Idarrubicina

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI com Advertência na Insuficiência Hepática DCI com Advertência na Insuficiência Renal Uso Hospitalar DCI/Medicamento Sujeito a Receita Médica (a ausência deste simbolo pressupõe Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
O que é
Antineoplásico (antraciclina) administrado oralmente.

O composto mostrou atividade contra o cancro da mama, linfomas e leucemias, bem como o potencial para toxicidade cardíaca reduzida.
Usos comuns
Idarrubicina pertence ao grupo geral de medicamentos conhecidos como antineoplásicos.

É usado para tratar alguns tipos de cancro, incluindo leucemia.

Idarrubicina parece interferir com o crescimento de células cancerosas, que estão eventualmente destruídas.

Uma vez que o crescimento das células normais do corpo podem também ser afetadas pela idarrubicina, poderão ocorrer outros efeitos.

Alguns deles podem ser graves e devem ser relatados ao seu médico.

Outros efeitos, como a perda de cabelo, podem não ser graves mas podem causar preocupação.

Alguns efeitos podem não ocorrer durante meses ou anos após a administração do medicamento.

Antes de começar o tratamento com idarrubicina, o médico deve falar com o paciente sobre os benefícios e riscos do uso de idarrubicina.

Idarrubicina deve ser administrada apenas por ou sob a supervisão médica.
Tipo
pequena molécula
História
Sem informação.
Indicações
Agente antimitótico e citotóxico.

- Leucemia aguda não linfocítica em adultos, para indução da remissão como terapêutica de primeira linha ou para indução da remissão em doentes em recaída ou resistentes.

- Leucemia linfocítica aguda como segunda linha de tratamento em adultos e crianças.
Classificação CFT
16.01.06     Citotóxicos que se intercalam no ADN
Mecanismo De Ação
A idarrubicina é um agente intercalar do ADN que interatua com a topoisomerase II e tem um efeito inibidor na síntese do ácido nucleico.

A modificação na posição 4 da estrutura da antraciclina confere ao composto uma alta lipofilia a qual resulta num aumento da taxa de concentração celular, comparativamente à doxorrubicina e à daunorrubicina.

A idarrubicina tem demonstrado possuir uma maior potência quando comparada à daunorrubicina e ser um agente efetivo contra a leucemia murínica e linfomas, tanto por via IV como por via oral.

Estudos in vitro em células humanas e murínicas resistentes às antraciclinas, têm demonstrado um menor grau de resistência cruzada para a idarrubicina, relativamente à doxorrubicina e daunorrubicina.

Estudos de cardiotoxicidade em animais têm indicado que a idarrubicina possui um melhor índice terapêutico que a daunorrubicina e doxorrubicina.

O seu metabolito principal, o idarrubicinol, tem mostrado, in vitro e in vivo, uma atividade antitumoral em modelos experimentais.

No rato, o idarrubicinol administrado nas mesmas doses que o fármaco inicial é claramente menos cardiotóxico do que a idarrubicina.
Posologia Orientativa
Injetável:

A dosagem é normalmente calculada tendo em atenção a superfície corporal (mg/m2).

A via de administração é intravenosa.

Leucemia não-linfocítica aguda:

Na leucemia não-linfocítica aguda do adulto a dose sugerida é 12 mg/m2 IV diariamente durante 3 dias em combinação com citarabina.

Um outro esquema de dose que pode ser usado na leucemia não-linfocítica aguda, como agente único ou em combinação, é 8 mg/m2 IV diariamente durante 5 dias.

Leucemia linfocítica aguda:

Como agente único na leucemia linfocítica aguda a dose sugerida nos adultos é 12 mg/m2 IV diariamente durante 3 dias e nas crianças é 10 mg/m2 IV diariamente durante 3 dias.

Oral: A dosagem é geralmente calculada com base na área de superfície corporal (mg/m2).

No adulto com leucemia não-linfocítica aguda a dose recomendada é de 30 mg/m2 por via oral, administrada diariamente durante 3 dias como agente único, ou entre 15 e 30 mg/m2 diariamente por via oral durante 3 dias em combinação com outros fármacos citotóxicos.

Na neoplasia da mama em estadio avançado, a dose recomendada, como agente único, é de 45 mg/m2 por via oral, administrado num único dia, ou dividida em 3 dias consecutivos (15 mg/m2/dia), sendo repetida cada 3 ou 4 semanas, com base na recuperação hematológica.

Poder-se-á administrar uma dose de 35 mg/m2 por via oral num único dia, em combinação com outros agentes citotóxicos.
Administração
Injetável:

A administração intravenosa de idarrubicina deve ser realizada com cuidado.

Recomenda-se que a idarrubicina seja administrada através de um tubo onde corra livremente uma perfusão intravenosa de cloreto de sódio a 0,9%, durante um período de 5 a 10 minutos.

Esta técnica minimiza os riscos de trombose ou extravasamento perivenoso que pode levar a celulite grave, vesicação e necrose tecidular.

Não se recomenda a injeção direta, devido ao risco de extravasamento, que pode ocorrer mesmo havendo retorno de sangue adequado por aspiração através da agulha.

Oral:

As cápsulas devem ser engolidas inteiras e com água, não devendo ser chupadas, mordidas ou mastigadas.

As cápsulas podem também ser ingeridas com uma refeição ligeira.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à substância ativa
- Hipersensibilidade a outras antraciclinas ou antracenedionas
- Compromisso hepático grave
- Compromisso renal grave
- Cardiomiopatia grave
- Enfarte agudo do miocárdio recente
- Arritmias graves
- Mielossupressão persistente
- Tratamento anterior com doses cumulativas máximas de idarrubicina e/ou outras antraciclinas e antracenedionas
- A amamentação deverá ser suspensa durante a terapêutica com este fármaco
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Infeções e infestações:
Muito frequentes: infeções.
Pouco frequentes: sépsis, septicemia.

Neoplasias benignas, malignas e não especificadas (inlcuindo quistos e pólipos):
Pouco frequentes: leucemia secundária (leucemia mieloide aguda e síndrome mielodisplásica).

Doenças do sangue e do sistema linfático:
Muito frequentes: Anemia, leucopenia e neutropenia graves, trombocitopenia.
Desconhecido: Pancitopenia.

Doenças do sistema imunitário:
Muito raros: Anafilaxia.

Doenças endócrinas:
Muito frequentes: Anorexia.
Pouco frequentes: Desidratação.

Doenças do metabolismo e da nutrição:
Pouco frequentes: Hiperuricemia.
Desconhecido: Síndrome de Lise Tumoral.

Doenças do sistema nervoso:
Raros: Hemorragias cerebrais.

Cardiopatias:
Frequentes: Bradicardia, taquicardia sinusal, taquiarritmia, diminuição assintomática da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, insuficiência cardíaca congestiva

Cardiomiopatias:
Pouco frequentes: Anomalias no ECG (por ex., alterações não específicas no segmento ST), enfarte agudo do miocárdio.
Muito raros: Pericardite, miocardite, bloqueios auriculo-ventriculares e de ramo.

Vasculopatias:
Frequentes: Hemorragias, flebite local, tromboflebite.
Pouco frequentes: Choque.
Muito raros: Tromboembolismo, vermelhidão.

Doenças gastrointestinais:
Muito frequentes: Náuseas, vómitos, mucosite/estomatite, diarreia, dor abdominal ou sensação de queimadura.
Frequentes: Hemorragia do trato gastrointestinal, dor abdominal.
Pouco frequentes: Esofagite, colite (incluindo enterocolite grave/enterocolite neutropénica com perfuração).
Muito raros: Erosões ou ulcerações gástricas.

Afeções hepatobiliares:
Frequentes: Aumento das enzimas hepáticas e da bilirrubina.

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos:
Muito frequentes: Alopecia.
Frequentes: Erupção cutânea, prurido, hipersensibilidade da pele irradiada ("reação de retirada da radiação").
Pouco frequentes: Hiperpigmentação da pele e unhas, urticária, celulite (pode ser grave), necrose tecidular.
Muito raros: Eritema acral.
Desconhecido: Reação local.

Doenças renais e urinárias:
Muito frequentes: Coloração avermelhada da urina 1-2 dias após tratamento.

Perturbações gerais e alterações no local de administração:
Muito frequentes: Febre, cefaleias, arrepios.

Sistema hematopoiético: A mielossupressão grave é o efeito adverso mais grave associado à terapêutica com idarrubicina.

No entanto, este efeito é necessário para erradicar as células leucémicas (ver secção 4.4).

Cardiotoxicidade: A insuficiência cardíaca congestiva com risco de morte é a forma mais grave de cardiomiopatia induzida pela antraciclina e representa a toxicidade cumulativa limitante da dose do fármaco (ver secção 4.4).

Descrição de reações adversas selecionadas:
Gastrointestinal: Estomatite e, em casos graves, ulceração da mucosa, desidratação causada por diarreia e vómitos graves; risco de perfuração do cólon, entre outros.

Local de administração: Flebite/tromboflebite, infiltrados perivenosos não intencionais podem provocar dor, celulite grave e necrose dos tecidos.

Outras reações adversas: hiperuricemia.

A prevenção dos sintomas através da hidratação, alcalinização da urina e profilaxia com alopurinol pode minimizar complicações potenciais da síndrome de lise tumoral.
Advertências
Insuf. Hepática
Insuf. Hepática:Reduzir a dose em função da bilirrubina.
Insuf. Renal
Insuf. Renal:Reduzir dose.
Gravidez
Gravidez:Todos os trimestres: D - Há evidências de risco em fetos humanos. Só usar se o benefício justificar o risco potencial. Em situação de risco de vida ou em caso de doenças graves para as quais não se possa utilizar drogas mais seguras, ou se estas drogas não forem eficazes.
Aleitamento
Aleitamento:As mulheres a amamentar deverão suspender o aleitamento durante o tratamento com cloridrato de idarrubicina.
Precauções Gerais
- se tem alterações da função cardíaca.

A função cardíaca deve ser avaliada antes de se iniciar o tratamento com idarrubicina e deve ser monitorizada durante o tratamento para minimizar o risco de incorrer em insuficiência cardíaca grave;

- se tem número reduzido de células sanguíneas e de plaquetas na medula óssea;
- se tiver um pronunciado e permanente aumento de glóbulos brancos anómalos no sangue. Pode estar a desenvolver leucemia;
- se tem problemas gastrointestinais;
- se tem problemas no fígado;
- se tem problemas nos rins;
- este medicamento pode causar vómitos.

Poderá desenvolver inflamação da mucosa bucal ou inflamação da mucosa de revestimento do tubo digestivo;
- se tomou recentemente ou pensa tomar uma vacina;
- se é homem.

A idarrubicina poderá causar infertilidade irreversível.

A idarrubicina deve ser administrada apenas sob supervisão de médicos com experiência em quimioterapia citotóxica.

Este medicamento pode causar coloração vermelha da urina durante um a dois dias após a sua administração.
Cuidados com a Dieta
As cápsulas devem ser engolidas inteiras e com água, não devendo ser chupadas, mordidas ou mastigadas.

As cápsulas podem também ser ingeridas com uma refeição ligeira.
Terapêutica Interrompida
Não tomar uma dose a dobrar para compensar a dose esquecida.
Cuidados no Armazenamento
Manter fora da vista e do alcance das crianças.

Cápsulas: Conservar a temperatura inferior a 25ºC.

Injetável: Conservar a temperatura inferior a 5 ºC na embalagem de origem.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.

Idarrubicina + Bloqueadores da entrada de cálcio (antagonistas de cálcio)

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: A utilização da idarrubicina em quimioterapia combinada com outros fármacos potencialmente cardiotóxicos, assim como a utilização concomitante de outros compostos cardioativos (por exemplo, bloqueadores de canais de cálcio), requer a monitorização da função cardíaca durante o tratamento.
 Potencialmente Fatal

Idarrubicina + Vacinas vivas

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: Risco de possível doença sistémica fatal. Este risco está aumentado em doentes imunocomprometidos devido à sua patologia de base.

Idarrubicina + Anticoagulantes orais

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: No caso de associação de anticoagulantes orais e quimioterapia anticancerígena, recomenda-se uma maior frequência na monitorização da Relação Internacional Normalizada (INR), uma vez que não se pode excluir o risco de uma possível interação.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Idarrubicina + Ciclosporina

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: Em doentes com leucemia aguda, a administração concomitante de ciclosporina A como único sensibilizador químico aumentou significativamente a AUC da idarrubicina (1,78 vezes) e a AUC do idarrubicinol (2,46 vezes). Desconhece-se o significado clínico desta interação. Poderá ser necessário ajuste de dose em alguns doentes.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Idarrubicina + Radioterapia

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: Quando a radioterapia é administrada concomitantemente ou cerca de 2-3 semanas antes do tratamento com idarrubicina, pode ocorrer um efeito mielossupressor aditivo.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Idarrubicina + Quimioterapia

Observações: Alterações na função hepática ou renal induzidas por terapêuticas concomitantes podem afetar o metabolismo, a farmacocinética, a eficácia terapêutica e/ou toxicidade da idarrubicina.
Interações: A idarrubicina é um potente mielossupressor, pelo que regimes combinados de quimioterapia, incluindo outros fármacos com ação semelhante, poderão originar efeitos mielossupressores aditivos.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico
Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

A idarrubicina só deverá ser utilizada durante a gravidez se os potenciais benefícios justificarem os potenciais riscos para o feto.

A doente deve ser informada dos potenciais efeitos nefastos para o feto.

As doentes que desejem ter filhos após o final do tratamento devem ser aconselhadas a obter aconselhamento genético, se apropriado e disponível.

As mulheres a amamentar deverão suspender o aleitamento durante o tratamento com cloridrato de idarrubicina.

A idarrubicina pode induzir alterações cromossómicas nos espermatozoides humanos.

Por esta razão, os doentes do sexo masculino em tratamento com idarrubicina devem utilizar medidas contracetivas eficazes até 3 meses após o tratamento.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 11 de Outubro de 2017