Plerixafor

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência na Condução
O que é
Plerixafor é um imunomodulador.

Plerixafor bloqueia uma proteína na superfície das células estaminais hematopoiéticas.
Esta proteína "fixa" as células estaminais hematopoiéticas à medula óssea.

O plerixafor melhora a libertação de células estaminais para a corrente sanguínea (mobilização).
As células estaminais podem depois ser colhidas por uma máquina que separa os constituintes do sangue (máquina de aférese) e posteriormente congeladas e conservadas até ao seu transplante.

Se a mobilização é difícil Plerixafor é utilizado para ajudar a colher células estaminais hematopoiéticas para a recolha, armazenamento e reintrodução (transplantação) em doentes com linfoma (um cancro dos glóbulos brancos) ou com mieloma múltiplo (um cancro que afeta as células plasmáticas na medula óssea).
Usos comuns
Plerixafor é usado para tratar o linfoma não-Hodgkin (NHL) e mieloma múltiplo (MM).

É usado juntamente com colónias de granulócitos fator ou G-CSF (eg, filgrastim, pegfilgrastim) estimular a mobilização de células-tronco hematopoéticas (CTH) para coleta e transplante.

Plerixafor está disponível apenas com prescrição médica.
Tipo
Molécula pequena
História
A molécula de 1,1 '- [1,4-fenilenobis (metileno)] bis [1,4,8,11-tetraazaciclotetradecano], que consiste em dois anéis Cyclam ligados aos átomos de azoto de amina por um 1,4-xililo espaçador foi sintetizada pela primeira vez por Fabbrizzi et al.em 1987, para a realização de estudos básicos sobre a química redox de compostos de coordenação dimetalica.

Em seguida, foi descoberta por acaso por Clercq que a molécula, pode ter uma utilização potencial no tratamento do HIV devido ao seu papel no bloqueio de CXCR4, um recetor de quimiocina que actua como um co-recetor para algumas estirpes de VIH (juntamente com principal recetor celular do vírus, CD4).

Outros estudos levaram à nova indicação para pacientes com cancro.
Indicações
É indicado, em terapêutica combinada com G-CSF, para potenciar a mobilização de células estaminais hematopoiéticas para o sangue periférico, para colheita e subsequente transplante autólogo em doentes com linfoma ou mieloma múltiplo em que a mobilização de células seja difícil.
Classificação CFT

16.03 : IMUNOMODULADORES

Mecanismo De Ação
O plerixafor é um derivado bicíclico, um antagonista seletivo reversível do recetor de quimocinas CXCR4 que bloqueia a ligação do seu ligando cognato, factor-1 derivado de células estromais (SDF-1), também designado por CXCL12.

Pensa-se que a leucocitose induzida por plerixafor e as elevações nos níveis de células progenitoras hematopoiéticas circulantes resultam de uma perturbação da ligação de CXCR4 ao seu ligando cognato, resultando no aparecimento de células maduras e pluripotentes na circulação sistémica.

As células CD34+ mobilizadas por plerixafor são funcionais e capazes de enxerto com capacidade de repopulação de longo prazo.
Posologia Orientativa
A dose recomendada de plerixafor é de 0,24 mg/kg peso corporal/dia.
Administração
Deve ser administrada por injeção subcutânea 6 a 11 horas antes da iniciação de cada aférese, após 4 dias de pré-tratamento com fator de estimulação das colónias de granulócitos (G-CSF).

Em ensaios clínicos, o plerixafor foi comummente utilizado durante 2 a 4 (e até 7) dias consecutivos.

O peso utilizado para calcular a dose de plerixafor deve ser obtido na semana antes daprimeira dose de plerixafor.

Em estudos clínicos, a dose de plerixafor foi calculada com base no peso corporal em doentes até 175% do peso corporal ideal.

A dose de plerixafor e o tratamento de doentes pesando mais de 175% do peso corporal ideal não foram investigados.

O peso corporal ideal pode ser determinado utilizando as seguintes equações:
sexo masculino (kg): 50 + 2,3 x ((Altura (cm) x 0,394) – 60);
sexo feminino (kg): 45,5 + 2,3 x ((Altura (cm) x 0,394) – 60).


Baseado na exposição crescente com peso corporal crescente, a dose de plerixafor não deve exceder 40mg/dia
Contraindicações
Hipersensibilidade ao Plerixafor.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Informe imediatamente o seu médico se
- pouco tempo depois de tomar este medicamento tiver uma erupção cutânea, inchaço em redor dos olhos, falta de ar ou falta de oxigénio, sentir cabeça esvaída quando está de pé ou sentado, sentir-se a desmaiar ou desmaiar.
- tiver dores na parte superior do abdómen, do lado esquerdo (barriga) ou no ombro esquerdo.

Efeitos secundários muito frequentes (podem afetar mais de 1 em 10 pessoas)
- diarreia, náuseas (enjoos), vermelhidão ou irritação no local da injeção

Efeitos secundários frequentes (podem afetar até 1 em 10 pessoas)
- dor de cabeça
- tonturas, sensação de cansaço ou má disposição
- dificuldade em adormecer
- gases, prisão de ventre, indigestão, vómitos
- sintomas no estômago como dor, inchaço ou desconforto
- boca seca, dormência à volta da boca
- transpiração, vermelhidão generalizada da pele, dores nas articulações, dores nos músculos e nos ossos.

Efeitos secundários pouco frequentes (podem afetar até 1 em 100 pessoas)
- reações alérgicas como erupção cutânea, inchaço à volta dos olhos, falta de ar
- reações anafilácticas, incluindo choque anafilático

Raramente, os efeitos secundários gastrointestinais podem ser graves (diarreia, vómitos, dores no estômago e náuseas).
Ataques cardíacos
Em ensaios clínicos, os ataques cardíacos em doentes com fatores de risco para ataque cardíaco após administração deste medicamentoe G-CSF foram pouco frequentes. Informe imediatamente o seu médico se sentir desconforto no peito.
Formigueiro e dormência
É frequente os doentes a fazer terapêutica de cancro sentirem formigueiro e dormência. Cerca de um em cada cinco doentes teve estas sensações. No entanto, estes efeitos não parecem ocorrer com mais frequência quanto utiliza este medicamento.
Nas análises sanguíneas poderá ter também um aumento na contagem dos glóbulos brancos no sangue (leucocitose).
Advertências
Gravidez
Gravidez
Gravidez:Todos os trimestres: D - Há evidências de risco em fetos humanos. Só usar se o benefício justificar o risco potencial. Em situação de risco de vida ou em caso de doenças graves para as quais não se possa utilizar drogas mais seguras, ou se estas drogas não forem eficazes.
Condução
Condução
Condução:A amamentação deve ser interrompida durante o tratamento com Plerixafor.
Condução
Condução
Condução:Alguns doentes sentiram tonturas, fadiga ou tiveram reações vasovagais; por este motivo aconselha-se precaução durante a condução.
Precauções Gerais
Potencial para mobilização de células tumorais em doentes com linfoma ou mieloma múltiplo
O efeito de potencial reinfusão de células tumorais não foi estudado adequadamente.

Quando o Plerixafor é utilizado em conjunto com o G-CSF para mobilização de células estaminais hematopoiéticas em doentes com linfoma ou mieloma múltiplo, as células tumorais podem ser libertadas da medula óssea e posteriormente recolhidas no produto de leucoferese.

A relevância clínica do risco teórico de mobilização de células tumorais não está totalmente elucidada.

Em estudos clínicos de doentes com linfoma não-Hodgkin e mieloma múltiplo, não se verificou mobilização de células tumorais com plerixafor.


Mobilização de células tumorais em doentes com leucemia
Num programa de uso compassivo, o Plerixafor e o G-CSF foram administrados a doentes com leucemia mielógena aguda e leucemia de células plasmáticas.

Em alguns casos, estes doentes registaram um aumento no número de células de leucemia circulantes.

Para o efeito de mobilização de células estaminais hematopoiéticas, o plerixafor pode causar mobilização de células leucémicas e subsequente contaminação do produto de aférese.

Por conseguinte, oplerixafor não é recomendado para mobilização e colheita de células estaminais hematopoiéticas em doentes com leucemia.

Efeitos hematológicos
Hiperleucocitose
A administração de Plerixafor em conjunto com o G-CSF aumenta os leucócitos circulantes bem como as populações de células estaminais hematopoiéticas.

As contagens de glóbulos brancos devem ser monitorizadas durante a terapêutica com Plerixafor.

Deverá ser feita uma avaliação clínica quando se administra Plerixafor a doentes com contagens de neutrófilos no sangue periférico superiores a 50x109/l.


Trombocitopenia
A trombocitopenia é uma complicação conhecida da aférese e foi observada em doentes em terapêutica com Plerixafor.

As contagens de plaquetas devem ser monitorizadas em todos os doentes em terapêutica com Plerixafor e a fazer aférese.

Reações alérgicas
O Plerixafor tem sido associado, com pouca frequência, a potenciais reações sistémicas relacionadas com injeção subcutânea como urticária, edema periorbital, dispneia ou hipoxia.

Os sintomas responderam aos tratamentos (por exemplo, anti-histamínicos, corticosteroides, hidratação ou oxigénio suplementar) ou resolveram-se espontaneamente.

Foram notificados casos de reações anafiláticas, incluindo choque anafilático, durante a experiência pós-comercialização mundial.

Devem ser tomadas precauções apropriadas devido ao potencial para estas reações.

Reações vasovagais
Podem ocorrer reações vasovagais, hipotensão ortostática e/ou síncope após injeções subcutâneas.

Devem ser tomadas precauções apropriadas devido ao potencial para estas reações.

Esplenomegalia
Em estudos pré-clínicos, foram observados pesos superiores absolutos e relativos do baço com hematopoiese extramedular após administração subcutânea diária prolongada (2 a 4 semanas) de plerixafor em ratos, em doses aproximadamente 4 vezes mais altas do que a dose humana recomendada.

O efeito de plerixafor no tamanho do baço em doentes não foi avaliado especificamente em estudos clínicos.

A possibilidade de o plerixafor, em conjunto com o G-CSF, poder causar aumento do baço, não pode ser excluída.

Devido à ocorrência muito rara de rutura esplénica após administração de G-CSF, os indivíduos a tomar Plerixafor em conjunto com G-CSF que comunicarem dor na região superior esquerda do abdómen e/ou dor escapular ou no ombro, devem ser avaliados quanto à integridade do baço.

Sódio
Plerixafor contém menos de 1 mmol de sódio (23 mg) por dose, ou seja, é essencialmente “isento de sódio”
Cuidados com a Dieta
Como é administrado por injeção subcutânea (por baixo da pele), não são necessárias restrições relativas à comida ou bebidas
Terapêutica Interrompida
Plerixafor é administrado em ambiente hospitalar, não é provável que esqueça uma dose.
Cuidados no Armazenamento
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.


O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.
Espectro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.
Sem efeito descrito

Plerixafor + Rituximab

Observações: Não foram realizados estudos de interação. Os testes in vitro mostraram que o plerixafor não foi metabolizado por enzimas P450 CYP, não inibiu nem induziu enzimas P450 CYP. O plerixafor não se comportou como substrato nem como inibidor da P-glicoproteína num estudo in vitro.
Interações: Em estudos clínicos de doentes com linfoma não-Hodgkin, a adição de rituximab a um regime de mobilização de plerixafor e G-CSF não teve impacto na segurança do doente nem na produção de células CD34+. - Rituximab
Identificação dos símbolos utilizados na descrição das Interações do Plerixafor
Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

Não deve ser utilizado durante a gravidez exceto se o estado clínico da mulher requerer tratamento com plerixafor.

A amamentação deve ser interrompida durante o tratamento com Plerixafor.

Plerixafor pode influenciar a capacidade de conduzir e utilizar máquinas.

Alguns doentes sentiram tonturas, fadiga ou tiveram reações vasovagais; por este motivo aconselha-se precaução durante a condução ou utilização de máquinas.



Informação revista e actualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 08 de Setembro de 2020