CANCRO

Cientistas podem ter identificado origem das metástases cancerígenas

Numa descoberta promissora, cientistas internacionais alegam ter identificado como se originam as metástases cancerígenas, o que pode “reescrever o que sabemos sobre o processo de crescimento do cancro”, afirmam.

Cientistas podem ter identificado origem das metástases cancerígenas

“Se, como acreditamos, encontrámos o começo da estrada, talvez tenhamos que pressionar o botão de reset sobre como tratamos o cancro com medicamentos”, afirmou o professor Michael Lisanti, da Universidade de Salford, no Reino Unido, que fez a descoberta juntamente com os seus colegas Federica Sotgia e Marco Fiorillo.

O trabalho do grupo oferece novas evidências de que as células-tronco cancerígenas são altamente proliferativas e impulsionadas pela função mitocondrial.

Com recurso a técnicas de autofluorescência, a equipa isolou as células mais energéticas numa série de linhagens celulares de cancro derivadas de tumores de mama humanos.

Eles descobriram que as células-tronco cancerígenas mais dinâmicas, representando 0,2 por cento da população de células, tinham características especiais, com significativamente mais energia do que as células cancerígenas comuns.

A equipa comparou então o desempenho das diversas células em termos de hiperfunção mitocondrial, taxa de proliferação e um fator que eles chamam de “stemness” - se a célula é capaz de agir como uma célula-tronco e criar um tumor.

Os resultados mostraram que as células apresentam características de senescência com um biomarcador chamado p21-WAF aumentado em aproximadamente 17 vezes nessas células-tronco cancerígenas.

“Se perguntarmos de onde vêm essas células, as evidências indicam que elas emergem de células senescentes (em processo de morte)”, disse a professora Sotgia, acrescentado que estas “exibem marcas de senescência, mas não são mais senescentes, romperam a senescência”.

A explicação para esse fenómeno parece estar na resposta à pergunta: como as células cancerígenas conseguem “re-energizar-se”? Elas podem usar antioxidantes e/ou a energia mitocondrial para se libertarem do tumor original e, assim, reverter o processo do ciclo celular que as levaria à morte, sublinharam os autores do estudo.

Se essa descoberta se confirmar, várias quimioterapias terão que ser repensadas, segundo a equipa. Além disso, a descoberta reforça receios anteriores de que, em vez de serem agentes sempre benéficos e benignos, os antioxidantes podem causar cancro.

“Isso abre-nos uma nova janela sobre como tratar o cancro. A maioria dos pacientes com cancro morre devido à disseminação de células tumorais para locais distantes, conhecida como metástase. A evidência é cada vez maior de que as células-tronco cancerígenas metastáticas, alimentadas pelas mitocôndrias, são as responsáveis pela disseminação dos tumores”, explicaram os cientistas.

“No entanto, a maioria das quimioterapias alveja as células cancerígenas. Algumas quimioterapias fazem, inclusive, com que as células-tronco cancerígenas proliferem ainda mais”, concluiu Lisanti.

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