Bacilo Calmette-Guérin

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI com Advertência na Condução DCI/Medicamento Sujeito a Receita Médica (a ausência deste simbolo pressupõe Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
O que é
Bacilo Calmette-Guérin (historicamente Vaccin Bilie de Calmette Guerin e vulgarmente referido como o Bacilo de Calmette Guerin e ou BCG) é uma vacina contra a tuberculose, que é preparada a partir de uma estirpe do atenuada (enfraquecida) do bacilo da tuberculose bovina, Mycobacterium bovis, que perdeu a sua virulência em humanos sendo especialmente subcultivados num meio de cultura, geralmente Middlebrook 7H9.

Porque os bacilos vivos evoluem para fazer o melhor uso dos nutrientes disponíveis, tornam-se menos bem adaptados ao seu ambiente tradicional, sangue humano, e não pode mais induzir a doença quando introduzida em um hospedeiro humano.

Ainda assim, eles são semelhantes o suficiente para seus ancestrais selvagens para fornecer algum grau de imunidade contra a tuberculose humana.

A vacina BCG pode ser em qualquer lugar de 0 a 80% eficaz na prevenção da tuberculose por um período de 15 anos, no entanto, seu efeito protetor parece variar de acordo com a geografia eo laboratório em que a cepa da vacina foi cultivada.
Usos comuns
A partir do nascimento.

Desde que não tenha sido administrada na unidade neonatal, a vacina deve ser feita ao completar o primeiro mês de vida ou no primeiro comparecimento à unidade de saúde.

Não é recomendada a vacinação de indivíduos adultos, ainda que a BCG seja utilizada para determinados tratamentos que não a vacinação na idade avançada.
Tipo
Vacina contra a tuberculose.
História
Em 1925, as experiências no Instituto Pasteur do microbiólogo Albert León Charles Calmette, resultam numa substância que se pode considerar como a primeira vacina do século XX.

Partiram do princípio de que a imunidade contra a turbeculose só era possível quando houvesse bacilos de turbeculose no organismo.

No início a vacina foi testada em animais, e em 1921 procedeu-se à primeira aplicação em um ser humano.

Inicialmente administrada por via digestiva a crianças nos primeiros dias de vida através de uma emulsão de glicerina.
Indicações
Tratamento do carcinoma não invasivo urotelial da bexiga:
– tratamento curativo do carcinoma in situ
– tratamento profilático em caso de recorrência de:
– carcinoma urotelial limitado à mucosa:
– Ta G1-G2 em caso de tumor multifocal e/ou recorrente
– Ta G3
– carcinoma urotelial na lamina propria mas não na musculatura da bexiga (T1)
– carcinoma in situ.
Classificação CFT
16.03     IMUNOMODULADORES
Mecanismo De Ação
BCG é uma suspensão liofilizada de bactérias vivas do Bacilo de Calmette e Guérin derivadas do Mycobacterium bovis, estirpe RIVM.

O BCG estimula o sistema imunitário e tem actividade anti-tumoral.

Existem estudos que sugerem que o BCG actua como um imunopotenciador inespecífico através, não de um só mecanismo de acção, mas de uma variedade de acções que envolvem células do sistema imunitário.

O BCG exerce um efeito estimulante no baço, estimula a função macrofágica no baço e ativa as células NK (natural killer).

A instilação de BCG estimula o aumento dos granulócitos, monócitos/macrófagos e linfócitos T, indicando uma ativação local do sistema imunitário.

As citocinas IL1, IL2, IL6 e TNFα sofrem também um aumento.
Posologia Orientativa
Duração
Carcinoma in situ
Um regime posológico padrão consiste numa instilação intravesical de BCG por semana durante seis semanas consecutivas como terapêutica de indução.

O tratamento com BCG não deve ser iniciado até 2 - 3 semanas após a ressecção transuretral (RTU).

Após um período de repouso de 4 semanas, a administração por via intravesical de BCG deve continuar, aplicando um tratamento de manutenção durante pelo menos um ano.

Os esquemas de tratamento de manutenção são a seguir descritos.

Terapêutica de indução (tratamento profiláctico em caso de recorrência)
A terapêutica com BCG deve ser iniciada cerca de 2 – 3 semanas após a RTU ou a biopsia da bexiga, e sem cateterização traumática, e deve ser repetida semanalmente durante 6 semanas.

Deve ser posteriormente instituída uma terapêutica de manutenção, pelo menos em casos de tumores de risco médio e elevado.

Terapêutica de manutenção
Um esquema consiste numa terapêutica de 12 meses com tratamentos a intervalos mensais.

Outro esquema de manutenção consiste em 3 instilações com intervalos de administração semanais, nos meses 3, 6, 12, 18, 24, 30 e 36.

Neste esquema são administradas um total de 27 instilações num período de três anos.
Administração
Via intravesical.
Contraindicações
Hipersensibilidade à substãncia ativa.
Não deve ser usado em doentes imunodeprimidos ou indivíduos com deficiências imunológicas congénitas ou adquiridas, quer devido a doença concomitante (por ex. serologia positiva ao HIV, leucemia, linfoma), terapêutica oncológica (por ex., fármacos citostáticos, radiação) ou terapêutica imunossupressora (por ex., corticosteróides).

Não deve ser administrado a doentes com tuberculose ativa.
O risco de tuberculose ativa tem de ser excluído por anamnese apropriada e, se adequado, por exames complementares de diagnóstico de acordo com as normas de orientação locais.

História clínica anterior de radioterapia da bexiga.

O tratamento está contra-indicado em mulheres durante o aleitamento
Não deve ser instilado antes de terem decorrido 2 a 3 semanas após a RTU, uma biopsia vesical ou uma cateterização traumática.

Perfuração da bexiga
Infeção aguda das vias urinárias
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Muito frequentes (mais de 1 em 10 doentes):
Doenças gastrointestinais: náuseas (sentir-se enjoado).
Doenças urinárias: çistite (inflamação da bexiga) e reações inflamatória (granulomatose) da bexiga, mição frequente çom desçonforto e dor.
Doenças dos órgãos genitais: prostatite granulomatosa assintomátiça (reações inflamatórias da glândula prostátiça).

Perturbações gerais: febre < 38,5 °C, sintomas do tipo gripal (mal estar, febre, arrepios), desçonforto geral.
Frequentes (mais de 1 em 100 e menos de 1 em 10 doentes):
Perturbações gerais: febre > 38,5 °C
Pouço frequentes (mais de 1 em 1.000 e menos de 1 em 100 doentes):

Infeções: Infeção/reação sistémiça grave pelo BCG, sépsis pelo BCG Doenças do sangue: çitopenia (diminuição do número de çélulas no sangue), anemia (diminuição da hemoglobina no sangue
Doenças do sistema imunitário: síndrome de Reiter (artrite çom inflamação da pele, olhos e traçto urinário).

Doenças respiratórias: pneumonite miliar (inflamação dos pulmões), granuloma pulmonar (reações inflamatórias do pulmão).

Afeções hepato-biliares: hepatite (inflamação do fígado) Afeções dos teçidos çutâneos: erupção çutânea, abçesso çutâneo.

Perturbações músçulosquelétiças: artrite (inflamação das artiçulações), artralgia (dores nas artiçulações).
Doenças urinárias: infeção do traçto urinário, hematúria maçrosçópiça (presença de sangue na urina), retração da bexiga (bexiga anormamente pequena), obstrução urinária (fluxo de urina anormalmente reduzido), çontraçtura da bexiga.
Doenças dos órgãos genitais: orquite (inflamação dos testíçulos), epididimite (inflamação do epidídimo), prostatite granulomatosa sintomátiça (reação inflamatória da glândula prostátiça).

Perturbações gerais: hipotensão (pressão arterial baixa).
Raros (mais de 1 em 10.000 e menos de 1 em 1.000 doentes):
Vasçulopatias: infeção vasçular (p. ex. dilatação loçalizada de um vaso sanguíneo infeçtada) Doenças renais: abçesso renal (abçesso no rim).
Muito raros (menos de 1 em 10.000 doentes), inçluindo çomuniçações isoladas:

Infeções: infeção por BCG de implantes e teçido çirçundante (p. ex., infeção de enxerto aórtiço, disfibrilhador çardíaço, artroplastia da ança ou do joelho).
Doenças do sistema linfátiço: linfadenite çerviçal (inflamação dos nódulos linfátiços do pesçoço), infeção regional de nódulos linfátiços.

Doenças do sistema imunitário: reação de hipersensibilidade (alérgiça) (p.ex., edema das pálpebras, tosse).

Afeções oçulares: çorioretinite (inflamação da região interior do olho), çonjuntivite (olhos avermelhados), uveíte (inflamação da úvea do olho).

Vasçulopatias: fístulas vasçulares.
Doenças gastrointestinais: vómitos, fístulas intestinais, peritonite (inflamação do peritoneu).
Afeções músçulosquelétiças, dos teçidos çonjuntivos e dos ossos: osteomielite (inflamação do osso e da medula óssea por baçtérias), infeção da medula óssea, abçesso do psoas (abçesso do músçulo da região lombar).

Doenças dos órgãos genitais: orquite (inflamação dos testíçulos) ou epididimite (inflamação do epidídimo) resistente à terapêutiça antituberçulosa, infeção da glande do pénis.
Desçonheçido (não pode ser çalçulado a partir dos dados disponíveis):
Doenças dos órgãos genitais: perturbações genitais (ex., dor vaginal, dispareunia (relações sexuais dolorosas))
Advertências
Gravidez
Gravidez:Não administrar durante a gravidez
Aleitamento
Aleitamento:Este tratamento está contra-indicado em mulheres a amamentar.
Conducao
Conducao:Os sintomas locais e sistémicos durante a terapêutica podem afectar a capacidade de conduzir.
Precauções Gerais
A BCG não deve ser usada para administração por debaixo, ou na pele, no músculo ou veia, nem para vacinação.

Número de instilações de BCG
Os efeitos secundários ao tratamento com BCG são frequentes mas geralmente ligeiros e transitórios.
As reações adversas habitualmente aumentam com o número de instilações de BCG.

Infeção/reação sistémica ao BCG
A instilação traumática pode provocar uma infeção generalizada grave com o BCG.
É possível que esta resulte em choque e mesmo morte.

Têm sido raramente referidas reações sistémicas ao BCG, sendo descritas como febre > 39,5 ºC durante pelo menos 12 horas, febre > 38,5 ºC durante pelo menos 48 horas, pneumonia miliar (inflamação dos pulmões com numerosas pequenas lesões), hepatite granulomatosa (reações inflamatórias do fígado), irregularidades no teste da função hepática, disfunção orgânica (que não do trato genito-urinário) com inflamação granulomatosa à biópsia.

O seu Médico deve determinar que não tem uma infeção do trato urinário antes de cada instilação de BCG na bexiga.
Caso seja diagnosticada uma infeção do trato urinário durante a terapêutica com BCG, a terapêutica deve ser interrompida até que a análise da urina normalize e que seja concluída a terapêutica com antibióticos.

Tem sido referida a infeção de implantes e enxertos em doentes com, por ex., aneurisma (dilatação localizada de um vaso sanguíneo) ou prótese.

Persistência de BCG
Em casos isolados, as batérias do BCG podem persistir nas vias urinárias durante mais de 16 meses.

Febre ou hematúria (presença de sangue na urina) macroscópica
O tratamento deve ser adiado até resolução de febre concomitante ou hematúria macroscópica.

Baixa capacidade da bexiga
Se tem uma capacidade da bexiga baixa é possível que esta capacidade diminua ainda mais após o tratamento.

HLA-B27 (Antigénio do leucócito humano B27)
Se é HLA-B27 positivo, pode ter um aumento de ocorrência de artrite reaccional (inflamação das articulações) ou síndrome de Reiter (artrite com inflamação da pele, olhos e trato urinário).

Doentes com imunodeficiência
As batérias do BCG podem ser nocivas para doentes com imunodeficiência.
Se for tratado com BCG deve obedecer a todas as normas gerais de higiene, a seguir indicadas, especialmente quando em contato com os doentes mencionados.

Transmissão sexual
Até à data não há registo de transmissão sexual de BCG, embora se recomende o uso de preservativo durante as relações sexuais por uma semana após a terapêutica com BCG.

Higiene geral
Recomenda-se lavar as mãos e a área genital após a micção.
Isto aplica-se especialmente às primeiras micções após a instilação do BCG.
Em caso de contaminação de lesões cutâneas, recomenda-se a utilização de um desinfetante apropriado.
Cuidados com a Dieta
Não interfere com alimentos e bebidas.
Terapêutica Interrompida
Não utilize uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de tomar.
Cuidados no Armazenamento
Manter fora do alcance e da vista das crianças.
Conservar no frigorífico (2 ºC – 8 ºC).
Não congelar.
Manter o recipiente dentro da embalagem exterior para proteger da luz.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.

Bacilo Calmette-Guérin + Antituberculosos

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes. Deve ser evitada a administração em simultâneo de agentes antituberculosos e antibióticos, como fluoroquinolonas, doxiciclina ou gentamicina, durante a terapêutica por instilação intravesical de BCG, devido à sensibilidade do BCG a esses fármacos.

Bacilo Calmette-Guérin + Etambutol

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Estreptomicina

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Ácido para-aminosalicílico

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Isoniazida

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Rifampicina

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Antibióticos

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes. Deve ser evitada a administração em simultâneo de agentes antituberculosos e antibióticos, como fluoroquinolonas, doxiciclina ou gentamicina, durante a terapêutica por instilação intravesical de BCG, devido à sensibilidade do BCG a esses fármacos.

Bacilo Calmette-Guérin + Antissépticos

Observações: N.D.
Interações: As bactérias BCG são sensíveis a fármacos antituberculosos (p. ex. etambutol, estreptomicina, ácido p-aminosalicílico, isoniazida e rifampicina), antibióticos, anti-sépticos e lubrificantes.

Bacilo Calmette-Guérin + Pirazinamida

Observações: N.D.
Interações: Foi descrita uma resistência à pirazinamida e à cicloserina.

Bacilo Calmette-Guérin + Cicloserina (Terizidona)

Observações: N.D.
Interações: Foi descrita uma resistência à pirazinamida e à cicloserina.

Bacilo Calmette-Guérin + Fluoroquinolonas

Observações: N.D.
Interações: Deve ser evitada a administração em simultâneo de agentes antituberculosos e antibióticos, como fluoroquinolonas, doxiciclina ou gentamicina, durante a terapêutica por instilação intravesical de BCG, devido à sensibilidade do BCG a esses fármacos.

Bacilo Calmette-Guérin + Doxiciclina

Observações: N.D.
Interações: Deve ser evitada a administração em simultâneo de agentes antituberculosos e antibióticos, como fluoroquinolonas, doxiciclina ou gentamicina, durante a terapêutica por instilação intravesical de BCG, devido à sensibilidade do BCG a esses fármacos.

Bacilo Calmette-Guérin + Gentamicina

Observações: N.D.
Interações: Deve ser evitada a administração em simultâneo de agentes antituberculosos e antibióticos, como fluoroquinolonas, doxiciclina ou gentamicina, durante a terapêutica por instilação intravesical de BCG, devido à sensibilidade do BCG a esses fármacos.
Informe o seu Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.
Não é recomendado o uso de durante a gravidez.

Este tratamento está contra-indicado em mulheres a amamentar.
Os sintomas locais e sistémicos durante a terapêutica podem afectar a capacidade de conduzir e utilizar máquinas.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 10 de Março de 2016