DIA MUNDIAL DO CANCRO, AS CRIANÇAS DE HOJE, O MUNDO DE AMANHÃ

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DIA MUNDIAL DO CANCRO, AS CRIANÇAS DE HOJE, O MUNDO DE AMANHÃ

  Tupam Editores

A União Internacional Contra o Cancro (UICC) assinala todos os anos o Dia Mundial do Cancro a 4 de Fevereiro, data definida em 2000 na Carta de Paris, para divulgar os problemas relacionados com o risco, o diagnóstico e o tratamento de doentes com cancro.

Tendo por objectivo consciencializar a população para esta doença e encorajar a sua prevenção, detecção e tratamento, a UICC aspira a que as gerações vindouras vivam num mundo em que o cancro tenha sido eliminado do grupo das principais doenças mortais.

O ano passado foi lançada uma campanha de prevenção do cancro 2007-2012. Teve como ponto de partida a constatação de que pequenas alterações no estilo de vida e padrões de comportamento adequados podem ajudar a diminuir o risco de cancro, em grande medida definidos antes da adolescência. Asssim, não é de estranhar que os alvos desta campanha sejam os mais novos, os seus pais e os educadores.

Cancro é o termo genérico usado para definir um grupo de mais de 100 doenças que podem afectar qualquer parte do corpo. Outros termos usados são tumores malignos e neoplasias.

Estes podem ser muito diversos, com causas, evolução e tratamentos diferentes, mas têm uma característica em comum – a divisão e o crescimento descontrolado das células.

O nosso organismo é constituído por unidades microscópicas, que designamos por células, que se dividem periodicamente e de forma regular com a finalidade de substituir as já envelhecidas ou mortas e manter assim a integridade e o correcto funcionamento dos vários órgãos.

O processo de divisão celular é regulado por uma série de mecanismos de controlo que ordenam à célula quando se deve dividir e quando se deve manter inalterada.

Quando estes mecanismos de controlo se modificam numa célula, esta e as suas descendentes – células filhas – iniciam uma divisão descontrolada que, com o tempo, irá dar origem a um tumor ou nódulo.

Os cancros são o resultado de células que recebem mensagens "erradas" dos seus genes.

O cancro é a principal causa de morte em todo o mundo. De um total de 58 milhões de mortes em todo o mundo, em 2005, o cancro foi responsável por 7,6 milhões (o equivalente a 13 por cento) das mortes.

Os principais responsáveis por esta taxa de mortalidade são o cancro do pulmão (1,3 milhões de mortes por ano), do estômago (cerca de 1 milhão de mortes), do fígado (662 mil mortes), do cólon (655 mil morte) e da mama (502 mil mortes).

Prevê-se que o número de mortes em todo o mundo continue a aumentar, estimando-se em 9 milhões o número de pessoas a morrer devido a esta doença em 2015 e de 11,4 milhões em 2030.

Apesar das alarmantes estimativas para os anos vindouros, devemos ter presente que pelo menos um terço dos casos de cancro podem ser prevenidos. A prevenção é a estratégia com a melhor relação custo-eficácia , a longo prazo, no controlo do cancro.

De entre as doenças mais ameaçadoras para a humanidade, o cancro é a que mais facilmente se pode prevenir e curar.

Fazendo parte da campanha de cinco anos lançada em 2007 sob o título Today’s children, tomorrow’s world, para este ano, a UICC continua a destacar a importância da criança como veículo para a educação dos adultos.

Sendo o cancro do pulmão o que mais facilmente se pode prevenir, através da eliminação do consumo de tabaco, este ano, o slogan escolhido pela organização foi I love my smoke-free childhood.

tabaco

Este slogan apela ao reconhecimento de que não existe um nível seguro de exposição ao fumo passivo, chamando a atenção para a responsabilidade dos pais providenciarem um ambiente seguro e saudável às crianças.

Cerca de 700 milhões de crianças – quase metade da juventude mundial – respira diariamente o fumo do tabaco, em casa e nos automóveis. Esta iniciativa pretende chamar a atenção dos pais, professores e decisores políticos para a importância de um ambiente saudável e sem fumo.

É um facto conhecido que metade das pessoas que fumam regularmente – cerca de 650 milhões – morrerão eventualmente devido a esse hábito, mas desconhecia-se que centenas de milhares de fumadores passivos são igualmente afectados.

Um único cigarro, fumado numa divisão com pouca ventilação, gera maiores concentrações de substâncias tóxicas e cancerígenas na atmosfera do que aquelas a que se está exposto num dia normal, numa cidade normal.

A qualidade do ar no interior de um automóvel com um fumador, é semelhante ou pior do que a qualidade do ar num bar de fumadores.

Os não-fumadores expostos, ainda que brevemente, a um ambiente com fumo assimilam e metabolizam os componentes do fumo do cigarro.

A exposição de crianças ao fumo passivo aumenta o risco de baixo peso à nascença, Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL), infecções auditivas, deficiente desenvolvimento pulmonar, bronquite, pneumonia, asma, tosse e pieira (chiadeira) no peito.

Apesar de muitos países, incluindo Portugal, terem legislação específica para controlo do tabaco em locais públicos, visando a protecção das crianças e dos não fumadores, mantém-se a exposição a que se está sujeito em ambiente doméstico, sendo esta a fonte de exposição mais considerável para as crianças.

A aplicação de leis restritivas acaba por motivar muitas pessoas a abandonar o vício de fumar ou a evitar fazê-lo em ambiente doméstico.

O tabaco, independentemente do seu uso, provoca em todo o mundo 80 por cento das mortes no sexo masculino e cerca de metade entre o feminino.

Os fumadores têm risco acrescido de desenvolver vários tipos de cancro, entre os quais o do pulmão, laringe, faringe, esófago, bexiga, cervix, rim e pâncreas. O do pulmão é o mais conhecido e o que mais facilmente pode ser evitado.

As crianças são um importante veículo de conhecimento e formação dos pais e mais uma motivação para que estes abandonem o hábito de fumar.

A UICC assinala, também, que o diagnóstico precoce é a melhor forma de salvar milhares de vidas, dado que a maior parte dos cancros pode ser facilmente tratada quando detectados numa fase inicial.

É urgente compreendermos que o cancro é um problema global, que não respeita fronteiras e nos afecta a todos directa ou indirectamente. Para o combatermos, é necessário melhorar os meios de prevenção, a detecção precoce, o tratamento e os cuidados.

A saúde pública, a prevenção (incluindo o controlo tabágico), os cuidados continuados e os cuidados paliativos farão parte dos assuntos a discutir – assim como a transferência de conhecimentos (investigação e tratamento) –, no World Cancer Congress 2008, que se realizará em Geneva, na Suíça, de 27 a 31 de Agosto.

Realizado bianualmente, o UICC World Cancer Congress tem como objectivo primeiro a tradução da investigação científica e comportamental em prevenção, detecção precoce, tratamento, apoio psicológico e cuidados paliativos.

Aposta na promoção do desenvolvimento de planos nacionais contra o cancro, como pedra basilar de uma estratégia anticancerígena a nível mundial.

Desenvolve planos eficazes de controlo tabágico e programas de saúde pública, e pretende, igualmente, angariar organizações patrocinadoras num esforço para controlar a doença.

Ao assinalar-se mais um Dia Mundial Contra o Cancro, entre outras actividades, foi lançado um livro de cariz científico da UICC, sob o título Smoke-Free Environments for Children, como mais uma forma de se distinguir a importância de um mundo sem fumo para as crianças de todas as idades.

Em Portugal, de acordo com dados da Direcção-Geral de Saúde, esta doença mata por ano mais de 23 mil pessoas.

Para assinalar este dia Mundial Contra o Cancro, foi recentemente criada uma linha de apoio aos doentes oncológicos, cujo número é 808 255 255 estando já operacional e disponível todos os dia úteis, das 17h00 às 22h00.

Ver mais:
ALIMENTAÇÃO ANTICANCEROSA
CANCRO DA PELE
CANCRO DA PRÓSTATA
CANCRO DO COLO DO ÚTERO, DOENÇA DE EVOLUÇÃO SILENCIOSA
CANCRO, INVESTIGAÇÃO E NOVAS TERAPIAS
CRIANÇA HIPERACTIVA, SEMPRE LIGADA A UM MOTOR
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA: NA PALMA DA MÃO DO MUNDO
EXPOSIÇÃO SOLAR E O CANCRO DA PELE
LUTA CONTRA O CANCRO DA MAMA
TESTIS CANCRI
UNICEF, 60 ANOS NA SAÚDE E BEM-ESTAR DA CRIANÇA


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Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
27 de Abril de 2017

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