Tensão alta antes da gravidez influencia duração da amamentação
As mulheres com tensão alta antes da gravidez têm menor probabilidade de amamentar durante pelo menos três meses e maior probabilidade de interromper a amamentação precocemente, em comparação com mulheres sem hipertensão, sugere um novo estudo levado a cabo por investigadores da Faculdade de Medicina Osteopática Heritage da Universidade de Ohio.

O estudo, publicado na revista Breastfeeding Medicine, analisou dados de mais de 127.000 mulheres nos Estados Unidos, utilizando informações do Sistema de Monitorização de Avaliação de Risco na Gravidez (GRAMS, na sigla em inglês), recolhidas entre 2016 e 2022.
O objetivo dos especialistas era compreender melhor como a hipertensão pré-gestacional, ou seja, a pressão alta diagnosticada antes da gravidez, pode influenciar as práticas de amamentação.
Estudos anteriores já haviam demonstrado uma ligação entre hipertensão durante a gravidez e a amamentação, mas esta investigação é das primeiras a concentrar-se na condição antes da conceção. Para esse efeito, o estudo excluiu mulheres que desenvolveram hipertensão durante a gravidez.
Os resultados mostraram que cerca de 71% das mulheres no estudo amamentaram durante pelo menos três meses. No entanto, aquelas com hipertensão arterial antes da gravidez apresentaram uma probabilidade significativamente menor de atingir essa marca dos três meses. Cerca de 66% das mulheres com hipertensão pré-gestacional amamentaram durante pelo menos três meses, em comparação com quase 72% das mulheres sem a condição.
Mesmo após considerar outros fatores que podem afetar a amamentação, as mulheres com hipertensão arterial pré-gestacional ainda apresentaram menor probabilidade de amamentar durante três meses ou mais. Tinham ainda maior probabilidade de interromper a amamentação precocemente do que as mulheres sem hipertensão.
As descobertas sugerem que as condições de saúde preexistentes à gravidez podem ter um impacto real no sucesso da amamentação. Isso realça a importância de identificar e controlar a hipertensão arterial antes da gravidez, não apenas para melhorar os resultados da gestação, mas também para apoiar a amamentação.
Segundo os investigadores, ficou evidente a necessidade de um cuidado pré-conceção mais robusto, com foco na melhoria da saúde antes do início da gravidez. Ao identificar e tratar a hipertensão arterial precocemente, os profissionais de saúde podem ajudar mais mulheres a amamentar por mais tempo e melhorar os resultados de saúde para as mães e seus bebés.