Beclometasona

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI/Medicamento Sujeito a Receita Médica (a ausência deste simbolo pressupõe Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
O que é
A Beclometasona é um esteroide.

A Beclometasona impede a libertação de substâncias causadoras de inflamação no organismo.

Em inalador é usado para prevenir ataques de asma.

Este medicamento não vai tratar um ataque de asma já iniciado.

A Beclometasona por inalação também pode ser usada para fins aqui não mencionados.
Usos comuns
Usada no tratamento de manutenção da asma como terapia profilática em pacientes de 5 anos de idade e mais velhos, e no tratamento dos sintomas da rinite alérgica (sazonal ou perene) em pacientes com 12 anos de idade e mais velhos.

Também está em investigação para o tratamento oral na doença de Crohn leve a moderada do cólon ileal ou íleo-direita e para uso "tópico" no enxerto hospedeiro.
Tipo
pequena molécula
História
Sem informação.
Indicações
A Beclometasona (dipropionato) possui ação anti-inflamatória nos pulmões e constitui tratamento preventivo de base para a asma.

Adultos:
Controlo profilático:
Asma ligeira (valores de DEMI superiores a 80% dos valores basais previstos, com variabilidade inferior a 20%): doentes que requerem tratamento intermitente sintomático da asma com um broncodilatador, mais do que ocasionalmente.

Asma moderada (valores de DEMI 60-80% dos valores basais previstos, com 20-30% de variabilidade): doentes que requerem tratamento regular da asma e doentes com asma instável ou agravada, sob outra terapêutica profilática ou apenas com broncodilatador.

Asma grave (valores de DEMI inferiores a 60% dos valores basais previstos, com variabilidade superior a 30%): doentes com asma crónica grave.

Quando transferidos para doses elevadas de dipropionato de Beclometasona, muitos doentes dependentes de corticosteroides sistémicos para o controlo adequado dos sintomas, poderão conseguir reduzir significativamente, ou eliminar, a sua necessidade de corticosteroides orais.

Crianças:
Controlo profilático, em crianças com idade superior a 4 anos.
Classificação CFT
05.01.03.01     Glucocorticóides 14.01.02     Corticosteroides
Mecanismo De Ação
Os corticosteróides não consolidados atravessam as membranas celulares e ligam-se com alta afinidade a recetores citoplasmáticos específicos.

O resultado inclui a inibição da infiltração de leucócitos no local da inflamação, a interferência na função de mediadores de resposta inflamatória, a supressão de respostas imunitárias humorais, e a diminuição do edema, ou tecido cicatrizado.

As ações anti-inflamatórias das corticosteróides são pensados ​​para envolver fosfolipase A2 proteínas inibidoras, lipocortinas, que controlam a biossíntese de potentes mediadores da inflamação como as prostaglandinas e leucotrienos.

Para a investigação usada no tratamento de GVHD ou doença de Crohn, a Beclometasona atua ligando-se à interleucina-13 para inibir as citoquinas, que por sua vez inibem, a jusante, as substâncias inflamatórias.
Posologia Orientativa
A dose inicial de Beclometasona (dipropionato) inalada deve ser adequada à gravidade da situação clínica de cada doente e depois ajustada até se atingir o controlo ou reduzida à dose mínima eficaz, de acordo com a resposta individual.

Adultos e adolescentes de idade superior a 12 anos:
– Asma ligeira: 200-600 μg por dia em doses divididas
– Asma moderada: 600-1000 μg por dia em doses divididas
– Asma grave: 1000-2000 μg por dia em doses divididas
– Crianças de 4 a 12 anos de idade: até 400 μg por dia em doses divididas.
Administração
O dipropionato de Beclometasona destina-se apenas a utilização por inalação.
Contraindicações
Doentes com história de hipersensibilidade à substância ativa
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Infeções e infestações
Muito frequentes: candidíase da boca e garganta.
Em alguns doentes ocorre candidíase da boca e garganta, com incidência aumentada com doses superiores a 400 μg de dipropionato de Beclometasona por dia.
Os doentes com níveis séricos elevados de precipitinas de Candida, reveladores de infeção prévia, são mais susceptíveis de desenvolver esta complicação.
Alguns doentes podem achar útil bochechar com água após utilização do inalador.
A candidíase sintomática pode ser tratada com terapêutica antifúngica tópica, não interrompendo o tratamento com este medicamento.

Doenças do sistema imunitário
Foram relatadas reações de hipersensibilidade com as seguintes manifestações:
Pouco frequentes: reações de hipersensibilidade cutânea, incluindo rash, urticaria, prurido e eritema.

Muito raros: edema dos olhos, face, lábios e garganta, sintomas respiratórios (dispneia e/ou broncospasmo) e reação anafilatóide / anafilática.

Doenças endócrinas
Os efeitos sistémicos possíveis incluem:
Muito raros: síndrome de Cushing, manifestações Cushingóides, depressão supra-renal, atraso do crescimento, diminuição da densidade mineral óssea, cataratas, glaucoma.

Perturbações do foro psiquiátrico
Com frequência desconhecida: hiperatividade psicomotora, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, agressão, alterações comportamentais (principalmente em crianças).

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino.
Frequentes: rouquidão, irritação da garganta
Em alguns doentes poderá ocorrer rouquidão e irritação da garganta, podendo ser útil bochechar com água imediatamente após a inalação.

Muito raros: broncospasmo paradoxal
Tal como com outra terapêutica inalada, pode ocorrer broncospasmo paradoxal com aumento imediato da dificuldade em respirar após a administração, devendo proceder-se ao seu tratamento imediato com um broncodilatador inalado de ação rápida.
A administração deste medicamentodeve ser interrompida imediatamente, o doente observado e se necessário deve instituir-se terapêutica alternativa.
Advertências
Gravidez
Gravidez:Não existem dados que suportem a associação entre o fármaco e malformações congénitas; Ver Corticosteróides (intranasais e inalados) e Corticosteróides (sistémicos). Risco fetal desconhecido, por falta de estudos alargados.
Aleitamento
Aleitamento:Ver Corticosteróides; considerar equivalência de doses.
Precauções Gerais
O controlo da asma deverá seguir um programa sequencial e criterioso e a resposta do doente deve ser monitorizada clinicamente e por testes da função pulmonar.
O aumento da utilização de agonistas beta-2 inalados de curta duração de ação para controlar os sintomas, indica deterioração do controlo da asma.
Nesta situação, o plano terapêutico do doente deverá ser reavaliado.
A deterioração súbita e progressiva do controlo da asma é potencialmente ameaçadora da própria vida, devendo considerar-se o aumento da dose de corticosteróides.
Em doentes considerados em risco, recomenda-se monitorização diária do débito expiratório.
Este medicamento não se destinam à utilização na crise aguda mas para controlo de rotina a longo prazo.

Para alívio dos sintomas da asma aguda será necessário um broncodilatador inalado de ação rápida e curta duração.
A técnica de inalação do doente deve ser verificada para certificar que a actuação do dispositivo é sincronizada com a inspiração, de modo que o fármaco atinja devidamente os pulmões.
A ausência de resposta ou as exacerbações graves da asma devem ser tratadas com o aumento da dose de dipropionato de Beclometasona inalado e, se necessário, pela administração de um corticosteróide sistémico e/ou de um antibiótico em caso de infeção.

Podem ocorrer efeitos sistémicos com os corticosteróides inalatórios, particularmente se em doses elevadas prescritas por longos períodos; a probabilidade de ocorrência destes efeitos é muito menor do que com os corticosteróides orais.
Os possíveis efeitos sistémicos incluem síndrome de Cushing, manifestações Cushingóides, depressão suprarrenal, atraso do crescimento em crianças e adolescentes, diminuição da densidade mineral óssea, cataratas, glaucoma e, mais raramente, uma série de efeitos psicológicos ou comportamentais, que incluem hiperactividade psicomotora, distúrbios do sono, ansiedade, depressão ou agressividade (principalmente em crianças).
É pois importante que a dose de corticosteróide inalado seja ajustada à dose mais baixa que permita manter um controlo eficaz dos sintomas (ver seção 4.8 Efeitos indesejáveis).
Recomenda-se a monitorização regular da altura das crianças sob tratamento prolongado com corticosteróide inalado.

Caso se verifique atraso de crescimento a terapêutica deve ser revista a fim de reduzir, se possível, a dose de corticosteróides inalados para a dose mais baixa para a qual se atinge controlo eficaz dos sintomas.

Alguns doentes poderão apresentar maior susceptibilidade do que a maioria aos efeitos dos corticosteróides inalados.

O tratamento com doses elevadas pode resultar em depressão suprarrenal clinicamente significativa e a possibilidade de resposta suprarrenal diminuída deve sempre ter-se presente em situações de emergência e electivas, passíveis de produzirem stress, devendo considerar-se a terapêutica adicional com corticosteróides sistémicos.

Recomenda-se precaução especial na transferência de doentes sob corticoterapia oral para tratamento com dipropionato de Beclometasona inalado, devido à possibilidade de diminuição da resposta suprarrenal, devendo proceder-se a monitorização regular da função adrenocortical.
Após introdução do dipropionato de Beclometasona inalado, deve interromper-se a terapêutica sistémica de forma gradual e os doentes devem ser aconselhados a utilizar um cartão indicando a possível necessidade de terapêutica adicional durante períodos de stress.

A substituição do tratamento com corticosteróides sistémicos pela terapêutica inalada poderá revelar alergias como a rinite alérgica ou o eczema, previamente controlados pelo fármaco sistémico.

Estas alergias devem ser tratadas sintomaticamente com anti-histamínicos e/ou formulações tópicas, incluindo corticosteróides tópicos.

O tratamento com dipropionato de Beclometasona inalado não deve ser interrompido bruscamente.

Como com todos os corticosteróides inalados, são necessários cuidados especiais em doentes com tuberculose pulmonar activa ou latente.

Os doentes deverão ser alertados para o facto deste medicamento conter pequenas quantidades de etanol e glicerol.

Com a posologia normal, as quantidades de etanol e glicerol são desprezíveis, não representando risco para o doente.
Cuidados com a Dieta
Evite ingerir álcool.
Terapêutica Interrompida
Não tome uma dose a dobrar para compensar a que se esqueceu de tomar. Proceda à administração da dose seguinte na altura devida.
Cuidados no Armazenamento
Manter fora do alcance e da vista das crianças.
Não conserve acima de 30ºC.
Conservar em local seco
Proteger da congelação e luz solar direta.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.

Beclometasona + Dissulfiram

Observações: N.D.
Interações: Existe um potencial teórico de interacção em doentes particularmente sensíveis tratados com dissulfiram ou metronidazol.

Beclometasona + Metronidazol

Observações: N.D.
Interações: Existe um potencial teórico de interacção em doentes particularmente sensíveis tratados com dissulfiram ou metronidazol.
Informe o seu Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

A administração de fármacos durante a gravidez só deve ser considerada se o benefício esperado para a mãe justificar qualquer risco possível para o feto.

A utilização de dipropionato de Beclometasona em mães a amamentar, requer que os benefícios terapêuticos do fármaco sejam considerados relativamente aos riscos potenciais para a mãe e para o lactente.

Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 11 de Outubro de 2017