Beclometasona

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento
O que é
A beclometasona, também conhecida como dipropionato de beclometasona é um medicamento esteróide.
Usos comuns
Usada no tratamento de manutenção da asma como terapia profiláctica em pacientes de 5 anos de idade e mais velhos, e no tratamento dos sintomas da rinite alérgica (sazonal ou perene) em pacientes com 12 anos de idade e mais velhos.

Também está em investigacção para o tratamento oral na doença de Crohn leve a moderada do cólon ileal ou íleo-direita e para uso "tópico" no enxerto hospedeiro.
Tipo
Molécula pequena.
História
O dipropionato de beclometasona foi patenteado pela primeira vez em 1962 e usado clinicamente em 1972.
Foi aprovado para uso médico nos Estados Unidos em 1976.
Está na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde.
Indicações
A Beclometasona (dipropionato) possui acção anti-inflamatória nos pulmões e constitui tratamento preventivo de base para a asma.

Adultos:
Controlo profiláctico:
Asma ligeira (valores de DEMI superiores a 80% dos valores basais previstos, com variabilidade inferior a 20%): doentes que requerem tratamento intermitente sintomático da asma com um broncodilatador, mais do que ocasionalmente.

Asma moderada (valores de DEMI 60-80% dos valores basais previstos, com 20-30% de variabilidade): doentes que requerem tratamento regular da asma e doentes com asma instável ou agravada, sob outra terapêutica profiláctica ou apenas com broncodilatador.

Asma grave (valores de DEMI inferiores a 60% dos valores basais previstos, com variabilidade superior a 30%): doentes com asma crónica grave.

Quando transferidos para doses elevadas de dipropionato de Beclometasona, muitos doentes dependentes de corticosteróides sistémicos para o controlo adequado dos sintomas, poderão conseguir reduzir significativamente, ou eliminar, a sua necessidade de corticosteróides orais.

Crianças:
Controlo profiláctico, em crianças com idade superior a 4 anos.
Classificação CFT

05.01.03.01 : Glucocorticóides

14.01.02 : Corticosteróides

Mecanismo De Acção
Os corticosteróides não consolidados atravessam as membranas celulares e ligam-se com alta afinidade a receptores citoplasmáticos específicos.

O resultado inclui a inibição da infiltração de leucócitos no local da inflamação, a interferência na função de mediadores de resposta inflamatória, a supressão de respostas imunitárias humorais, e a diminuição do edema, ou tecido cicatrizado.

As acções anti-inflamatórias das corticosteróides são pensados para envolver fosfolipase A2 proteínas inibidoras, lipocortinas, que controlam a biossíntese de potentes mediadores da inflamação como as prostaglandinas e leucotrienos.

Para a investigacção usada no tratamento de GVHD ou doença de Crohn, a Beclometasona actua ligando-se à interleucina-13 para inibir as citoquinas, que por sua vez inibem, a jusante, as substâncias inflamatórias.
Posologia Orientativa
A dose inicial de Beclometasona (dipropionato) inalada deve ser adequada à gravidade da situação clínica de cada doente e depois ajustada até se atingir o controlo ou reduzida à dose mínima eficaz, de acordo com a resposta individual.

Adultos e adolescentes de idade superior a 12 anos:
– Asma ligeira: 200-600 μg por dia em doses divididas
– Asma moderada: 600-1000 μg por dia em doses divididas
– Asma grave: 1000-2000 μg por dia em doses divididas
– Crianças de 4 a 12 anos de idade: até 400 μg por dia em doses divididas.
Administração
Via inalatória.
Contra-Indicações
Doentes com história de hipersensibilidade à Beclometasona.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Infecções e infestações
Muito frequentes: candidíase da boca e garganta.
Em alguns doentes ocorre candidíase da boca e garganta, com incidência aumentada com doses superiores a 400 μg de dipropionato de Beclometasona por dia.
Os doentes com níveis séricos elevados de precipitinas de Candida, reveladores de infecção prévia, são mais susceptíveis de desenvolver esta complicação.
Alguns doentes podem achar útil bochechar com água após utilização do inalador.
A candidíase sintomática pode ser tratada com terapêutica antifúngica tópica, não interrompendo o tratamento com este medicamento.

Doenças do sistema imunitário
Foram relatadas reacções de hipersensibilidade com as seguintes manifestações:
Pouco frequentes: reacções de hipersensibilidade cutânea, incluindo rash, urticária, prurido e eritema.

Muito raros: edema dos olhos, face, lábios e garganta, sintomas respiratórios (dispneia e/ou broncospasmo) e reacção anafilatóide / anafiláctica.

Doenças endócrinas
Os efeitos sistémicos possíveis incluem:
Muito raros: síndrome de Cushing, manifestações Cushingóides, depressão supra-renal, atraso do crescimento, diminuição da densidade mineral óssea, cataratas, glaucoma.

Perturbações do foro psiquiátrico
Com frequência desconhecida: hiperactividade psicomotora, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, agressão, alterações comportamentais (principalmente em crianças).

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino.
Frequentes: rouquidão, irritação da garganta
Em alguns doentes poderá ocorrer rouquidão e irritação da garganta, podendo ser útil bochechar com água imediatamente após a inalação.

Muito raros: broncospasmo paradoxal
Tal como com outra terapêutica inalada, pode ocorrer broncospasmo paradoxal com aumento imediato da dificuldade em respirar após a administração, devendo proceder-se ao seu tratamento imediato com um broncodilatador inalado de acção rápida.
A administração deste medicamento deve ser interrompida imediatamente, o doente observado e se necessário deve instituir-se terapêutica alternativa.
Advertências
Gravidez
Gravidez
Gravidez:A administração de fármacos durante a gravidez só deve ser considerada se o benefício esperado para a mãe justificar qualquer risco possível para o feto.
Aleitamento
Aleitamento
Aleitamento:A utilização de dipropionato de Beclometasona em mães a amamentar, requer que os benefícios terapêuticos do fármaco sejam considerados relativamente aos riscos potenciais para a mãe e para o lactente.
Precauções Gerais
O controlo da asma deverá seguir um programa sequencial e criterioso e a resposta do doente deve ser monitorizada clinicamente e por testes da função pulmonar.
O aumento da utilização de agonistas beta-2 inalados de curta duração de acção para controlar os sintomas, indica deterioração do controlo da asma.
Nesta situação, o plano terapêutico do doente deverá ser reavaliado.
A deterioração súbita e progressiva do controlo da asma é potencialmente ameaçadora da própria vida, devendo considerar-se o aumento da dose de corticosteróides.
Em doentes considerados em risco, recomenda-se monitorização diária do débito expiratório.
Este medicamento não se destinam à utilização na crise aguda mas para controlo de rotina a longo prazo.

Para alívio dos sintomas da asma aguda será necessário um broncodilatador inalado de acção rápida e curta duração.
A técnica de inalação do doente deve ser verificada para certificar que a actuação do dispositivo é sincronizada com a inspiração, de modo que o fármaco atinja devidamente os pulmões.
A ausência de resposta ou as exacerbações graves da asma devem ser tratadas com o aumento da dose de dipropionato de Beclometasona inalado e, se necessário, pela administração de um corticosteróide sistémico e/ou de um antibiótico em caso de infecção.

Podem ocorrer efeitos sistémicos com os corticosteróides inalatórios, particularmente se em doses elevadas prescritas por longos períodos; a probabilidade de ocorrência destes efeitos é muito menor do que com os corticosteróides orais.
Os possíveis efeitos sistémicos incluem síndrome de Cushing, manifestações Cushingóides, depressão supra-renal, atraso do crescimento em crianças e adolescentes, diminuição da densidade mineral óssea, cataratas, glaucoma e, mais raramente, uma série de efeitos psicológicos ou comportamentais, que incluem hiperactividade psicomotora, distúrbios do sono, ansiedade, depressão ou agressividade (principalmente em crianças).
É pois importante que a dose de corticosteróide inalado seja ajustada à dose mais baixa que permita manter um controlo eficaz dos sintomas.
Recomenda-se a monitorização regular da altura das crianças sob tratamento prolongado com corticosteróide inalado.

Caso se verifique atraso de crescimento a terapêutica deve ser revista a fim de reduzir, se possível, a dose de corticosteróides inalados para a dose mais baixa para a qual se atinge controlo eficaz dos sintomas.

Alguns doentes poderão apresentar maior susceptibilidade do que a maioria aos efeitos dos corticosteróides inalados.

O tratamento com doses elevadas pode resultar em depressão supra-renal clinicamente significativa e a possibilidade de resposta supra-renal diminuída deve sempre ter-se presente em situações de emergência e electivas, passíveis de produzirem stress, devendo considerar-se a terapêutica adicional com corticosteróides sistémicos.

Recomenda-se precaução especial na transferência de doentes sob corticoterapia oral para tratamento com dipropionato de Beclometasona inalado, devido à possibilidade de diminuição da resposta supra-renal, devendo proceder-se a monitorização regular da função adrenocortical.
Após introdução do dipropionato de Beclometasona inalado, deve interromper-se a terapêutica sistémica de forma gradual e os doentes devem ser aconselhados a utilizar um cartão indicando a possível necessidade de terapêutica adicional durante períodos de stress.

A substituição do tratamento com corticosteróides sistémicos pela terapêutica inalada poderá revelar alergias como a rinite alérgica ou o eczema, previamente controlados pelo fármaco sistémico.

Estas alergias devem ser tratadas sintomaticamente com anti-histamínicos e/ou formulações tópicas, incluindo corticosteróides tópicos.

O tratamento com dipropionato de Beclometasona inalado não deve ser interrompido bruscamente.

Como com todos os corticosteróides inalados, são necessários cuidados especiais em doentes com tuberculose pulmonar activa ou latente.

Os doentes deverão ser alertados para o facto deste medicamento conter pequenas quantidades de etanol e glicerol.

Com a posologia normal, as quantidades de etanol e glicerol são desprezíveis, não representando risco para o doente.
Cuidados com a Dieta
Evite ingerir álcool.
Terapêutica Interrompida
Não tome uma dose a dobrar para compensar a que se esqueceu de tomar. Proceda à administração da dose seguinte na altura devida.
Cuidados no Armazenamento
Não conserve acima de 30ºC.
Conservar em local seco
Proteger da congelacção e luz solar directa.

Mantenha todos os medicamentos fora do alcance de crianças e animais de estimação.

Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu médico, enfermeiro ou farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente.
Espectro de susceptibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.
Consultar informação actualizada

Beclometasona Dissulfiram

Observações: n.d.
Interacções: Existe um potencial teórico de interacção em doentes particularmente sensíveis tratados com dissulfiram ou metronidazol. - Dissulfiram
Consultar informação actualizada

Beclometasona Metronidazol

Observações: n.d.
Interacções: Existe um potencial teórico de interacção em doentes particularmente sensíveis tratados com dissulfiram ou metronidazol. - Metronidazol
Identificação dos símbolos utilizados na descrição das Interacções da Beclometasona
Informe o Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica (OTC), Produtos de Saúde, Suplementos Alimentares ou Fitoterapêuticos.

A administração de fármacos durante a gravidez só deve ser considerada se o benefício esperado para a mãe justificar qualquer risco possível para o feto.

A utilização de dipropionato de Beclometasona em mães a amamentar, requer que os benefícios terapêuticos do fármaco sejam considerados relativamente aos riscos potenciais para a mãe e para o lactente.
Informação revista e actualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 11 de Novembro de 2021