FÉRIAS, QUE MEDICAMENTOS LEVAR? - Descansar sem sobressaltos

FÉRIAS, QUE MEDICAMENTOS LEVAR? - Descansar sem sobressaltos

SOCIEDADE E SAÚDE

  Tupam Editores

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Férias são sinónimo de viagem, aventura, ar livre e liberdade. Um cenário positivo e ansiado durante todo o ano mas que pode comportar alguns riscos. Preparar-se para as situações mais comuns, e precaver alguns imprevistos, é uma atitude que pode aliviar muito do stress nesse período, que deve ser de descanso e sem sobressaltos para a saúde.

Sempre se ouviu dizer que “quem vai para o mar, avia-se em terra” e que “o seguro morreu de velho”, e se há altura em que estes provérbios populares fazem sentido é antes de ir de férias. Além de tudo o que é preciso programar e acautelar antes de uma viagem, há algumas coisas básicas que devem ir sempre connosco. Os medicamentos, são uma delas.

É verdade que, a não ser que se tenha uma doença crónica, ou se esteja a fazer algum tipo de tratamento, ninguém imagina que vai ficar doente ou precisar de tomar medicação durante as férias, mas os imprevistos acontecem. Por essa razão, nada melhor do que preparar um kit de viagem com todos os medicamentos e outros utensílios importantes, que poderão vir a revelar-se imprescindíveis.

Férias-saúde

A preparação deste kit, contudo, exige alguns cuidados. Em primeiro lugar, deve ser sempre adaptado a cada viagem que se inicia, tendo em conta as condições pré-existentes, ou seja, o estado e condição de saúde dos passageiros – se tem alguma doença crónica ou alergia, se está a seguir algum tratamento, e ainda se viaja com crianças ou idosos.

O destino da viagem, de certa forma, determina o tipo de medicamentos a levar. Devem ser analisados os recursos de saúde, as condições sanitárias e de higiene e os microrganismos existentes no local, para além da facilidade de obter fármacos (em alguns países africanos, por exemplo, é difícil adquirir medicamentos básicos).

A época do ano, e o tipo de viagem (mochila às costas vs viagem para um hotel) também são importantes e interferem na vulnerabilidade do viajante, tal como as atividades que se pretendam realizar.

Tendo presente todos estes aspetos, deve ser contabilizado o tempo de viagem e permanência no destino, mas levar duas vezes a quantidade necessária de medicamentos para a estadia de modo a fazer face a qualquer imprevisto. Convém verificar os prazos de validade, certificando-se que todos permanecem dentro do prazo até regressar a casa.

Antes de partir, o viajante deve estar preparado para enfrentar os incómodos resultantes da mudança de clima, altitude, humidade, temperatura e resultantes da presença de agentes infeciosos específicos e de diferentes condições higienossanitárias.

Para ajudar à preparação da viagem e, sobretudo, quando se vai viajar para fora da Europa, nomeadamente para destinos tropicais, existe a Consulta do Viajante, à qual se deve dirigir, de preferência, um mês antes. Esta consulta está disponível em centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde, e nos serviços de saúde privados.

Durante a consulta são dadas informações e recomendações acerca das medidas preventivas a adotar antes, durante e depois da viagem. Estas medidas incluem a vacinação, medicação profilática (como por exemplo da malária), informação sobre cuidados a ter (em relação à água e aos alimentos a ingerir, por exemplo) e outros aspetos para que se deve estar alerta quando se viaja. É ainda feito aconselhamento sobre os medicamentos que o viajante deve levar consigo – uma ajuda preciosa para os menos experientes nestas andanças.

Consulta-viajante

O que levar numa farmácia de viagem

Em todas as viagens podem acontecer imprevistos, não importa qual o destino nem se o viajante está a tomar medicamentos. Assim, é recomendável viajar com um estojo básico de farmácia, que deverá incluir:
Analgésicos/antipiréticos, para a febre e alívio das dores (como por exemplo, dores de cabeça, ouvidos, dentes), de preferência medicamentos à base de paracetamol;
Antigripais, as mudanças climáticas e o contacto com novos vírus podem ocasionar gripe;
Anti-inflamatórios, tratam as inflamações mas também são analgésicos e antitérmicos;
Antiácidos, para a azia e indigestão;
Antieméticos, para enjoos ou vómitos;
Antidiarreicos, para tratar a diarreia aquosa sem febre (mediante aconselhamento médico), um laxante para a obstipação, e ainda um normalizador da flora intestinal (em comprimidos ou saquetas);
Antibiótico de largo espectro (quando aconselhado pelo médico), para tratar as infeções mais comuns dos viajantes: diarreia do viajante, infeções de pele ou mucosas, infeções do trato respiratório ou urinário);
Soluções de reidratação oral, para prevenir a desidratação em situações de vómitos ou diarreia;
Anti-histamínico e/ou corticoide tópico, sobretudo para quem tenha história de reações alérgicas (como, por exemplo, à picada de mosquito);
Repelente de insetos, para proteção contra a picada de mosquitos transmissores de doenças como malária, febre amarela, dengue e encefalite, e que contenham DEET ou IR3535;
Descongestionante nasal e oftalmológico e soro fisiológico em monodoses, para a congestão nasal e a conjuntivite não infeciosa, e para ajudar quem tenha problemas de ouvidos nos aviões;
Relaxante muscular, pois as horas de voo e as muitas e longas caminhadas não perdoam;
Protetor solar, para proteger da exposição solar, devendo ser adequado ao grau de exposição solar e ao tipo de pele;
Creme hidratante e com zinco, para reparação de lesões e irritações cutâneas, como por exemplo, pós-exposição solar.

Este estojo deve conter ainda um termómetro, preservativos e alguns produtos para fazer face a pequenos problemas como feridas, nomeadamente um antissético, pensos rápidos, compressas esterilizadas, ligaduras, tesoura e pinça.

Kit-viagem

Além dos medicamentos referidos, deverão ser incluídos os que se destinam às doenças crónicas para todo o período da viagem, seja de uma semana, um mês ou seis meses, pois os medicamentos diferem de país para país e o acesso aos mesmos nem sempre é fácil.

Os doentes com terapêutica continuada devem ter cuidados particulares, como seja, viajar acompanhados de doses extra de medicação necessária; com uma receita médica onde constem os nomes dos medicamentos e respetiva substância ativa, as doses, formas farmacêuticas e posologia; se a medicação requerer o uso de seringas, estas devem ser incluídas na bagagem em quantidade necessária para o tratamento e fazer-se acompanhar de uma justificação médica.

Devem, aliás, levar fotocópias das receitas médicas e/ou comprovativos médicos de todos os tratamentos que estão a em curso – uma regra crucial em muitos países onde a entrada com certos medicamentos pode ser dificultada.

Uma farmácia de viagem, cuidada, é meio caminho andado para umas férias tranquilas. Contudo, nem só os medicamentos que dela fazem parte são importantes, o seu transporte é crucial para não correr o risco de comprometer a qualidade dos produtos.

Cuidados a ter no transporte de medicamentos

Os medicamentos devem ser transportados na embalagem original e devidamente acondicionados, para garantir a sua conservação, facilitar a identificação em caso de urgência e evitar problemas na alfândega.

Se viajar de carro, não coloque os medicamentos no porta-luvas pois é um espaço pequeno e quente, que pode deteriorá-los. No caso de transporte de medicamentos que devam ser conservados no frio (como insulina), recorrer a caixas térmicas.

Nas viagens de avião, deve transportar os medicamentos na bagagem de mão. Assim, tem-lhes acesso durante a viagem, evita que sofram a ação das temperaturas extremas do porão e que se percam em caso de extravio da bagagem. Existem, contudo, algumas regras a cumprir.

Atendendo a que existem restrições para o transporte de líquidos nos aviões, no caso de transportar este tipo de medicamentos ou medicamentos injetáveis, deverá contactar o Instituto Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Os medicamentos líquidos, como os xaropes, devem ser transportados em frascos ou tubos com capacidade até 100 mililitros (no total de 1 litro por passageiro), dentro de um saco de plástico transparente que possa ser aberto, para que as autoridades verifiquem o conteúdo. Se precisar de transportar mais de 100 ml terá de fazer-se acompanhar pela receita médica/cópia ou declaração médica preferencialmente escrita em inglês ou francês.

Relativamente aos medicamentos líquidos em aerossol ou géis (LAG) é permitido o transporte de injetáveis (ex: insulina), sem que seja obrigatório qualquer pedido de autorização à ANAC. Ainda assim, é aconselhável a apresentação de um comprovativo – receita ou declaração médica.

Medicamentos-férias

Para o transporte de seringas e agulhas também não é necessária a autorização da ANAC. No entanto, é aconselhável que o passageiro se faça acompanhar de um documento que comprove a sua necessidade, para facilitar e tornar célere o controlo de segurança nos aeroportos. Já os medicamentos sólidos, como os comprimidos e as cápsulas, não têm restrições.

Se estas regras não forem respeitadas, os medicamentos poderão ser confiscados ou o passageiro poderá ser obrigado a entregar a bagagem para seguir no porão – uma situação a evitar a todo o custo.

Uma vez no destino, deve preservar os medicamentos do calor e humidade, mantendo-os num espaço fresco e seco (a casa de banho não é o local adequado).

No caso de adquirir medicação no estrangeiro, esteja ciente dos riscos de falsificação de medicamentos, que pode existir em alguns países, e das variações dos nomes de marcas pois o mesmo nome pode não significar a mesma composição.

Alguns medicamentos podem não estar disponíveis no país de destino ou não possuir a mesma dosagem. Nunca se devem comprar medicamentos em mercados abertos ou a vendedores de rua, a sua aquisição deve ser feita em farmácias reconhecidas. No regresso, os doentes que adquiram medicamentos no estrangeiro devem informar o seu médico.

Para poder desfrutar das férias com tranquilidade e saúde há que planear bem a viagem. Leve os números de telefone do seu médico e do farmacêutico, e considere a aquisição de um seguro de saúde ou a obtenção do Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD), no caso de a viagem ser para a União Europeia.

Siga todos os conselhos aqui enunciados e terá menos hipóteses de se deparar com imprevistos. Aproveite as férias!

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
02 de Outubro de 2020

Referências Externas:

O QUINTO SABOR

DIETA E NUTRIÇÃO

O QUINTO SABOR

O paladar é o sentido que nos permite reconhecer os gostos das substâncias. A língua humana identifica os gostos básicos doce, azedo, salgado, amargo e …umami.
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