Clindamicina

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI com Advertência na Insuficiência Hepática DCI com Advertência na Condução
O que é
A clindamicina é um antibiótico usado para o tratamento de várias infeções bacterianas, incluindo infeções ósseas ou articulares, doença inflamatória pélvica, faringite estreptocócica, pneumonia, infeções do ouvido médio e endocardite.
Também pode ser usado para tratar acne, e alguns casos de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA).
Em combinação com quinino, pode ser usado para malária.
Usos comuns
Tratamento de infeções graves causadas por bactérias específicas.
Tipo
Molécula pequena.
Indicações
Clindamicina está indicado no tratamento de doentes com infeções graves causadas por bactérias suceptíveis a clindamicina, tais como:

Infecções causadas por bactérias Gram-positivo em doentes alérgicos à penicilina e como um tratamento alternativo quando os antibióticos beta-lactâmicos não são adequados;
Infecções causadas por bactérias anaeróbicas.

As infeções incluem:
Infecções das vias respiratórias superiores incluindo amigdalite, faringite, sinusite e otite média.
Infecções das vias respiratórias inferiores incluindo pneumonia, empiema e abcesso pulmonar.
Infecções da pele e tecidos moles, incluindo celulite, erisipela, abcesso e ferida infectada.
Infecções ósseas ou articulares incluindo osteomielite e artrite séptica.
Infecções ginecológicas incluindo endometrite, abcesso tubo-ovárico, salpingite e doença inflamatória pélvica.
Infecções intra-abdominais incluindo peritonite e abcesso abdominal.
Infecções dentárias, como abcesso peridentário e periodontite.

Devem ser tomadas em consideração as orientações oficiais sobre o uso apropriado de agentes antibacterianos.
Classificação CFT

1.1.11 : Outros antibacterianos

7.1.2 : Anti-infeciosos

13.1.2 : Antibacterianos

13.4.2.1 : De aplicação tópica

Mecanismo de ação
A clindamicina é um antibiótico lincosamida com atividade bacteriostática contra as bactérias aeróbias Gram-Positivas e um largo espectro de bactérias anaeróbias.
As lincosamidas, como a clindamicina, ligam-se à subunidade 23S do ribossoma bacteriano e inibem as fases iniciais da síntese proteica.
A ação da clindamicina é predominantemente bacteriostática embora em altas concentrações possa ter um ligeiro poder bactericida sobre as estirpes sensíveis.
Embora o fosfato de clindamicina seja inativo in vitro, a sua rápida hidrólise in vivo converte-o no composto antibacteriano ativo, clindamicina.
A atividade da clindamicina foi demonstrada clinicamente em comedões de doentes com acne, em concentrações suficientes para ser ativa contra a maioria das estirpes de Propionibacterium acnes.
A clindamicina in vitro inibe todas as culturas testadas de Propionibacterium acnes (CMI 0,4 mcg/ml).
Após aplicação de clindamicina houve uma diminuição dos ácidos gordos livres da superfície cutânea de aproximadamente 14% para 2%.
Posologia orientativa
VIA injectáveL:
A posologia e modo de administração devem ser determinados com base na gravidade da infeção, sensibilidade dos organismos causadores e estado do paciente. A terapêutica pode ser iniciada antes de os resultados dos testes de sensibilidade serem conhecidos.

Adultos e crianças com idade superior a 12 anos:
Injeção intramuscular: 300 mg x 3 ao dia
Perfusão intravenosa: 600 mg x 3 ao dia
A injeção intramuscular está indicada quando, por algum motivo, a perfusão intravenosa não é possível.

Para as infeções graves, as doses podem ser aumentadas e administradas 2 a 4 vezes por dia.

Não se recomendam injeções intramusculares únicas superiores a 600 mg.

A dose diária máxima administrada como injeção intramuscular é de 2400 mg (600 mg x 4).

Não se recomenda a administração de mais de 1200 mg numa única perfusão intravenosa e a perfusão não deve exceder uma hora.

A dose diária máxima administrada como perfusão intravenosa é de 4800 mg (1200 mg x 4).

Nos casos de infeções por Streptococcus pyogenes (um estreptococo beta-hemolítico), o tratamento com clindamicina deve ser mantido durante pelo menos 10 dias de modo a diminuir a probabilidade de ocorrência subsequente de febre reumática ou glomerulonefrite.

Crianças (das 4 semanas aos 12 anos de idade):
Em função do local e do grau de gravidade da infeção, 20 a 40 mg de clindamicina por kg de peso corporal por dia em 3 a 4 doses únicas.
Cada dose deve ser administrada como uma perfusão intravenosa.
A injeção intramuscular só deve ser utilizada quando a perfusão intravenosa não é, por algum motivo, possível.
Neste caso, a dose não deve exceder 25 mg/kg por dia.


VIA CUTÂNEA:
Aplicar 1 a 2 vezes por dia, uma camada fina de Clindamicina sobre a área afetada.


VIA ORAL:
Adultos e adolescentes: consoante a gravidade da infeção, 150 a 450 mg de 6 em 6 horas.
Crianças com idade igual ou superior a seis anos: consoante a gravidade da infeção, 2 a 6,3 mg/Kg de 6 em 6 horas ou 2,7 a 8,3 mg/Kg de 8 em 8 horas.

Tratamento da malária não complicada causada por Plasmodium falciparum
20mg/kg de 8 em 8 horas (em associação com quinino).

Tratamento da babesiose
600 mg de 8 em 8 horas (em associação com quinino)

Tratamento da pneumonia por Pneumocystis jirovecii
300 mg a 450 mg de 6 em 6 horas (em associação com primaquina)

Tratamento da toxoplasmose do sistema nervoso central
450 mg a 600 mg de 6 em 6 horas (em associação com pirimetamina e ácido folínico)

Profilaxia:

Profilaxia da endocardite
Adultos e adolescentes: 600 mg, 1 hora antes de um procedimento

Crianças com idade igual ou superior a seis anos: 15 mg/kg, 1 hora antes de um procedimento.
Profilaxia secundária da toxoplasmose do sistema nervoso central 450 mg a 600 mg de 6 em 6 horas (em associação com pirimetamina e ácido folínico)


VIA VAGINAL:
A dose recomendada consiste numa aplicação vaginal, de preferência ao deitar e durante 7 dias consecutivos, de cerca de 5 gramas de creme (= 1 aplicador cheio), o que corresponde a 100 mg de clindamicina.
Para ajudar a resolver a infeção, é importante que utilize o medicamento durante o período de tratamento recomendado, mesmo que os sintomas desapareçam ao fim de alguns dias.
Administração
Vias Oral, IM, IV, Cutâneo, Vaginal.
Contraindicações
Clindamicina está contraindicado em pacientes previamente considerados hipersensíveis à clindamicina ou à lincomicina (existe paralelismo).
Clindamicina não deve ser administrado a bebés prematuros ou recém-nascidos.
Efeitos indesejáveis/adversos
Doenças do sangue e sistema linfático:
Pouco frequentes: Efeitos reversíveis no hemograma, que poderão ser de origem alérgica ou tóxica, expressos sob a forma de trombocitopenia (diminuição do número de plaquetas no sangue), leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos no sangue), eosinofilia (aumento da concentração de eosinófilos no sangue), neutropenia (diminuição do número de glóbulos brancos neutrófilos) e agranulocitose (diminuição grave do nível de glóbulos brancos, caracterizada por febres altas repentinas, dores de garganta e úlceras na boca).

Doenças do sistema imunitário
Raros: reações anafilácticas (reações alérgicas graves)

Doenças do sistema nervoso
Pouco frequentes: atividade bloqueadora neuromuscular
Desconhecidos: alterações do paladar e olfacto, cefaleias (dor de cabeça), sonolência, vertigens/tonturas

Doenças gastrointestinais
Frequentes: dores abdominais, diarreias persistentes, náuseas (enjoos), vómitos, irritação aparelho digestivo
Raros: esofagite (inflamação do esófago).

Doenças hepatobiliares
Raros: icterícia (coloração amarela mais ou menos intensa da pele) e provas de função hepática anormais (níveis das enzimas produzidas pelo fígado)

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos
Pouco frequentes: prurido, erupções cutâneas, urticária.
Raros: podem ocorrer casos de dermatite esfoliativa (inflamação da pele) e erupções vesículo-bolhosas

Afeções músculosqueléticas e do tecido conjuntivo
Raros: poliartrites (inflamação das articulações)

Doenças dos órgãos genitais e da mama
Frequentes: vaginite (inflamação da vagina)
Advertências
Gravidez
Gravidez:
Gravidez:A utilização de Clindamicina pode ser considerada durante a gravidez, se necessário.
Aleitamento
Aleitamento:
Aleitamento:Tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com Clindamicina tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.
Insuf. Hepática
Insuf. Hepática:
Insuf. Hepática:Reduzir a dose.
Condução
Condução:
Condução:Alguns efeitos indesejáveis podem afectar o poder de concentração e tempo de reacção afectando a capacidade de conduzir e utilizar máquinas.
Precauções gerais
Clindamicina deve ser utilizado com precaução em pacientes com antecedentes de distúrbios gastrointestinais, sobretudo colite, em pacientes com insuficiência hepática e renal, em pacientes com distúrbios da transmissão neuromuscular (como miastenia gravis e doença de Parkinson) e em pacientes com uma doença atópica.

É necessário realizar hemogramas e monitorizar as enzimas hepáticas durante a terapêutica a longo prazo.

No tratamento de infeções abdominais e ginecológicas, a clindamicina deve ser utilizada em associação com antibióticos eficazes contra as bactérias Gram-negativo.

A aplicação a longo prazo e repetida de clindamicina pode levar a uma superinfecção e/ou colonizacção com agentes patogénicos ou leveduras resistentes na pele e nas membranas mucosas.

Alergia: Em determinadas circunstâncias, a terapêutica com clindamicina pode constituir uma forma alternativa de tratamento nos pacientes com alergia à penicilina (hipersensibilidade à penicilina).

Não existe qualquer relato de alergia cruzada entre a clindamicina e a penicilina e, com base nas diferenças estruturais entre as substâncias, ela não é de esperar.

Contudo, foram relatados casos individuais de anafilaxia (hipersensibilidade) à clindamicina em pessoas com uma alergia já existente à penicilina.

Isto deve ser tomado em linha de conta no decurso de um tratamento com clindamicina em pacientes com alergia à penicilina.

Além disso, reações alérgicas agudas graves como, por exemplo, choque anafiláctico ocorrem muito raramente.

Em alguns casos, esta reação surge após a primeira aplicação.

Nesta eventualidade, o tratamento com clindamicina deve ser suspenso de imediato e devem ser implementadas medidas de emergência padrão adequadas.

Colite: A terapêutica com clindamicina foi associada à colite grave, que pode ser fatal.

Foram também relatados alguns casos graves e persistentes de diarreia durante o tratamento com a clindamicina ou depois deste.

Por vezes, foi detetada a presença de sangue e muco nas fezes em ligação com a diarreia e a colite aguda resultou, por vezes, da ocorrência de diarreia.

Devem ser tomadas precauções aquando da prescrição de clindamicina a um paciente com tendência para doenças gastrointestinais, especialmente colite.

São de evitar os fármacos que causam bloqueio intestinal.

A causa mais frequentemente avançada é um sobrecrescimento da toxina produtora de Clostridium difficile em resultado da afetacção da flora intestinal pela clindamicina.

No caso da ocorrência de diarreia intensa durante a terapêutica, a administração de clindamicina deve ser suspendida de imediato e devem aplicar-se as medidas apropriadas de diagnóstico e terapêuticas

CREME VAGINAL:
A utilização de um medicamento inadequado ou de forma indevida pode provocar complicações. Por isso, nunca o deve utilizar para o tratamento de outras doenças ou de outras pessoas sem consultar previamente o médico.

No caso de aparecimento, durante ou após a utilização do creme vaginal de clindamicina, de uma infeção vaginal provocada por fungos, deverá comunicar a situação ao médico.

A administração de antibióticos, incluindo a clindamicina, está associada ao aparecimento de diarreia e, algumas vezes, de colite. No caso de sentir dor abdominal ou tiver diarreia, durante a utilização deste medicamento, deve comunicar ao médico.

Não se aconselha manter relações sexuais nem a utilização de outros produtos vaginais (tais como tampões e duches) durante o tratamento com o creme vaginal de clindamicina.

O creme vaginal de clindamicina contém componentes que podem enfraquecer produtos contendo látex ou borracha, como preservativos ou diafragmas. Assim, não é recomendável o uso destes produtos durante o tratamento com o creme vaginal de clindamicina.
Cuidados com a dieta
Não interfere com alimentos e bebidas.
Resposta à overdose
Procurar atendimento médico de emergência, ou ligue para o Centro de intoxicações.

Ainda não foram observados sintomas de sobredosagem.

A hemodiálise e a diálise peritoneal são ineficazes.

Não existe um antídoto específico conhecido.
Terapêutica interrompida
Não tome uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de usar.
Cuidados no armazenamento
Conservar a temperatura inferior a 25ºC.
Conservar em local fresco e seco.
Não refrigerar ou congelar.

Mantenha todos os medicamentos fora do alcance de crianças e animais de estimação.

Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao médico, enfermeiro ou farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.
Espectro de susceptibilidade e tolerância bacteriológica
Activa contra cocos Gram-positivos, exceto contra Staphylococcus resistentes à oxacilina e Enterococcus sp. ativa contra a maioria dos anaeróbios (Gram-positivos ou negativos), incluindo Peptococcus sp., Peptostreptococcus sp., Propionibacterium sp., Clostridium perfringens e fusobactérias. A resistência do Bacteróides fragilis tem aumentado. Clostridium difficile e Clostridium ramosum são resistentes. Também inibe Toxoplasma gondii, Plasmodium falciparum, Plasmodium microti, Babesia sp., Actinomyces israeli, Pneumocystis carinii e Nocardia asteróides.
Sem efeito descrito

Adapaleno + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: Os tratamentos tópicos antiacne, como por exemplo as soluções de fosfato de clindamicina (1% como base) pode ser aplicado de manhã, sendo o adapaleno creme aplicado à noite, dado que não há degradação mútua ou irritação cumulativa. - Clindamicina
Não recomendado/Evitar

Clindamicina + Eritromicina

Observações: n.d.
Interacções: Foi demonstrado haver antagonismo in vitro entre a clindamicina e a eritromicina; considerando a possibilidade de este facto apresentar significado clínico, não se devem administrar os dois fármacos concomitantemente. - Eritromicina
Usar com precaução

Eritromicina + Isotretinoína + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: In vitro, a clindamicina e a eritromicina mostraram ser antagonistas. Não existem dados clínicos disponíveis. - Clindamicina
Sem efeito descrito

Aztreonam + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: Os estudos farmacocinéticos de dose única não mostraram qualquer interação significativa entre o aztreonam e clindamicina. - Clindamicina
Usar com precaução

Neostigmina + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: Fármacos capazes de induzir bloqueio neuromuscular (aminoglicosidos, clindamicina, colistina, ciclopropano e anestésicos halogenados inalados) podem antagonizar os efeitos da neostigmina. - Clindamicina
Sem efeito descrito

Telavancina + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: Com base nas suas propriedades farmacocinéticas, não é esperada interação com outros beta-lactâmicos, clindamicina, metronidazol ou fluoroquinolonas. - Clindamicina
Usar com precaução

Lincomicina + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: Tem sido demonstrada a existência de resistência cruzada entre clindamicina e lincomicina. - Clindamicina
Usar com precaução

Clindamicina + Bloqueadores neuromusculares

Observações: n.d.
Interacções: A clindamicina apresenta propriedades bloqueantes neuromusculares reforçando a ação de outros bloqueadores neuromusculares. Deverá por esta razão, ser utilizada com precaução em doentes medicados com os fármacos em questão. - Bloqueadores neuromusculares
Usar com precaução

Clindamicina + Antagonistas da vitamina K

Observações: n.d.
Interacções: Aumento dos valores de referência dos testes de coagulação (TP/INR) e/ou hemorragia têm sido relatados em doentes tratados com clindamicina em combinação com um antagonista da vitamina K (ex. varfarina, acenocumarol, fluindiona). Por conseguinte, a monitorização frequente dos testes de coagulacção (TP/INR) deverá ser efectuada em doentes tratados com antagonistas da vitamina K. - Antagonistas da vitamina K
Usar com precaução

Doxofilina + Clindamicina

Observações: n.d.
Interacções: A terapia concomitante com clindamicina pode diminuir a depuração hepática das xantinas, causando aumento dos níveis sanguíneos. - Clindamicina
Identificação dos símbolos utilizados na descrição das Interacções da Clindamicina
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 24 de Março de 2026