Contacto com a natureza desencadeia mudanças no cérebro
Passar tempo na natureza, mesmo que brevemente, desencadeia mudanças no cérebro que acalmam o stress, restauram a atenção e tranquilizam a mente, segundo um novo estudo levado a cabo por investigadores da Universidade McGill e colegas da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile.

A exposição à natureza compreende o tempo passado em parques ou perto da água até à imersão completa em florestas ou cascatas. Também inclui o tempo que se passa a cultivar plantas em casa ou a observar fotos da natureza.
De acordo com Mar Estarellas, coautora principal do estudo, apenas três minutos num ambiente natural podem levar a mudanças mensuráveis, mas experiências mais imersivas e no mundo real, e uma exposição mais longa, estão geralmente associadas a efeitos mais fortes e duradouros.
Para a investigação, a equipa de especialistas examinou mais de 100 estudos de neuroimagiologia de diversas disciplinas.
As descobertas, publicadas na revista Neuroscience & Biobehavioral Reviews, reforçam o campo da ligação com a natureza, que procura compreender melhor como os seres humanos se relacionam com o mundo natural – uma experiência há muito reconhecida em diversas culturas como fundamental para o bem-estar.
Ao sintetizar resultados de vários estudos, os investigadores identificaram o que chamam de padrão em cascata na forma como o cérebro responde à natureza.
Assim, observaram-se mudanças no processamento sensorial. Os padrões fractais na natureza são mais fáceis de processar para o cérebro e exigem menos esforço mental do que os estímulos rápidos e visualmente densos encontrados nas cidades ou online.
Os sistemas de stress acalmam: à medida que a carga sensorial diminui, o corpo sai do modo de luta ou fuga. A frequência cardíaca diminui, a respiração aprofunda-se e as regiões do cérebro envolvidas na deteção de ameaças, como a amígdala, apresentam uma atividade reduzida.
A atenção restabelece-se. Com a redução do stress, a atenção focada nas tarefas, utilizada no dia-a-dia, dá lugar a um modo de atenção mais reparador, orientado pelo ambiente.
A ruminação mental sossega. As redes cerebrais ligadas ao pensamento repetitivo e egocêntrico tornam-se menos ativas, promovendo uma sensação de calma.
Para Estarellas, as descobertas sugerem que a natureza permite um tipo de reset mental que uma desintoxicação digital – tão necessária hoje em dia, devido ao tempo excessivo passado em frente aos ecrãs –, por si só, não consegue proporcionar.
A investigação mostra ainda que as pessoas que se sentem mais ligadas à natureza tendem a apresentar comportamentos mais pró-ambientais. Cuidar da natureza e cuidar de nós não são coisas separadas, reforçam-se mutuamente.