ALZHEIMER

Prémios Santa Casa Neurociências distinguem estudos sobre Alzheimer

Os Prémios Santa Casa Neurociências, atribuídos pela Misericórdia de Lisboa, distinguem este ano trabalhos sobre uma proteína e a doença de Alzheimer e o uso de exosqueletos na recuperação de pessoas com lesões vertebro-medulares, anunciou a organização.

Prémios Santa Casa Neurociências distinguem estudos sobre Alzheimer

A equipa liderada pela neurocientista Luísa Lopes, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, obteve o Prémio Mantero Belard, pela proposta de estudo de uma proteína que está na origem de uma outra proteína, associada à doença de Alzheimer.

Um grupo coordenado por Nuno Sousa, da Universidade do Minho, foi galardoado com o Prémio Melo e Castro, com o projeto de recuperação de pessoas com lesões vertebro-medulares através do uso aperfeiçoado de um exosqueleto (estrutura desenvolvida para auxiliar a locomoção de pessoas paraplégicas) controlado pela atividade do cérebro. Cada uma das equipas é premiada com 200 mil euros.

Consideradas das bolsas de investigação científica ou clínica mais importantes do país na área das neurociências, os Prémios Santa Casa Neurociências distinguem estudos sobre doenças neurodegenerativas ligadas ao envelhecimento como a doença de Alzheimer e Parkinson (Prémio Mantero Belard) e trabalhos sobre a recuperação, o tratamento ou a cura de lesões na espinal medula (Prémio Melo e Castro).

Em declarações à Lusa, a neurocientista Luísa Lopes explicou que a sua equipa se propõe estudar a função da proteína precursora amiloide (APP), que processa a beta-amiloide, uma proteína tóxica associada à doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência.

A ideia, adiantou, é perceber, numa fase mais precoce, como é que a proteína APP, que “é essencial para os neurónios” (células cerebrais) em condições normais, “passa a ter um processamento diferente” à medida que se envelhece.

Justificando o “alvo” de estudo, Luísa Lopes mencionou a elevada taxa de fracasso dos tratamentos contra a Alzheimer, por incidirem sobre a proteína beta-amiloide e quando a doença já se manifestou e há morte de neurónios.

O estudo será feito em ratinhos e com amostras de neurónios obtidos a partir de células de pele de pessoas jovens e idosas saudáveis ou doentes.

O investigador Nuno Santos, da Universidade do Minho, disse à Lusa que o projeto que coordena pretende “complementar as abordagens de reabilitação em doentes com lesões vertebro-medulares e ajudar a melhorar a qualidade de vida destes pacientes”.

A sua equipa vai testar um exosqueleto - o “fato”, como lhe chama Nuno Santos, que permite aos doentes “recuperarem alguma da sua função motora” - em pacientes com lesões vertebrais que estão a ser acompanhados em programas de reabilitação em hospitais em Portugal e no Brasil.

Nuno Santos esclareceu que o exosqueleto é controlado por sinais eletroencefalográficos do doente, ao qual “serão também fornecidas informações sensoriais” - tácteis, visuais, nomeadamente usando a realidade virtual, e térmicas.

O exosqueleto é, assim, controlado pela atividade do cérebro, cujas células, os neurónios, são “excitadas” por estímulos sensitivos.

Os vencedores da edição de 2018 dos Prémios Santa Casa Neurociências foram escolhidos por um júri liderado pela médica e professora Catarina Aguiar Branco, que preside à Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, uma das entidades parceiras da iniciativa.

Fonte: Lusa

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