DESENVOLVIMENTO INFANTIL: A IMPORTÂNCIA DOS LIMITES

DESENVOLVIMENTO INFANTIL: A IMPORTÂNCIA DOS LIMITES

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

  Tupam Editores

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De alguns anos para cá, vêem-se muitos pais com dificuldade em impor limites aos seus filhos.

Se se depara com birras na hora de comer, dormir, tomar banho, estudar ou acessos de raiva quando diz “Não” ao seu filho, então, é fundamental compreender a relevância dos limites para o desenvolvimento infantil.

Seja por falta de tempo ou disposição para ditar as regras da casa, muitos pais estão a criar crianças que não sabem ouvir um “Não”, e que não podem ser contrariadas. Mas é crucial que elas percebam desde cedo que as suas vontades não são a única prioridade.

A família desempenha um papel fundamental nesse processo, pois ajuda-as a compreender o seu lugar no mundo e a importância de considerar as necessidades dos outros. A falta de limites pode alimentar um narcisismo não saudável, onde a criança cresce a acreditar que o universo gira à sua volta, ignorando as necessidades e perspetivas alheias.

A construção dos limites deve começar muito cedo. Quanto mais precoce for esse processo, mais sólidas serão as bases para o desenvolvimento saudável da criança. Os pais devem estar cientes, contudo, que o caminho para que os limites sejam compreendidos e respeitados requer perseverança e insistência. E o estabelecimento de rotinas bem definidas e muito diálogo com a criança são fundamentais.

Impor limites não é algo que apenas vai facilitar a vida dos pais, é um meio para o desenvolvimento da criança e para o seu bem-estar nos diferentes ambientes da sociedade. Não impor barreiras significaria educar a criança para seguir comportamentos inadequados e sem controle, com dificuldade para entender as regras dos ambientes.

Isso afetaria negativamente o seu desempenho escolar e o processo de aprendizagem; a capacidade para lidar com desafios profissionais; o estabelecimento de relações interpessoais adequadas e a estabilidade emocional.

Pode não parecer, mas impor limites durante o desenvolvimento infantil é um ato de amor, pois ajuda a diminuir a ansiedade, melhora a tolerância, ensina regras de convivência, cidadania e a importância delas, além de criar uma noção apurada de responsabilidade.

O primeiro passo é exercer a autoridade e ser constante. Pai e mãe devem deixar bem claro que as autoridades máximas dentro de casa são eles.

Os limites e as regras devem ser impostos de forma a que a criança seja capaz de entender porque pode ou não fazer determinadas coisas, o que pode fazer ou não em determinados lugares, e assim por diante.

Um parceiro nunca deve desautorizar o outro.


As decisões devem ser tomadas em conjunto e ser absolutas em ambas as partes. Quando um desautoriza o outro, a criança fica confusa e não consegue entender o que realmente deve ou não ser feito.

Depois de impor as regras, é fundamental que elas se tornem parte constante da vida da criança, sejam praticadas todos os dias e da forma como foi dito pelos pais. Se elas mudam com frequência ou são cheias de exceções, as crianças entendem que nem sempre são válidas e que podem ser contornadas.

Quando a criança não cumprir com alguma regra ou desobedecer, é preciso impor alguma consequência, não física, para que esta consiga perceber que quando não fizer a parte dela, isso vai resultar em algo nada bom.

Por outro lado, se ela estiver a cumprir com as suas obrigações e a obedecer às regras, não deixe de a felicitar e de incentivar o comportamento.

 

As regras e as punições devem ser adaptadas conforme a faixa-etária e as necessidades da criança. É importante reparar nas coisas que são do seu agrado, como é a sua rotina, dentre outras coisas, pois de nada adianta os pais não o deixarem ir a um passeio no fim de semana com os amigos se ele não tiver o hábito, ou não apreciar, esse tipo de atividade.

É importante deixar bem claro que as regras não são válidas só em casa. Ao explicar o porquê de determinada regra, a criança fica consciente de que certo comportamento não deve ser repetido. E, caso seja necessário, o educador deve reforçar que esse comportamento não deve ser praticado em casa, e em nenhum outro lugar.

Muitas vezes, os pais têm dificuldade em estabelecer regras, mas elas são importantíssimas para o desenvolvimento saudável das crianças. Na verdade, elas precisam de regras para se sentirem seguras, e de conhecer os seus limites até para poderem ser autónomas. E isso também afeta a sua autoestima. Para se tornarem adultos saudáveis, as crianças precisam de aprender a lidar com contrariedades, com momentos de frustração, e a conhecer os seus limites.

Se perceber que precisa de ajuda para impor limites aos seus filhos procure um neuropediatra – o profissional mais indicado e capacitado para lidar com este tipo de situação. Ele poderá aconselhá-lo e indicar-lhe outros métodos para impor limites aos seus pequeninos.


Desistir não é uma opção!


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