MICOSES - Quando os fungos atacam…

MICOSES - Quando os fungos atacam…

DOENÇAS E TRATAMENTOS

  Tupam Editores

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Está com manchas vermelhas na pele, com os dedos e as unhas a escamar? Sente uma comichão constante na cabeça, tem queda de cabelo e não sabe do que se trata? Cuidado, pode ser uma micose!

Micoses (do grego myke, fungo) é o nome dado às infeções humanas, ou animais, originadas por fungos – organismos primitivos que vivem no ar, na água, no solo e em outras superfícies. A exposição é inevitável! Estão por todo o lado e em permanente contacto com a nossa pele, o que nos sujeita a, pelo menos uma vez na vida, contrair uma infeção.

De entre as milhares de espécies conhecidas, apenas algumas são patogénicas para o ser humano, ou seja, são capazes de invadir o seu organismo, onde encontram as condições favoráveis para sobreviverem, crescerem e se reproduzirem.

No fundo, trata-se de infeções oportunistas pois estes fungos apenas causam doença quando existe uma debilidade no hospedeiro. No caso do Homem, de entre as condições que alteram o equilíbrio entre o fungo e o seu hospedeiro o destaque vai para o calor, a humidade, a pele oleosa, uma diminuição das defesas ou o uso prolongado de antibióticos.

As infeções fúngicas podem ser classificadas quanto à localização da infeção, mecanismo de transmissão e tipo de virulência. Quando classificadas de acordo com a sua localização, as micoses são designadas de superficiais e profundas.

micose nos pés

As superficiais – as mais comuns – correspondem às formas de infeção localizadas na superfície da epiderme, anexos epidérmicos e revestimento epitelial das mucosas, e são causadas por dois tipos de fungos: os dermatófitos e os fungos da espécie Candida. Já nas micoses profundas, os parasitas podem infetar a pele e os órgãos internos, como os pulmões, intestino, ossos, sistema nervoso e outros.

As mais comuns: micoses superficiais

Mais habituais em homens jovens e obesos, as micoses superficiais representam 10 a 20 por cento dos motivos para consultas de dermatologia, sendo por isso importante saber como prevenir este problema que vai além do estético.

Existem várias formas de manifestação das micoses cutâneas superficiais, dependendo do local afetado e também do tipo de fungo causador da micose. Estas compreendem as dermatofitias (tineas ou tinhas) – que constituem cerca de metade de todas as infeções fúngicas da pele –, a candidíase, a pitiríase versicolor, a tinha negra e as piedras.

Provovando frequentemente comichão intensa, a Tinea capitis afeta o couro cabeludo, as sobrancelhas ou as pestanas, e provoca a perda de pelo em pequenas zonas circunscritas que vão crescendo, com tendência a ficarem com vermelhidão e a apresentarem pequenas escamas de pele, com ou sem pus e inflamação aparente. A Tinea barbae provoca lesões semelhantes, na zona da barba, também com ou sem sinais de inflamação ou comichão.

A infeção por Tinea corporis manifesta-se por manchas circulares ou ovais com pequenas escamas ou vesículas nas bordas e com o centro de cor vermelha ou avermelhada; outras vezes em forma de anel com uma borda vermelha e o centro já curado. Localiza-se no tronco e nos membros, mas também em zonas do rosto sem pelos.

Pescoço

A infeção por Tinea cruris manifesta-se nas virilhas, períneo e região perianal podendo estender-se pela parte interna dos músculos, como placas nos dois lados, de cor avermelhada a acastanhada, com finas escamas e borda de progressão avermelhada. A infeção transmite-se por toalhas, roupas interiores e roupas de cama. Nos homens pode estar associada a Tinea pedis, pois a queda do fungo pelas calças é bastante frequente.

A Tinea pedis é a infeção mais frequente, sendo que 15 por cento das pessoas já sofreram, ou sofrem dela. Também conhecida por “pé de atleta”, a infeção localiza-se entre os dedos e na planta do pé. Muitas vezes é adquirida com a prática de desporto com os pés descalços ou em balneários de uso coletivo. Pele esbranquiçada e macerada, por vezes com fissuras dolorosas, entre os dedos, são as suas formas de manifestação.

O parasitismo da unha – onicomicose ou tinea unguium – pode manifestar-se como um espessamento ou descolamento da unha, por vezes com alterações de cor, em geral de tom esbranquiçado.

Tinea negra – assintomática, esta infeção manifesta-se pela formação de manchas escuras na palma das mãos ou plantas dos pés.

Para além destes, os fungos Candida e Malassezia também podem causar infeções.

Consulta de dermatologia

A Pitiríase Versicolor, também conhecida como micose de praia ou pano branco, é uma doença crónica que aparece e desaparece ciclicamente e com uma distribuição universal. O fungo que a causa pertence ao género Malassezia e trata-se de uma infeção mais frequente nos adolescentes e jovens.

O aspeto típico desta infeção é a presença na pele de manchas brancas, com descamação, localizadas na parte superior dos braços, tronco, pescoço e rosto. Essas manchas podem estar agrupadas ou isoladas. Mais raramente, as manchas da pitiríase versicolor são escuras ou avermelhadas.

A Candidíase é uma infeção causada por fungos do género Candida. Este género de fungos pode causar micoses superficiais e micoses profundas, de maior gravidade.

Algumas das suas formas de apresentação são os conhecidos “sapinhos” nos recém-nascidos, que assumem a forma de placas esbranquiçadas na mucosa oral, fissuras nos cantos da boca, mais comuns no idoso, ou a formação de lesões em placa vermelhas delimitadas que apresentam uma exsudação esbranquiçada e com fissuras a nível das pregas da pele, como as pregas inframamárias, axilares ou inguinais. Estas infeções nas pregas cutâneas são também designadas como infeções intertriginosas ou vulgarmente por intertrigo. Este tipo de micoses tendem a causar comichão ou ardor.

Piedra é o termo espanhol que designa as infeções da haste do pelo, caracterizadas pela presença de incrustrações nodulares de cor preta (piedra negra), ou branco-acinzentada (piedra branca), causadas, respetivamente, pelo ascomiceto Piedraia hortai e pela levedura Trichosporon beigelii.

A piedra branca é uma infeção assintomática que se manifesta por sinais como: aparecimento de formações nodulares de um tom branco acinzentado na haste do cabelo, pelo púbico, da região axilar, da região perianal, da barba e bigode. Os nódulos são facilmente destacáveis do pelo. Raramente podem ser acompanhados de lesões eritematosas da pele que, especialmente nas regiões inguinais e perineais, podem provocar prurido.

A Piedra negra, tal como a branca, é assintomática sendo normalmente diagnosticada pela presença de nódulos de coloração escura endurecidos, muito resistentes e aderentes. Estes nódulos, contudo, surgem apenas no cabelo, podendo ser únicos ou múltiplos num único cabelo.

Embora sejam geralmente benignas, as micoses superficiais podem ser difíceis de eliminar e repetem-se muitas vezes nas pessoas com maior sensibilidade. Por essa razão, tanto o diagnóstico como o tratamento deste tipo de infeções deve ser orientado por um médico dermatologista.

Tratamento e prevenção das micoses

O tratamento das micoses é variável, pois depende do tipo e gravidade da infeção.

Para as tinhas, o médico dermatologista opta habitualmente por cremes antimicóticos. Os pós antimicóticos não costumam ser eficazes neste tipo de infeções. Os princípios ativos mais comuns dos cremes antifúngicos são o miconazol, o clotrimazol, o econazol, e o quetoconazol.

Tratamento de fungus

O tratamento das onicomicoses deve ser prolongado e pode ser feito recorrendo a medicamentos locais ou orais. Estas micoses das unhas são as de tratamento mais difícil e também mais demorado, podendo ser necessário manter o tratamento durante mais de doze meses. Uma interrupção prematura do tratamento pode determinar o seu fracasso.

Geralmente, as micoses superficiais por Candida são facilmente curadas mediante a utilização de cremes ou loções antifúngicas. O creme deve ser aplicado, habitualmente, durante 7 a 10 dias. Por se tratar de uma infeção oportunista, é fundamental identificar os fatores de base, para os corrigir, e evitar novos episódios.

A Pitiríase Versicolor pode ser tratada recorrendo a medicamentos antifúngicos de aplicação tópica (cremes, loções, sprays e champôs) ou a medicamentos de administração oral (comprimidos) dependendo da extensão da infeção. O tratamento tópico é o tratamento de eleição na maioria dos casos.

Como em todas as doenças, é sempre melhor prevenir do que tratar e, no caso das micoses, manter a higiene pessoal em dia é meio caminho andado para evitar este tipo de infeção.

Ambientes com humidade e calor são ideais para o desenvolvimento e reprodução de fungos. Por isso, praias, piscinas, saunas e balneários estão entre os locais que mais favorecem a contaminação. Isso ocorre porque a humidade faz com que a pele fique mais fina, portanto mais suscetível à penetração dos fungos, logo, ao frequentar este tipo de locais, deve redobrar a atenção.

As pessoas devem evitar emprestar objetos pessoais como toalha, escova de cabelo, chinelos, meias, calçado e roupas, que podem ser um meio de contaminação, caso sejam partilhadas com pessoas infetadas. Não usar roupas e calçado muito apertado e evitar os tecidos sintéticos, pois estes absorvem o calor e o suor prejudicando a transpiração da pele. Optar, antes, por peças de algodão, pois permitem uma maior ventilação da pele e absorvem melhor a humidade.

Não andar descalço, secar bem o corpo depois do banho, principalmente entre os dedos dos pés, abaixo do peito, nas axilas e virilhas e não permanecer com roupas molhadas durante muito tempo. Se transpirar muito, ter sempre uma peça de roupa de reserva.

Ter o seu próprio estojo de unhas com alicates, tesouras e lixas, e mantendo-os sempre esterilizados. No salão, deverão certificar-se de que as manicuras realizam o procedimento corretamente.

Manter os ambientes sempre limpos e secos em casa para evitar a proliferação de fungos.
Em caso de suspeita de micose, evitar a automedicação, pois só um profissional da saúde poderá diagnosticar o problema. Não deixar de o consultar o mais rapidamente possível, pois não cuidar do problema logo no seu início só o irá agravar.

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
10 de Fevereiro de 2021

Referências Externas:

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