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Material vitrocerâmico bioativo tem múltiplas aplicações médicas

Próteses oculares, ossículos artificiais do ouvido, tratamento da sensibilidade nos dentes, entre outras diversas outras soluções médicas, com menos rejeição do que outros implantes artificiais e estimulando a regeneração de tecidos ósseos: estas são as aplicações e vantagens de um material vitrocerâmico desenvolvido por pesquisadores do Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (CeRTEV), em São Carlos, no Brasil, em colaboração com equipas da Universidade de Pádua (Itália), da Universidade do Estado da Pensilvânia (Estados Unidos) e do Centro Nacional de Pesquisa (Egito).

Material vitrocerâmico bioativo tem múltiplas aplicações médicas

“O estudo está na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento e fornece novas ideias para melhorar e tornar mais sustentável a produção de materiais vitrocerâmicos para aplicações biomédicas”, disse Jonathon Foreman, um dos autores do estudo.

A partir de resinas de silicone comerciais baratas, carbonatos de cálcio e de sódio e fosfato de sódio, os pesquisadores conseguiram produzir composições semelhantes às do biossilicato.

Esse material, desenvolvido na década de 1990 no próprio CeRTEV, patenteado e licenciado para uma empresa, é produzido hoje nas formas de pó, de grânulos, de estruturas de suporte macroporosas para enxerto ósseo, de fibras ou como peças únicas (monolíticas) pela tecnologia convencional de fabrico de vitrocerâmica.

O método tradicional para produzir o biossilicato consiste na cristalização controlada de um vidro especial por meio de tratamentos térmicos. Mas o resultado é um produto muito frágil.
“Por meio da cristalização controlada de um biovidro conseguimos produzir o biossilicato que, além de ter alta resistência mecânica, é usinável, bioativo e bactericida”, contou Edgar Dutra Zanotto, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do CeRTEV.

Ao entrar em contato com fluidos corporais, como a saliva e o plasma sanguíneo, o biossilicato sofre reações que levam à formação, na sua superfície, de uma camada de hidroxicarbonato apatita (HCA) - composto quimicamente semelhante à fase mineral dos ossos. Dessa forma, o material vitrocerâmico bioativo tem a capacidade de aderir a ossos, dentes e até mesmo cartilagens, além de estimular a regeneração do tecido ósseo.

Uma das aplicações mais recentes do biossilicato é em implantes intraorbitais, conhecidos popularmente como “olhos de vidro”. Como o biossilicato é bioativo, os implantes intraorbitais feitos à base do material vitrocerâmico aderem aos tecidos circundantes ao olho do paciente.

“Com isso, o implante adquire a mesma mobilidade do olho não danificado, além de ser bactericida, minimizando o risco de infeção”, explicou Zanotto.

“O licenciamento do material já foi solicitado pelos investigadores para uma empresa, que está a aguardar a autorização da Anvisa, entidade que regula os medicamentos e produtos de saúde no Brasil, para comercializar o produto”, disse ainda o investigador.

Fonte: Diário da Saúde

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