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Internados por razões sociais ficam 100 dias à espera de alternativa

Os doentes internados por motivos sociais ficam, em média, quase 100 dias no hospital, um aumento superior a 40 por cento em relação ao ano anterior, segundo o barómetro de internamentos sociais. Incapacidade das famílias ou falta de respostas na comunidade são os principais motivos destes internamentos sociais.

Internados por razões sociais ficam 100 dias à espera de alternativa

Os dados da terceira edição do barómetro promovido pela Associação dos Administradores Hospitalares, a que a agência Lusa teve acesso, foram recolhidos no dia 18 de fevereiro em 33 unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde e mostram que os internamentos sociais ocupam cinco por cento das camas dos hospitais.

A demora média nacional dos internamentos inapropriados registada pelo barómetro era de 98,4 dias, mais 46 por cento em relação à edição do ano passado, que registava uma demora média de 67,4 dias.

“A demora média dos cerca de mil doentes em internamentos sociais atinge praticamente 100 dias, ou seja, teremos doentes que estão mais de três meses a aguardar uma resposta para poder sair do hospital”, refere à agência Lusa o presidente da Associação dos Administradores Hospitalares.

Alexandre Lourenço recorda que, sendo doentes que não precisam de estar internados, são um alvo de risco para as infeções hospitalares e para complicações decorrentes do seu internamento.

“Podíamos estar a dar melhor qualidade de cuidados fora dos hospitais, com menor risco. Mas mantemos a situação porque não há resposta da comunidade”, afirmou.

Por outro lado, a ocupação desnecessária de camas “tem impacto negativo nos tempos de espera para internamentos” e também nos serviços de urgência.

Falta de resposta ou capacidade da rede de cuidados continuados, incapacidade de famílias ou cuidadores e ainda a uma população mais envelhecida são os principais fatores que fazem permanecer este problema dos internamentos por motivos sociais.

Segundo o barómetro, o número de episódios destes internamentos é sobretudo caracterizado por pessoas com mais de 65 anos e que são inicialmente internadas por motivos médicos ou cirúrgicos.

Do total dos internamentos por motivos sociais, quase metade (44 por cento) são pessoas com mais de 80 ano e mais de um terço (36 por cento) estão entre os 65 e os 80 anos.

A proporção de doentes com mais de 80 anos tem vindo a subir ao longo dos três barómetros realizados nos últimos anos (2017, 2018 e 2018), enquanto a percentagem de pessoas entre 65 e os 80 anos se tem mantido sensivelmente igual. As mulheres predominam nos internamentos sociais, representando 58 por cento do total.

O barómetro da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares tem feito nos últimos três anos a recolha de dados num dia do mês de fevereiro, com o objetivo de ter dados quantitativos sobre o fenómeno dos internamentos sociais.

Fonte: Lusa

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