Vacina contra a gripe

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento
O que é
Esta vacina ajuda a protegê-lo o organismo contra a gripe (influenza), particularmente em indivíduos com risco elevado de complicações associadas.

A utilização deve basear-se em recomendações oficiais.

Quando a vacina é administrada a uma pessoa, o sistema imunitário (o sistema de defesa natural do corpo) produz a sua própria proteção (anticorpos) contra esta doença.

Nenhum dos componentes da vacina pode causar gripe.

A gripe é uma doença que se pode espalhar rapidamente e é causada por tipos diferentes de estirpes que podem mudar todos os anos.

É por isso que poderá ser necessário repetir a vacina todos os anos.

O maior risco de contrair gripe é durante os meses frios entre outubro e março.

Se os indivíduos não tiverem sido vacinados no outono, continua a ser sensato ser vacinado até à primavera uma vez correm o risco de contrair gripe até lá.

O médico recomendará a melhor altura a vacinação.

Esta vacina protegerá contra as três estirpes do vírus contidas na vacina a partir de cerca de 2 a 3 semanas após a injeção.

O período de incubação da gripe é de alguns dias; por isso, se os indivíduos forem expostos à gripe imediatamente antes ou depois da sua vacinação, poderão ainda desenvolver a doença.

A vacina não irá proteger contra a constipação vulgar, apesar de alguns sintomas serem similares aos da gripe.
Usos comuns
Profilaxia da gripe, especialmente naqueles que correm um maior risco de complicações associadas.
Tipo
Sem informação.
História
Os resultados das investigações de Wilson Smith, Andrewes e Laidlaw publicados no The Lancet de 1933 representam, em termos históricos, o marco que separa duas fases das descrições da gripe.

As célebres pesquisas com furões que aqueles investigadores conduziram no Inverno de 1933, durante a epidemia de gripe em Inglaterra, demonstraram, pela primeira vez, não só a natureza viral da infeção respiratória, como, também, a sua natureza zoonótica.

Os primeiros relatos de uma epidemia de gripe remontam à Antiguidade.
São atribuídas ao historiador grego Tucídides (460-395 a.C.) durante a Guerra do Peloponeso (século V a.C.).

No entanto, apenas no século XIX, no seguimento dos trabalhos de Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910) foi possível, desde 1876, comprovar, no plano científico, a existência de micro-organismos como agentes vivos patogénicos (com destaque para os famosos postulados de Koch).

No que se refere aos conhecimentos científicos em Virologia, no geral, há a assinalar, como principais, os marcos seguintes: a descoberta do vírus da doença do mosaico do tabaco na sequência das pesquisas de Dimitri Ivanovski, apresentadas à Academia de Ciências de São Petersburgo em 1892 e o notável desenvolvimento da microscopia eletrónica a partir de 1939 (devido a Ernst Ruska e Max Knoll).

Históricos são, também, em 1936, os trabalhos de Joseph Stokes Jr et al. sobre as primeiras experimentações da vacinação contra o vírus da gripe.

Já mais recentemente há a realçar os avanços em bioquímica, biologia molecular (e em genética, também), em especial depois das investigações, em Cambridge, de James Watson e Francis Crick, em 1953 e, nos últimos anos, os progressos da bioinformática e da biologia teórica, bem como da biofísica e da biologia computacional.

No quadro destas últimas disciplinas, destacam-se os trabalhos pioneiros de Margaret Dayhoff (1972) e de George I. Bell, desde 1974, referentes ao armazenamento de sequências de AND no GenBank database, Los Alamos National Laboratory (Novo México).

Os avanços obtidos nos últimos anos devem-se, certamente, em grande parte, à inovação que as tecnologias passaram a proporcionar, em especial depois da criação da world wide web, no seguimento dos trabalhos de Timothy Berners-Lee a partir de 1989.

Em 2005, as investigações de J. K. Taubenberger et al. sobre a caracterização do vírus da gripe da pandemia de 1918 (sequenciação genética completa), bem como a reconstrução desse mesmo vírus por T. M. Tumpey et al. assinalam marcos da maior relevância no contexto actual da nova era da biologia molecular.

Em 1936, Joseph Stokes Jr demonstrou, pela primeira vez, a eficácia da vacinação para proteção dos cidadãos em relação à gripe sazonal.

Seguiram-se os trabalhos de T. Francis em 1945, tal como de Salk et al. a partir do mesmo ano.

As primeiras vacinas inactivadas contra a gripe foram, assim, introduzidas ainda nos anos 40.

Devida à constante variação antigénica dos vírus da gripe (quer do tipo A quer B) as vacinas sazonais são diferentes todos os anos.

A OMS, no quadro dos trabalhos de coordenação entre os centros de Londres, Atlanta, Tóquio, Pequim e Melbourne, assegura a emissão de recomendações que, antecipadamente, são transmitidas às diferentes empresas farmacêuticas que produzem a vacina contra a gripe com o fim de conseguirem um perfeito match em relação às estirpes que venham a circular na época fria.

Para o Hemisfério Norte essas recomendações são dadas até ao mês de Fevereiro para a vacina poder estar disponível em Setembro seguinte antes do início da época gripal.

Por outro lado, para o Hemisfério Sul as recomendações são emitidas em Setembro.
Indicações
Profilaxia da gripe, especialmente naqueles que correm um maior risco de complicações associadas.

Está indicado em adultos e crianças a partir dos 6 meses de idade.
Classificação CFT

18.1 : Vacinas (simples e conjugadas)

Mecanismo De Ação
Obtém-se geralmente a seroproteção em 2 a 3 semanas.

A duração da imunidade pós-vacinação às estirpes homólogas ou estirpes estreitamente correlacionadas com as estirpes da vacina varia mas é normalmente de 6-12 meses.
Posologia Orientativa
Os adultos recebem uma dose de 0,5 ml.

Utilização em crianças
As crianças com idades a partir de 36 meses recebem uma dose de 0,5 ml.

As crianças a partir dos 6 meses até aos 35 meses podem receber uma dose de 0,25 ml ou uma dose de 0,5 ml, de acordo com as recomendações nacionais existentes.

Se o seu filho não tiver sido vacinado anteriormente contra a gripe, deve ser administrada uma segunda dose após, pelo menos, 4 semanas.
Administração
A imunização deve ser efetuada por injeção intramuscular ou subcutânea profunda.
Contraindicações
As contra-indicações usuais para todas as vacinas: em caso de febre, doença aguda ou doença crónica progressiva, é preferível adiar a vacinação.

Hipersensibilidade à vacina ou a qualquer dos componentes da vacina que possam estar presentes em quantidades vestigiais, tais como ovos, (ovalbumina, proteínas de galinha), sulfato de canamicina e neomicina, formaldeído, brometo de cetiltrimetilamónio (CTAB), polissorbato 80 e sulfato de bário.

A imunização deve ser adiada em doentes com uma doença febril ou uma infeção aguda.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Durante os estudos clínicos foram observados os efeitos secundários seguintes.

As suas frequências foram calculadas como frequentes: afetam 1 a 10 em 100 utilizadores.

- dores de cabeça
- suores
- dor muscular (mialgias), dores nas articulações (artralgias)
- febre, sensação geral de mal-estar, arrepios, fadiga
- reações locais: vermelhidão, inchaço, dor, nódoas negras (equimose), dureza (endurecimento) à volta da área onde a vacina é injetada

Estas reações desaparecem geralmente dentro de 1-2 dias sem tratamento.

Para além dos efeitos secundários frequentes anteriormente mencionados, ocorreram os seguintes efeitos secundários após a vacina ter sido introduzida no mercado:
- reações alérgicas: que conduziram a uma emergência médica com uma falha do sistema circulatório em manter o fluxo sanguíneo adequado aos diferentes órgãos (choque) em casos raros inchaço mais aparente na cabeça e no pescoço, incluindo a face, os lábios, a língua, a garganta ou qualquer outra parte do corpo (angioedema)

- em casos muitos raros reações na pele que podem alastrar a todo o corpo, incluindo comichão na pele (prurido, urticária), erupção na pele inflamação nos vasos sanguíneos que pode resultar em erupções na pele (vasculite) e,

- em casos muito raros, em problemas renais temporários dor situada na via nervosa (nevralgia), anomalias na perceção do toque, dor, calor e frio (parestesias), convulsões associadas com febre, distúrbios neurológicos que podem resultar em rigidez do pescoço, confusão, torpor, dor e fraqueza dos membros, perda de equilíbrio, perda dos reflexos, paralisia de parte ou da totalidade do corpo (encefalomielite, neurite, síndrome de Guillain-Barré) redução no número de determinados tipos de partículas no sangue, denominadas plaquetas; um número baixo destas pode resultar em nódoas negras ou hemorragia excessivas (trombocitopenia);

- inchaço das glândulas do pescoço, das axilas ou das virilhas (linfadenopatia).

- inchaço, dor e vermelhidão no local da injeção, com extensão superior a 10 cm e duração superior a uma semana (reação semelhante a celulite no local da injeção).


- inchaço extenso no membro vacinado com duração superior a uma semana.



Advertências
Gravidez
Gravidez:A mulher com risco elevado de complicações deve ser vacinada antes do início da época, qualquer que seja o estadio de gravidez. Risco fetal desconhecido, por falta de estudos alargados.
Aleitamento
Aleitamento:Antigénio de superfície inactivado. Desconhece-se se é perigosa.
Precauções Gerais
Como as demais vacinas injetáveis, o tratamento médico apropriado e uma vigilância médica adequada devem estar sempre disponíveis em caso de uma reação anafilática após a administração da vacina.

A vacina não deve ser, em circunstância alguma, administrada por via intravenosa.

A resposta de anticorpos pode ser insuficiente em doentes com imunossupressão endógena ou iatrogénica.

Embora não tenha sido detetado látex de borracha natural na tampa da ponta da seringa, a utilização segura da vacina em indivíduos com sensibilidade ao látex não foi estabelecida.
Cuidados com a Dieta
Não aplicável.
Terapêutica Interrompida
Contacte o médico se não fizer uma dose de reforço.

Certifique-se que completa o esquema de vacinação.

Caso contrário poderá não ficar completamente protegida contra as doenças.
Cuidados no Armazenamento
Manter fora do alcance e da vista das crianças.

Conservar no frigorífico (2°C - 8°C).

Não congelar.

Manter a seringa dentro da embalagem exterior para proteger da luz.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.
 Redutora do efeito Terapêutico/Tóxico

Abatacept + Vacina contra a gripe

Observações: N.D.
Interações: Estudos exploratórios para avaliar o efeito do abatacept na resposta em anticorpos à vacinação em indivíduos saudáveis assim como a resposta em anticorpos contra as vacinas pneumocócica e contra o influenza em doentes com artrite reumatóide sugeriram que o abatacept pode reduzir a eficácia da resposta imunitária, mas não inibiu de forma significativa a capacidade de desenvolver uma resposta imunitária clinicamente significativa ou positiva. O abatacept foi igualmente avaliado num ensaio aberto em doentes com artrite reumatóide aos quais foi administrada a vacina sazonal trivalente contra o vírus influenza. Após vacinação contra o influenza, 73 dos 119 doentes tratados com abatacept sem níveis de anticorpos protectores nos níveis basais foram capazes de obter uma resposta imunitária adequada com um aumento de, pelo menos, 4 vezes nos títulos em anticorpos contra a vacina trivalente do influenza.

Vacina contra a gripe + Vacinas vivas

Observações: N.D.
Interações: A Vacina contra a gripe pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas. A imunização deve ser efetuada em membros diferentes. Deverá salientar-se que as reações adversas podem ser intensificadas.

Vacina contra a gripe + Testes Laboratoriais/Diagnóstico

Observações: N.D.
Interações: A resposta imunológica pode ser diminuída se o doente estiver sob tratamento imunossupressor. Após a vacinação contra a gripe, foram observados resultados falso-positivos em análises serológicas que utilizam o método ELISA para deteção de anticorpos contra o VIH-1, Hepatite C e, especialmente, HTLV-1. A técnica de Western Blot clarifica os resultados falso-positivos do método ELISA. As reações falso-positivas transitórias podem ser devidas à resposta de IgM desencadeada pela vacina.

Vacina contra a pré-pandemia da gripe + Vacina contra a gripe

Observações: N.D.
Interações: Os dados obtidos em adultos revelaram que a administração concomitante da vacina contra o vírus H5N1 com adjuvante e antigénios sazonais (de superfície, inativados, sem adjuvante) não levou a qualquer interferência quer para as estirpes sazonais quer para a estirpe do H5N1. A resposta do anticorpo determinada por Hemólise Radial Simples (SRH ) contra uma estirpe Vietnam homóloga do H5N 1 a o dia 4 3 cumpriu todos os critérios do CHMP para as estirpes sazonais e estirpe do H5N1. A administração concomitante não foi associada a taxas mais elevadas de reações locais ou sistémicas comparativamente com a administração desta vacina isolada. Consequentemente, os dados indicam que esta vacina pode ser administrado concomitantemente com vacinas contra a gripe sazonal sem adjuvante (com injeções aplicadas em membros diferentes).

Vacina contra a zona (Herpes zoster) + Vacina contra a gripe

Observações:
Interações: Esta vacina pode ser administrada concomitantemente com a vacina da gripe sazonal inativada, sem adjuvante. As vacinas devem ser administradas em diferentes locais de injeção.

Canacinumab + Vacina contra a gripe

Observações: Não foram investigadas em estudos formais interações entre Canacinumab e outros medicamentos.
Interações: Os resultados de um estudo em indivíduos adultos saudáveis demonstraram que uma dose única de canacinumab 300 mg não afetou a indução e persistência da resposta mediada por anticorpos após a vacinação contra a gripe ou com vacinas de proteínas glicosiladas meningocócicas. Os resultados de um estudo aberto de 56 semanas em doentes com CAPS de idade igual ou inferior a 4 anos de idade e mais novos, demonstraram que todos os doentes que receberam vacinação não viva convencional da infância desenvolveram níveis protetores de anticorpos.
 Multiplos efeitos Terapêuticos/Tóxicos

Teofilina + Vacina contra a gripe

Observações: N.D.
Interações: A depuração da teofilina poderá ser retardada e/ou a sua concentração plasmática poderá ser aumentada – com risco acrescido de sobredosagem e efeitos adversos – em casos de administração simultânea das substâncias seguintes: - Contracetivos orais, - Antibióticos macrólidos (especialmente eritromicina e troleandomicina), - Quinolonas (inibidores da girase, especialmente ciprofloxacina, enoxacina e pefloxacina - Imipenem, especialmente efeitos secundários do SNC, tal como convulsões. - Isoniazida, - Tiabendazol, - Bloqueadores dos canais de cálcio (ex. verapamil ou diltiazem), - Propranolol, - Metilxantina, - Propafenona, - Ticlopidina, - Cimetidina, ranitidina, - Alopurinol, febuxostate, - Fluvoxamina, - Alfa-interferão e peginterferão alfa-2, - Zafirlucaste, - Vacinas da gripe, - Etintidina, - Idrocilamida e - Zileuton Nestes casos poderá ser necessária uma redução da dose. Quando a teofilina é administrada simultaneamente com a ciprofloxacina e com a enoxacina, a dose de teofilina deve ser reduzida para no máximo 60% e 30% da dose recomendada, respetivamente. Outras quinolonas (ex: peploxacina ou ácido pipemidico) podem também potenciar a ação de medicamentos contendo teofilina. Consequentemente, recomenda-se fortemente o controlo frequente das concentrações de teofilina durante a terapêutica concomitante com quinolonas.

Vacina pneumocócica poliosídica + Vacina contra a gripe

Observações: N.D.
Interações: A vacina contra o vírus da gripe pode ser dada desde que em local separado.

Vacina viva contra a zona (Herpes zoster) + Vacina contra a gripe

Observações: N.D.
Interações: Vacina viva contra a zona (Herpes zoster) pode ser administrado concomitantemente com a vacina contra a gripe inativada, como injeções separadas e em locais do corpo diferentes.

Everolímus + Vacina contra a gripe

Observações: O everolímus é um substrato da CYP3A4, e também é um substrato e inibidor modera do da gp-P. Por esta razão, a absorção e eliminação subsequente do everolímus pode ser influenciada por produtos que afetem a CYP3A4 e/ou a gp - P. In vitro, o everolímus é um inibidor competitivo da CYP3A4 e um inibidor misto da CYP2D6.
Interações: Vacinação: A resposta imunitária à vacinação pode ser afetada e, por esta razão, a vacina pode ser menos eficaz durante o tratamento com everolímus. A utilização de vacinas vivas deve ser evitada durante o tratamento com everolímus. Alguns exemplos de vacinas vivas são: vacina intranasal contra a gripe, vacina contra o sarampo, vacina contra a parotidite infeciosa, vacina contra a rubéola, vacina oral contra a poliomielite, vacina BCG (Bacilo Calmette - Guérin), vacina contra a febre amarela, vacina contra a varicela e vacina tifoide TY21a.

Palivizumab + Vacina contra a gripe

Observações: Não foram realizados estudos formais de interação com outros medicamentos.
Interações: No estudo de Fase III IMpact - RSV em crianças prematuras e com displasia broncopulmonar, a proporção de doentes nos grupos tratados com placebo e palivizumab que receberam as vacinas de rotina, vacina da gripe, broncodilatadores ou corticosteroides foi semelhante e não se observou aumento nas reações adversas entre os doentes tratados com estes medicamentos. Considerando que o anticorpo monoclonal é específico para o RSV, não se espera que palivizumab interfira com a resposta imunitária às vacinas.

Zanamivir + Vacina contra a gripe

Observações: O zanamivir não se liga às proteínas plasmáticas e não é metabolizado ou modificado a nível hepático. Não é provável a ocorrência de interações medicamentosas clinicamente significativas.
Interações: Quando administrado durante 28 dias, o zanamivir não diminuiu a resposta imunitária à vacina contra a gripe.
Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

As vacinas contra a gripe inativadas podem ser usadas em todas as fases da gravidez.

A vacina pode ser utilizado durante a amamentação.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 31 de Outubro de 2019