Bromelaína

DCI com Advertência na Gravidez DCI/Medicamento sujeito a Monitorização Adicional
O que é
A bromelaína é um extracto obtido a partir do caule do ananás, embora esteja presente em todas as partes da planta fresca e da fruta, o qual tem muitos usos.

O extrato tem um historial de uso popular e medicinal recentes.

Como um suplemento crê-se que tenha efeitos anti-inflamatórios.

A bromelina também contém substâncias químicas que podem interferir com o crescimento de células tumorais e coagulação do sangue, retardando-o; porém não há nenhuma pesquisa certificada que mostre qualquer eficácia contra tumores.

Como ingrediente culinário é usado principalmente como um amaciante.

O termo "bromelina" pode referir-se a qualquer uma das duas enzimas protease, extraída a partir de plantas da família Bromeliaceae, ou pode referir-se a uma combinação das referidas enzimas, juntamente com outros compostos produzidos em extracto.

O Instituto Nacional de Saúde EUA classifica a bromelina como sendo possivelmente só eficaz contra a osteoartrite, mas apenas quando tomado em associação com tripsina e rutina (Phlogenzym).

O mesmo instituto afirmou que possivelmente é ineficaz para a prevenção do cansaço muscular pós-exercício.

Além disso, não há evidências que avaliem a eficácia do produto para qualquer outra doença.
Usos comuns
Em conjunto com a papaína, a Bromelaína é uma das enzimas que mais têm sido utilizadas para tornar a carne mais tenra, em marinadas, antes de se cozinhar.

Em termos históricos, as enzimas enterecedoras da carne eram frequentemente injectadas no músculo do animal a abater ainda enquanto estava vivo.

Esta prática, hoje considerada não ética, praticamente já não é utilizada, sendo substituída por outros métodos de aplicação postmortem, aceitáveis para partes de carne de menor qualidade.

Hoje, cerca de 90% do enterecimento de carne usando enzimas é feito a nível doméstico.

A Bromelaína é vendida na forma de pó, que poderá ser combinado com uma marinada ou polvilhado directamente sobre a carne crua.

A enzima penetrará, então, na carne, tornando-a mais tenra e, eventualmente, de sabor mais agradável depois de cozinhada.

Contudo, se se mantiver a acção da enzima sobre a carne durante demasiado tempo, o resultado poderá ser considerado como "demasiado pastoso" para as preferências de alguns consumidores.

A Bromelaína pode ser utilizada em várias situações clínicas.

Foi, pela primeira vez utilizada nesta área em 1957.

Actua ao bloquear alguns metabólitos pró-inflamatórios que aceleram e agravam o processo inflamatório.

É, por isso, um agente anti-inflamatório, podendo ser utilizado no caso de lesões desportivas, traumas, artrites e outros tipos de inchaços.

Além da já referida utilização por desportistas, é particularmente usada para casos de problemas digestivos, flebites, sinusites e como auxiliar de cura após cirurgia.

Tem também sido proposta a sua utilização no tratamento de insuficiência venosa crónica, vulnerabilidade às equimoses, gota, hemorróidas, dores menstruais, doenças autoimunes e colites ulcerosas.

Alguns estudos têm demonstrado que a bromelaína também pode ser útil na redução da adesão de plaquetas sanguíneas que levam à formação de trombos, principalmente a nível arterial.

Poderá mesmo ser útil no tratamento da SIDA ao bloquear a disseminação do HIV1.

Os seus efeitos secundários incluem náuseas, vómitos, diarreia, menorragia e possibilidade de reações alérgicas.

Um estudo também chegou a associar a Bromelaína com elevadas frequências cardíacas.

A utilização de suplementos em quantidades inferiores a 460 mg tem demonstrado não ter efeito na frequência cardíaca; contudo, ao aumentar as doses para 1840 a frequência cardíaca começa a aumentar proporcionalmente.

A Bromelaína é obtida do toco ou de porções da raiz da planta do ananás após a colheita do fruto.

Tais partes são descascadas e trituradas de modo a extrair o sumo com a enzima, que é solúvel.

Posteriormente, ocorrem processos como a precipitação da enzima com o fim de a purificar.

Tais procedimentos devem ocorrer em fábricas e laboratórios sob condições muito restritas e controladas de modo a assegurar a qualidade a nível microbiológico.

Outras proteases de origem vegetal incluem a papaína (da papaia), actinidina (do kiwi) e a ficina (do figo) que provocam, geralmente, uma certa adstringência na mucosa da boca quando são consumidas.
Tipo
Agente anti-inflamatório.
História
A presença de enzimas proteolíticas no sumo de ananás foi detectada pela primeira vez em 1892 por Chittenden, que denominou o extracto como bromelina.

Posteriormente, o termo 'bromelaína' foi introduzido, tendo como definição qualquer protease de qualquer planta da família Bromeliaceae.

A bromelaína começou por ser usada como suplemento terapêutico em 1957.

As primeiras pesquisas foram aparentemente levadas a cabo no Havai, mas recentemente têm sido feitas pesquisas em países na Ásia, Europa e América Latina.

A Alemanha tem demonstrado interesse na pesquisa de bromelaína, sendo aí o 13.º medicamento herbal mais utilizado.
Indicações
Processos edematosos de natureza inflamatória ou traumática, nomeadamente:
- Para reduzir a intensidade e a duração do edema dos processos inflamatórios e dos hematomas.

- Lesões desportivas: Hematomas e edemas pós-traumáticos, e pós-imobilização.

- Contusões, luxações, entorses, distensões e rutura de ligamentos, traumatismo das partes moles com edema.

- Outras: Edema dos tecidos moles.
Classificação CFT
09.05     Enzimas anti-inflamatórias
Mecanismo De Ação
A Bromelina aumenta a atividade fibrinolítica do sangue, assim como inibe a síntese de fibrinogénio.

Também degrada diretamente fibrina e fibrinogénio.

Cininogénio e soro de bradicinina e níveis teciduais são reduzidos pela bromelina, e isso também afeta a síntese de prostaglandina, que lhe dá os seus efeitos anti-inflamatórios.

Descobriu-se que a bromelaína reduz a excreção de citocinas pró-inflamatórias, assim como quimiocinas, num estudo sobre o possível mecanismo de acção na colite ulcerativa, doença inflamatória do intestino, e doença de Crohn.
Posologia Orientativa
1 comprimido revestido, 4 vezes ao dia.

Não exceder a dose máxima diária de 4 comprimidos (160 mg).
Administração
Via oral.
Contraindicações
Não tomar bromelaína:
- se tiver alergia (hipersensibilidade) à bromelaína.
- se tiver hemofilia, tendência para hemorragias, úlcera do estômago ou do duodeno, lesões graves a nível do rim e fígado.

Não deve ser administrado a crianças com idade inferior a 12 anos, exceto se recomendado por um médico.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
A bromelaína pode causar naúseas, vómitos e diarreia.

Foram descritas reacções de hipersensibilidade que incluem erupções cutâneas e asma.

Muito raramente foram descritos casos de meno-metrorragias (sangramento menstrual anormal).

Se algum dos efeitos secundários se agravar ou se detectar quaisquer efeitos secundários não mencionados aqui, deve informar o médico ou farmacêutico.
Advertências
Gravidez
Gravidez:Não há dados disponíveis. Risco fetal desconhecido, por falta de estudos alargados.
Precauções Gerais
Tomar especial cuidado com bromelaína:
- Não deve ser utilizado por um período superior a 7-10 dias, exceto se prescrito por um médico.
- Deve ser utilizado com precaução nos doentes com alterações da coagulação ou com lesões graves a nível do rim e fígado.
Cuidados com a Dieta
Deve ser tomado preferencialmente entre as refeições (aproximadamente 1 hora antes).

A Bromelaína deve ser ingerida com o auxílio de líquidos.
Terapêutica Interrompida
No caso de se ter esquecido de tomar algum comprimido tome-o assim que se lembrar.

A seguir continuar o tratamento segundo as instruções do folheto informativo.

Não tomar uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de tomar.
Cuidados no Armazenamento
Não conservar acima de 25º C.

Manter fora do alcance e da vista das crianças.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.
 Multiplos efeitos Terapêuticos/Tóxicos

Ananás ou abacaxi + Bromelaína

Observações: Tem sido documentada potenciação de amoxicilina e tetraciclina devido ao aumento do volume de distribuição por bromelina.
Interações: N.D.

Bromelaína + Anticoagulantes orais

Observações: N.D.
Interações: A utilização simultânea de Bromelaína e anticoagulantes exige frequentemente, um ajuste posológico adequado.
Deve informar o médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

Embora a bromelaína possa ser tomada com a maioria dos outros medicamentos, deve evitar-se a associação a terapêuticas anticoagulantes ou anti-agregantes plaquetários, de modo a minimizar ao máximo o risco de possíveis hemorragias.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 10 de Março de 2016