longo de mais de 30 anos.
Estas análises incluíram o Nurses’ Health Study (com mais de 120.000 participantes do sexo feminino) e o Health Professionals Follow-Up Study (com mais de 50.000 participantes do sexo masculino).
Em ambos os casos, todos os participantes eram dos Estados Unidos e forneceram informações sobre as suas características, antecedentes clínicos e estilo de vida. Foram entrevistados novamente dois anos depois. As atividades mais frequentemente registadas foram a caminhada, a corrida, o ciclismo, a natação, o remo, a calistenia, o ténis e o squash, a partir de 1986.
Posteriormente, também foram recolhidas informações sobre outros exercícios de resistência, exercícios de menor intensidade e atividades diárias que exigiam algum esforço físico, como cortar a relva. O número de vezes que se subiam escadas ao longo do dia também foi um fator considerado.
Além disso, a equipa calculou o equivalente metabólico (MET) em repouso para cada tipo de atividade física, multiplicando o tempo médio (horas por semana) pelo seu valor de MET. Um MET equivale ao número de calorias que o corpo queima em repouso, ou seja, 3,5 mililitros de oxigénio por quilograma de peso corporal por minuto (ml/kg/min). Assim, quando uma atividade é considerada de intensidade 5 MET, significa que queima 5 vezes mais calorias do que em repouso.
No Nurses’ Health Study o número máximo de atividades físicas foi de 11, mas no Health Professionals Follow-Up Study este número subiu para 13. Em ambos os grupos, caminhar foi a atividade de lazer mais frequente, tendo os homens mais propensão para correr do que as mulheres.
As mulheres também apresentaram mais probabilidade de ter um estilo de vida saudável, com maior variedade de atividades e maior integração social. De salientar que, com exceção da natação, todas as atividades físicas individuais estiveram associadas a um menor risco de morte por qualquer causa.
Importa referir, contudo, que as associações não foram lineares. A associação para a atividade física total estabilizou após atingir as 20 horas MET, o que pode indicar um limiar ideal. Caminhar foi associado a uma redução de 17% no risco de morte; subir escadas, 10%; ténis, 15%; calistenia, 14%; musculação, 13%; e ciclismo, 4%.
De um modo geral, a variedade deste tipo de atividades foi associada a uma redução do risco de morte, especificamente a uma diminuição de 19%. Da mesma forma, o risco de morte por doenças cardiovasculares, cancro ou outras doenças respiratórias foi entre 13% e 41% mais baixo.