Cefotaxima

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI com Advertência na Insuficiência Renal DCI com Advertência na Condução
O que é
A Cefotaxima é um antibiótico cefalosporínico de terceira geração. Como outras cefalosporinas de terceira geração, tem uma atividade de largo espectro contra bactérias Gram positivas e Gram negativas.
Na maioria dos casos, é considerada como equivalente à Ceftriaxona em termos de segurança e eficácia.
Usos comuns
A Cefotaxima é usada para tratar vários tipos de infeções bacterianas, incluindo formas graves ou com risco de vida.

A Cefotaxima é também usada para prevenir infeções em pessoas sujeitas a cirurgia.
Tipo
Molécula pequena.
História
A cefotaxima foi descoberta em 1976 e entrou em uso comercial em 1980.
Está na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.
Indicações
A Cefotaxima destina-se ao tratamento de infeções graves causadas por agentes sensíveis.

Infeções:
– das vias respiratórias
– em ORL
– dos rins e das vias urinárias
– dos ossos, das articulações, dos tecidos moles e da pele
– dos órgãos genitais, incluindo gonorreia
– da região abdominal
Septicemia, endocardite bacteriana, meningite.

Profilaxia de infeção em doentes com defesas reduzidas e profilaxia peri-operatória em doentes com risco elevado de infeção.

A Cefotaxima é geralmente eficaz contra: Estafilococos, Estreptococos aeróbios e anaeróbios, Estreptococos pneumoniae, Neisseria spp., Haemophilus influenzae, Escherichia coli, Citrobacter spp., Salmonella spp., Klebsiella spp., Enterobacter aerogenes, Serratia spp., Proteus spp. indol-positivo e negativo, Yersinia enterocolítica, Clostridium spp., e Bacteróides spp.

Patogénios de sensibilidade variável são:
Estreptococos faecalis, Enterobacter cloacae, Pseudomonas aeruginosa e Bacteróides fragilis.

Não há ainda experiência clínica suficiente com infeções por Salmonella typhi e paratyphi A e B.

A Cefotaxima não é eficaz contra Treponema pallidum e Clostridium dificille.

Terapêutica de combinação:
Nas infeções que apresentam um perigo iminente de morte está indicada a terapêutica de combinação com aminoglicosídeos sem esperar pelo antibiograma.

A administração destes preparados deve ser feita em seringas separadas dado que a injeção simultânea na mesma seringa não é compatível.

Nas infeções por Pseudomonas aeruginosa, uma combinação com outros antibióticos eficazes contra a Pseudomonas, também pode estar indicada.
Classificação CFT

1.1.2.3 : Cefalosporinas de 3ª geração

Mecanismo De Acção
A atividade bactericida dos resultados da Cefotaxima da inibição da síntese da parede celular por meio de afinidade de proteínas de ligação à penicilina (PBPs).

A Cefotaxima mostra uma elevada afinidade para as proteínas de ligação à penicilina na parede da célula, incluindo o PBP Ib e PBP III.
Posologia Orientativa
Adultos e crianças com mais de 12 anos de idade, a dose é de 1 g de Cefotaxima de 12 em 12 horas.

Em casos de doses diárias mais elevadas, os intervalos devem ser reduzidos para 8 ou 6 horas. Em casos graves, a dose diária pode ser aumentada até 12 g/dia.

Para o tratamento da gonorreia, uma dose única de cefotaxima 0,5 g é administrada I.M.

Com bactérias menos sensíveis, pode ser necessário aumentar a dose.

A posologia para lactentes e crianças com idade inferior a 12 anos é de 50-100 mg/kg de peso corporal por dia, dividida em doses iguais administradas com intervalos de 6 a 12 horas.
Administração
A dose, o modo de administração e os intervalos das injeções, dependem do grau de infeção, da sensibilidade do agente infeccioso e do estado geral do doente.

Injeção intravenosa:
Dissolve-se a cefotaxima no solvente da embalagem e injecta-se lentamente durante 3-5 minutos.

Perfusão intravenosa:
A cefotaxima também pode ser administrada em perfusão gota-a-gota.
Para uma perfusão de curta duração, dissolvem-se 2 g de cefotaxima em 40 ml de água para injeção, em soro fisiológico ou em solução de Ringer, administrando-se durante cerca de 20 a 30 minutos.

Administração intramuscular:
Para aplicação intramuscular dissolve-se a cefotaxima em água para injeção.
A injeção deve ser feita profundamente na região do glúteo.

Administração intra-arterial:
2 g de cefotaxima são dissolvidos em 50 ml de uma solução volumosa e injetados na artéria femoral durante 45 minutos por meio de uma bomba de perfusão.
Contra-Indicações
Em doentes hipersensíveis às penicilinas ou outros antibióticos betalactâmicos, existe a possibilidade de hipersensibilidade cruzada.

Hipersensibilidade à lidocaína, se esta substância for usada como solvente na administração I.M.

A administração com lidocaína, está também contraindicada em doentes com perturbações da condução cardíaca ou com insuficiência cardíaca congestiva.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Hemograma: trombopenia, eosinofilia e leucopenia.

Tal como com outros antibióticos betalactâmicos, pode desenvolver-se granulocitopenia e, mais raramente, agranulocitose durante a terapêutica com cefotaxima, especialmente durante administração prolongada.
Assim, para tratamentos superiores a 10 dias, o hemograma deve ser controlado e a cefotaxima interrompida em caso de neutropenia.
Casos raros de anemia hemolítica foram descritos.

Função hepática:
Aumento das enzimas hepáticas séricas (p.ex. SGOT, SGPT, Gama-GT, fosfatase alcalina, LDH) e bilirubina.

Função renal:
É possível verificar-se um aumento transitório da creatinina e ureia séricas e, em casos raros, nefrite intersticial.

Tracto gastrointestinal:
Vómitos e náuseas, dor abdominal, diarreia.
A possibilidade de colite pseudomembranosa (na maioria dos casos, devido a Clostridium dificile) é de considerar em doentes em que ocorra diarreia grave e persistente durante o tratamento ou nas semanas seguintes. Em caso de suspeita, a administração da Cefotaxima deve ser interrompida imediatamente. Este tipo de colite exige tratamento adequado e apropriado por um Médico. Medicamentos inibidores do peristaltismo estão contraindicados.

Reações locais: irritação inflamatória e dor no local da injeção.

Reações de hipersensibilidade:
Podem ocorrer reações cutâneas alérgicas (p.ex.urticária, exantema), prurido, febre medicamentosa, nefrite intersticial (em casos raros) e anafilaxia. O choque anafiláctico é ameaçador da vida e exige a tomada de medidas de emergência. Tal como com outras cefalosporinas, podem ocorrer casos isolados de erupções flictenares (eritema multiforme, síndroma de Steven-Johson e necrólise tóxica epidérmica).
Também podem ocorrer reações de hipersensibilidade à lidocaína, quando esta é usada como solvente.

Outras reações:
Como com outros antibióticos, o uso de cefotaxima, sobretudo após administração prolongada, pode provocar um aumento de organismos não sensíveis, pelo que é essencial a avaliação repetida da situação clínica do doente. Se ocorrer uma infeção secundária durante o tratamento, devem ser tomadas medidas apropriadas.

A ocorrência de um ou mais dos sintomas seguintes foi descrita após várias semanas de tratamento da borreliose: exantema cutâneo, prurido, febre, leucopenia, aumento das enzimas hepáticas, dispneia, artralgia. Dentro de certa medida, estes sintomas condizem com os da doença subjacente que motivou o tratamento.

A administração de doses elevadas de antibióticos betalactâmicos, particularmente em doentes com insuficiência renal, pode resultar em encefalopatia (como p.ex., alterações da consciência, movimentos anormais e convulsões).
Durante o tratamento de infeções por espiroquetas pode ocorrer uma reação de Herxheimer caracterizada pela ocorrência ou agravamento de sintomas gerais, tais como febre, arrepios, cefaleias e dores articulares.

No caso da administração I.M. usando lidocaína como solvente, podem-se manifestar reações sistémicas à lidocaína como vómitos, tonturas, bradicardia, arritmias, sonolência, perda de consciência, convulsões e/ou choque, especialmente no caso de injeção intravenosa por inadvertência, injeção em tecidos altamente vascularizados ou no caso de sobredosagem.

Alguns efeitos adversos medicamentosos (p.ex.colite pseudomembranosa, anafilaxia, algumas alterações do hemograma) podem nalguns casos serem ameaçadores da vida.
Advertências
Insuf. Renal
Insuf. Renal
Insuf. Renal:Dose inicial – 1 g; reduzir dose em 50% ou prolongar intervalo de administração para 8 a 24 horas na IR moderada a grave.
Gravidez
Gravidez
Gravidez:A utilização de Cefotaxima pode ser considerada durante a gravidez, se necessário.
Aleitamento
Aleitamento
Aleitamento:É necessária precaução quando se administra Cefotaxima a mulheres lactantes.
Condução
Condução
Condução:Elevadas doses de cefotaxima, particularmente em doentes com insuficiência renal, podem causar encefalopatia (por exemplo, comprometimento da consciência, movimentos anormais e convulsões). Os doentes devem ser aconselhados a não conduzir ou utilizar máquinas se algum desses sintomas se manifestar.
Precauções Gerais
Em caso de combinação com aminoglicosídeos, a função renal deve ser controlada.
A Cefotaxima não é compatível com soluções de bicarbonato de sódio, nem deve ser misturado com outros antibióticos na mesma seringa ou perfusão.

O conteúdo em sódio da Cefotaxima (2,09 mmol/g de cefotaxima) deve ser tomado em consideração.
Cuidados com a Dieta
Os alimentos e bebidas não afetam a eficácia terapêutica do medicamento, dado que este é administrado por via parentérica.
Resposta à overdose
Procurar atendimento médico de emergência, ou ligar para o Centro de Intoxicações.

Aos primeiros sinais de choque (suores, náusea, cianose) interromper de imediato a injeção (deixando a agulha na veia), colocar o doente com a cabeça baixa e permitir a livre respiração.

Tratamento medicamentoso:
– diluir 1 ml duma solução de adrenalina 1:1000 em 10 ml e injetar lentamente 1 ml (correspondente a 0,1 mg de adrenalina) desta solução controlando o pulso e a tensão, observando em especial a ocorrência de eventuais arritmias. Pode repetir-se a administração de adrenalina se necessário. Corrigir a hipovolemia pelos meios disponíveis, p.ex., com expansores do plasma, albumina humana, soluções electrolíticas.
Injetar em seguida um glucocorticóide por via intravenosa (por ex. 250-1000 mg de metilprednisolona), repetindo se necessário.

Adaptar as doses acima referidas para crianças, de acordo com o peso corporal.
Outras medidas terapêuticas: p.ex., respiração artificial, oxigénio e anti-histamínicos.
Terapêutica Interrompida
Não tome uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de tomar.
Cuidados no Armazenamento
Manter fora do alcance e da vista das crianças.

Conservar a temperatura inferior a 25ºC. Proteger da luz.
Espectro de susceptibilidade e Tolerância Bacteriológica
Activa contra grande parte dos cocos Gram-positivos, exceto Staphylococcus aureus resistentes à oxacilina e Enterococcus sp. Tem boa actividade contra Gram-negativos (Escherichia coli, Klebsiella sp., Proteus sp., Haemophilus influenzae, Neisseria sp., Shigella sp., Moraxella sp.), Citrobacter sp., Enterobacter sp., Serratia sp. e Providencia sp. podem desenvolver resistência durante o tratamento.

A maioria das cepas de Acinetobacter sp. e Pseudomonas aeruginosa é resistente.

Não possui actividade contra microorganismos anaeróbios e bacilos Gram-positivos, como Listeria.
Usar com precaução

Cefotaxima Probenecida

Observações: n.d.
Interacções: O probenecide concorre com a cefotaxima na secreção tubular renal, facto que prolonga e eleva as concentrações plasmáticas de cefotaxima e do seu metabólito desacetilado. - Probenecida
Usar com precaução

Cefotaxima Aminoglicosídeos

Observações: n.d.
Interacções: A administração concomitante de cefotaxima e aminoglicosídeos pode aumentar o risco de nefrotoxicidade. - Aminoglicosídeos
Usar com precaução

Cefotaxima Testes Laboratoriais/Diagnóstico/Teste ergométrico

Observações: n.d.
Interacções: Do mesmo modo ao que sucede com outras cefalosporinas, a cefotaxima pode dar positivo no teste de Coombs direto. A determinação de glicose na urina por métodos de redução pode dar falsos positivos. O mesmo não se verifica quando são utilizados testes específicos baseados em enzimas (métodos com glucose-oxidase). - Testes Laboratoriais/Diagnóstico/Teste ergométrico
Usar com precaução

Cefotaxima Diuréticos

Observações: n.d.
Interacções: A administração concomitante de doses elevadas de cefotaxima e diuréticos potentes pode produzir alterações na função renal. - Diuréticos
Identificação dos símbolos utilizados na descrição das Interacções da Cefotaxima
Informe o seu Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica (OTC), Produtos de Saúde, Suplementos Alimentares ou Fitoterapêuticos.

A Cefotaxima atravessa a barreira placentária.
Não foi estabelecida a segurança durante a gravidez humana. Os estudos em animais não indicam efeitos nefastos directos ou indirectos no que respeita à toxicidade reprodutiva.
A utilização de Cefotaxima pode ser considerada durante a gravidez, se necessário.

A Cefotaxima é excretada em baixas concentrações no leite humano. É necessária precaução quando se administra Cefotaxima a mulheres lactantes. Pode ocorrer diarreia e infeção fúngica da membrana mucosa em lactentes e também pode levar à sensibilização, pelo que o aleitamento pode ter de ser interrompido.
Assim, tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com Cefotaxima tendo em conta a relação entre o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.

Os efeitos de Cefotaxima sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos.
Elevadas doses de cefotaxima, particularmente em doentes com insuficiência renal, podem causar encefalopatia (por exemplo, comprometimento da consciência, movimentos anormais e convulsões). Os doentes devem ser aconselhados a não conduzir ou utilizar máquinas se algum desses sintomas se manifestar.
Informação revista e actualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 24 de Março de 2026