Estreptomicina

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI com Advertência na Insuficiência Renal DCI/Medicamento Sujeito a Receita Médica (a ausência deste simbolo pressupõe Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
O que é
Estreptomicinapertence ao grupo de Medicamentos Anti-infecciosos. Antibacterianos.
Aminoglicósideos.

Estreptomicina é um antibiótico aminoglicosídeo produzido pelo Streptomyces griseus ctinomicetos solo.

Atua através da ligação à subunidade ribossómica 30S de organismos susceptíveis e perturbar os passos de iniciação e alongamento da síntese de proteínas.

É bactericida devido a efeitos não são completamente compreendidos.
Usos comuns
Tratar a tuberculose (TB) e infeções causadas por bactérias específicas.
Tipo
pequena molécula
História
A estreptomicina foi isolado pela primeira vez em 19 de outubro de 1943, por Albert Schatz, um estudante de pós-graduação, no laboratório de Selman Abraham Waksman na Universidade de Rutgers.

Dr. Waksman e sua equipa descobriram vários antibióticos, incluindo actinomicina, clavacin, streptothricin, estreptomicina, grisein, neomicina, fradicin, candicidina e candidina.

Destes a estreptomicina e a neomicina encontraram extensa aplicação no tratamento de numerosas doenças infecciosas.

A Estreptomicina foi o primeiro antibiótico a ser utilizado para curar a doença tuberculose (TB).

A primeira produção da droga foi chamada de George W. Merck pela Merck & Co.

O primeiro estudo randomizado de estreptomicina contra a tuberculose pulmonar foi realizado em 1946-1947 pela Unidade de Pesquisa em Tuberculose do MRC, sob a presidência de Sir Geoffrey Marshall (1887-1982).

A experiência foi feita por duplo-cego e controlada por placebo.

É amplamente aceite ter sido o primeiro ensaio randomizado curativo.

Os resultados mostraram a eficácia contra a TB, embora com menor toxicidade e adquiriu resistência bacteriana à droga.
Indicações
Tuberculose muito bacilífera ou em casos de resistência a outros tuberculostáticos e, sempre, em poliquimioterapia;
Brucelose;
Tularémia;
Peste.



Classificação CFT
n.d.     n.d.
Mecanismo De Ação
O espectro de actividade antibacteriana de estreptomicina é o seguinte:
- Espécies geralmente sensíveis:
Mycobacterium tuberculosis, bactérias Gram - negativas incluindo E.coli, Klebsiella pneumoniae, outras Enterobacteriaceae, Brucella, Neisseria gonorrhaeae e N. meningitidis, Yersinia pestis, Haemophilus influenzae, Fracisella tularensis e algumas espécies de Proteus, Salmonella e Shigella.

É também activa sobre alguns organismos Gram - positivos: algumas estirpes de Staphylococcus aureus são sensíveis à estreptomicina assim como algumas estirpes de Actinomycetes.


- Espécies resistentes (CIM ³ 32 mg/ ml)
Estreptococos incluindo os pneumococos e estafilococos.


Se bem que inactivos in vitro sobre os estreptococos, os aminoglicosídeos possuem uma actividade sinérgica com as b-lactaminas sobre estes germes.

Esta actividade também existe em menor grau sobre os estafilococos.


Dado que, para uma dada espécie a noção de sensibilidade pode variar de acordo com a estirpe, somente um estudo in vitro da estirpe em causa permite avaliar se esta é sensível, resistente ou intermediária.



Posologia Orientativa
A dosagem adulta normal de estreptomicina para o tratamento de tuberculose é de 1 g por dia ou 15 mg/kg por dia.


Em doentes idosos, a dosagem de estreptomicina para o tratamento de tuberculose deve ser baseada na idade, função renal e na função do oitavo nervo craniano: alguns médicos sugerem que nesta faixa etária, a dosagem deve ser limitada a 10 mg/kg (até 750 mg) por dia.


A dosagem terapêutica recomendada em pediatria é de 20 a 40 mg/kg (até 1 g) por dia.


Quando é utilizada uma terapêutica intermitente, a dosagem usual em adultos e crianças é de 25 a 30 mg/kg (até 1,5 g) 2 a 3 vezes por semana.


No tratamento da tuberculose meníngea, deve ser administrada uma dose única diária por via intratecal de 1 mg/ Kg durante mais de 10 dias, num máximo de 50 mg/dia, em crianças.


No tratamento da peste, a dosagem usual no adulto é de 2 g (30mg/kg) por dia, administrados por via IM em duas doses divididas durante um período mínimo de 10 dias.

A dosagem habitual para crianças é de 30 mg/kg administrados diariamente por via IM em 2 a 3 doses divididas durante 10 dias.





Administração
Via IM e IV.
Contraindicações
Alergia aos antibióticos da família dos aminoglicosídeos;
Miastenia grave;
Mulheres grávidas;
Indivíduos com anomalias vestibular ou coclear;
Insuficiência renal;
Hipersensibilidade aos sulfitos.

Efeitos Indesejáveis/Adversos
Nefrotoxicidade:
Este medicamento pertence à família dos aminoglicosídeos, com a qual estão relacionados casos de insuficiência renal.

Estes casos, na maior parte das vezes, devem-se a uma posologia demasiadamente elevada ou a tratamentos prolongados, bem como a anteriores alterações renais, problemas hemodinâmicos de associação a outros produtos com nefrotoxicidade.


Ototoxicidade:
Este medicamento pertence à família dos aminoglicosídeos, com a qual estão relacionados casos de lesão cocleovestibular; estes são favorecidos por uma posologia bastante elevada, uma longa duração do tratamento, uma insuficiência renal preexistente, especialmente a insuficiência renal funcional dos idosos ou pela associação de produtos ototóxicos.


Reacções alérgicas menores, têm sido descritas, tais como erupção e urticária, embora estes fenómenos desapareçam com a suspensão do tratamento.

Raramente ocorre choque anafilático.


Podem ocorrer, não sendo nunca fatais, dermatites exfoliativas.


O aparecimento de anemia aplástica e agranulocitose atribuídas a este fármaco, são raras.


Anemia hemolítica tem sido relatada em pacientes com deficiência em glucose-6-fosfato desidrogenase.


Tonturas severas e persistentes, vertigens, ataxia e surdez podem ocorrer devido à toxicidade no oitavo nervo, que pode tornar-se permanente.

Os riscos são elevados em recém-nascidos e doentes com mais de 40 anos de idade, nos quais a recuperação de ototoxicidade é lenta e menos completa do que numa criança e num adulto jovem.


Efeitos tóxicos sérios e permanentes não são comuns com as dosagens correntemente recomendadas, desde que a dosagem do fármaco seja reduzida ou suspensa quando surgem alguns sinais e sintomas.


Quando administrada por via intra-raquídiana, a estreptomicina pode causar dor mas raramente é evidenciada irritação no tronco cerebral.

É comum provocar dor de pescoço e retenção temporária de urinas.


Podem ocorrer ainda eosinofilia, leucopenia, pancitopenia e trombocitopenia; no Sistema Nervoso Central pode ocorrer disfunção do nervo óptico, neuropatia periférica e encefalopatia; a nível periférico pode ocorrer bloqueio neuromuscular e paralisia respiratória; febre.



Advertências
Gravidez
Gravidez:Toxicidade no 8o par de nervos cranianos; não é teratogénica. Evidência fetal em animais, mas a necessidade pode justificar o risco. Trimestre: 2º e 3º
Aleitamento
Aleitamento:Pequenas quantidades no leite; por causa dos potenciais efeitos adversos para o lactente terá de se decidir se é o medicamento que se suspende ou o aleitamento.
Insuf. Renal
Insuf. Renal:Ver Aminoglicosídeos.
Precauções Gerais
Salvo qualquer indicação imperativa: os indivíduos portadores de anomalias vestibulares ou cocleares devem abster-se de tomar este fármaco.


A nefrotoxicidade e a ototoxicidade da estreptomicina impõem as seguintes precauções:
- em casos de insuficiência renal, não utilizar senão em casos de extrema necessidade e adaptar a posologia em função da clearance da creatinina;
- tendo em conta a ototoxicidade e a nefrotoxicidade do produto, devem evitar-se os tratamentos repetidos e/ ou prolongados, particularmente a pessoas idosas;
- associação com diuréticos muito activos;
- em casos de tratamento prolongado indispensável (em particular tuberculose), vigiar regularmente as funções auditivas e renal;
- em caso de intervenção cirúrgica, informar o anestesista da toma deste medicamento;
- em pacientes com miastenia grave (pois é um fármaco inibidor neuro-muscular);
- em pacientes com hipersensibilidade ao fármaco uma vez que há o risco de aparecer uma reacção severa que pode incluir o choque anafilático ou dermatite esfoliativa.


Em caso de utilização como anti-tuberculoso:
- a administração da estreptomicina deve responder aos princípios gerais do tratamento da tuberculose.

Esta só pode ser administrada após a prova bacteriológica da tuberculose e em função dos resultados do antibiograma colocando em evidência a resistência a um ou vários antituberculosos e a sensibilidade à estreptomicina;
- para ter eficácia deve ser associada a um ou mais antituberculosos.


Deve ser evitado o uso concomitante de outros medicamentos neuro, oto ou nefrotóxicos, com agentes que provoquem bloqueio neuromuscular, devem ser monitorizados sinais de bloqueio neuromuscular e paragem respiratória, sobretudo após anestesia/relaxantes musculares; precaução com as doses excessivas em lactentes porque pode provocar uma síndrome de depressão do SNC.


Recém – Nascidos: A dose deverá ser 10-20 mg/ Kg para evitar o efeito tóxico sobre o oitavo nervo.


Crianças: O fármaco pode ser administrado às crianças mas em doses apropriadas.



Cuidados com a Dieta
Não interfere com alimentos e bebidas.
Terapêutica Interrompida
Se falhar uma dose de estreptomicina, contacte o seu médico imediatamente.
Cuidados no Armazenamento
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.

Conservar a temperatura inferior a 20º C.

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz.

Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
É ativa contra o Mycobacterium tuberculosis. Entre as outras micobactérias, o Mycobacterium kansasii é geralmente sensível, o que não ocorre com outras espécies de micobactérias.

Estreptomicina + Aminoglicosídeos

Observações: N.D.
Interações: Associações Contraindicadas: Outros aminoglicosídeos: Devido ao risco aumentado de nefrotoxicidade e de ototoxicidade, não se devem administrar vários aminoglicosídeos simultaneamente ou sucessivamente, por via geral ou por via local salvo casos excepcionais. Quando os aminoglicosídeos são administrados concomitantemente com antibióticos b-lactâmicos nomeadamente penicilinas, a administração deve ser feita em locais separados.

Estreptomicina + Cefaloridina

Observações: N.D.
Interações: Associações Contraindicadas: Cefalorido: devido a uma sinergia dos efeitos nefrotóxicos.

Estreptomicina + Polimixinas (Antibióticos)

Observações: N.D.
Interações: Associações desaconselhadas: Polimixinas (via parenteral): Devido a um aumento dos efeitos nefrotóxicos.

Estreptomicina + Cefalotina

Observações: N.D.
Interações: Associação necessitando de precaução no emprego: Cefalotina: Deve vigiar-se a função renal, uma vez que o aumento da nefrotoxicidade dos aminoglicosídeos pela cefalotina é discutível.

Estreptomicina + Curarizantes

Observações: N.D.
Interações: Associação necessitando de precaução no emprego: Curarizantes: os aminoglicosídeos podem potencializar os curares quando o antibiótico é administrado por via parenteral e/ ou peritoneal (antes, durante ou após a administração do agente curarizante). Deve vigiar-se o grau de curarização no fim da anestesia.

Estreptomicina + Diuréticos da ansa

Observações: N.D.
Interações: Associação necessitando de precaução no emprego: Diuréticos da ansa (exº. furosemida): associação possível, mas observar o estado de hidratação e das funções renais e cocleovestibulares, porque uma insuficiência renal funcional ligada à desidratação causada pelos diuréticos poderá aumentar os riscos de nefro e ototoxicidades dos aminoglicosídeos.

Estreptomicina + Furosemida

Observações: N.D.
Interações: Associação necessitando de precaução no emprego: Diuréticos da ansa (exº. furosemida): associação possível, mas observar o estado de hidratação e das funções renais e cocleovestibulares, porque uma insuficiência renal funcional ligada à desidratação causada pelos diuréticos poderá aumentar os riscos de nefro e ototoxicidades dos aminoglicosídeos.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Estreptomicina + Anfotericina B

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Anfotericina B: risco aumentado de nefrotoxicidade.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Estreptomicina + Cisplatina

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Cisplatina: devido a um aumento dos efeitos nefro e ototóxicos.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Estreptomicina + Cidofovir

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Cidofovir, Ciclosporina e Tacrolimus: aumento do risco de nefrotoxicidade.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Estreptomicina + Ciclosporina

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Cidofovir, Ciclosporina e Tacrolimus: aumento do risco de nefrotoxicidade.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Estreptomicina + Tacrolímus

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Cidofovir, Ciclosporina e Tacrolimus: aumento do risco de nefrotoxicidade.
 Potencialmente Grave

Estreptomicina + Bloqueadores neuromusculares

Observações: N.D.
Interações: Associação a ter em conta: Bloqueadores musculares: pode ocorrer depressão operatória pós-operativa grave.

Vancomicina + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: Outros medicamentos possivelmente nefrotóxicos ou ototóxicos: A utilização simultânea e/ou subsequente, de outros fármacos potencialmente neurotóxicos e/ou nefrotóxicos, como gentamicina, anfotericina B, estreptomicina, neomicina, canamicina, amicacina, tobramicina, viomicina, bacitracina, polimixina B, colistina ou cisplatina, pode potenciar a nefrotoxicidade e/ou ototoxicidade da vancomicina e, consequentemente, requer uma monitorização cuidadosa. Devido à acção sinérgica (por exemplo, com gentamicina) nestes casos a dose máxima de vancomicina tem de ficar restrita a 0,5 g a cada 8 horas.

Bacilo Calmette-Guérin + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Netilmicina + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: Deve ser evitado o uso concomitante e/ou sequencial, sistémico ou tópico, de outros fármacos potencialmente neurotóxicos e/ou nefrotóxicos, tais como a cisplatina, bacitracina, polimixina B, colistina, cefaloridina, anfotericina B, canamicina, aciclovir, gentamicina, amicacina, sisomicina, tobramicina, neomicina, estreptomicina, paromomicina, viomicina e vancomicina.

Gentamicina + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: Devido ao aumento do risco de aparecimento de efeitos indesejáveis, é necessário uma monitorização cuidadosa dos doentes tratados concorrentemente ou sequencialmente com fármacos potencialmente nefrotóxicos ou ototóxicos como por exemplo: Anfotericina B, colistina, ciclosporina, cisplatina, vancomicina, estreptomicina, viomicina, aminoglicosídeos, algumas cefalosporinas e diuréticos da ansa tais como o ácido etacrínico e furosemida.

Amicacina + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: Produtos neurotóxicos ou nefrotóxicos: Deve-se evitar o uso simultâneo ou sequencial, por via sistémica, oral ou tópica, em particular de bacitracina, cisplatina, anfotericina B, gentamicina, tobramicina, Canamicina, neomicina, estreptomicina, cefaloridina, paramomicina, viomicina, polimixina B, colistina, vancomicina ou outros aminoglicosídeos, cidofovir e cefalosporinas; a indometacina provoca aumento da toxicidade sobretudo no período neonatal; em doentes com função renal diminuída pode haver redução da actividade dos aminoglicosídeos com o uso concomitante de penicilinas.
Informe o seu Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica (OTC), Produtos de Saúde, Suplementos Alimentares ou Fitoterapêuticos.

O fármaco deverá ser evitado durante a gravidez pois há o risco de toxicidade sobre o oitavo nervo do feto.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 11 de Outubro de 2017