RADIAÇÃO

Wi-Fi e radiação do telemóvel aumentam risco de aborto em quase 50%

Novas evidências científicas têm demonstrado que a radiação de campo magnético de redes Wi-Fi e telemóveis poderá aumentar o risco de aborto em 50 por cento.

Wi-Fi e radiação do telemóvel aumentam risco de aborto em quase 50%

Um novo estudo financiado pelo Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos Estados Unidos descobriu que a radiação não ionizante de campo magnético (MF) - também conhecida como exposição a campo eletromagnético ou EMF - está associada a um aumento significativo da taxa de aborto espontâneo.

A radiação MF é emitida não apenas por redes Wi-Fi e telemóveis, mas também por linhas de energia e transformadores, eletrodomésticos, antenas de rede móvel, etc.
O estudo, conduzido por investigadores da Divisão de Estudo Kaiser Permanente, avaliou 913 mulheres grávidas.

As participantes receberam equipamentos para medir as radiações MF com o objetivo de monitorizar a sua exposição num período de 24 horas. As mulheres também fizeram relados detalhados sobre as suas atividades durante o período de monitorização.

Os dados apurados mostraram que as mulheres expostas aos mais altos níveis de radiação MF eram 48 por cento mais propensas a sofrer abortos do que as mulheres expostas aos menores valores.

De-Kun Li, líder do estudo, apelou para que fossem realizados "estudos adicionais sobre os riscos ambientais potenciais para a saúde humana - incluindo a saúde das mulheres grávidas" da exposição à radiação MF.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu também recentemente os efeitos da radiação MF como uma "prioridade de pesquisa".

A OMS também classifica a radiação EMF como um possível cancerígeno de classe 2B - a mesma categoria na qual coloca toxinas como DDT e chumbo.

A quantidade de radiação que pode causar danos à saúde humana ainda não foi identificada, advertiu o investigador.

Segundo a American Pregnancy Association, as probabilidades de um aborto - definido como a perda de um bebé com menos de 20 semanas de gravidez - estão atualmente entre 15 e 20 por cento para a maioria das mulheres nos Estados Unidos.

O estudo descobriu que a taxa de aborto espontâneo para as mulheres expostas aos níveis mais altos de radiação MF foi de 24,2 por cento, enquanto aquelas expostas a níveis mais baixos tiveram um risco de 10,4 por cento.

Os resultados mantiveram-se independentemente de outros fatores, incluindo se as mulheres tinham um histórico de aborto, idade materna, renda, estado civil, etnia, educação, tabagismo, uso de álcool e consumo de café.

Outras pesquisas já realizadas também mostraram que esse tipo de radiação pode afetar a saúde materna. Um estudo de 2002 publicado na revista Epidemiology e que contou com a participação de 969 mulheres revelou um aumento do risco de aborto com exposição à radição MF acima de um certo nível.

Este estudo, realizado durante 24 horas, identificou 16 mG, ou milliGauss, como o limiar para maior risco.

Quatro outros estudos nos últimos 15 anos mostraram igualmente um aumento do risco de aborto espontâneo devido à exposição à MF.

Dois desses estudos avaliaram especificamente o impacto dos campos eletromagnéticos de telemóveis e redes sem fio - e observaram que o uso mais frequente de telemóveis e a proximidade de estações rádio-base sem fio estavam associados a um risco maior de aborto espontâneo.

Outros estudos mostraram evidências diretas de impacto biológico adverso. Os cientistas examinaram tecidos embrionários humanos para avaliar a associação entre a exposição à MF e o crescimento embrionário e descobriram um risco aumentado de crescimento embrionário prejudicado e apoptose (morte celular) associado à exposição a níveis mais elevados de MF.

A radiação de campo magnético também tem sido associada ao desenvolvimento de cancro e danos genéticos.

De acordo com os cientistas, é possível limitar a sua exposição à radiação MF. Os especialistas afirmam que as mulheres grávidas devem manter os telemóveis longe do abdómen e evitar carregá-los perto do corpo, como no bolso ou sutiã.

Outras medidas para reduzir essa exposição são colocar o telemóvel em modo avião, falar ao telemóvel usando fones de ouvido, não passar muito tempo a falar ao telemóvel ou preferir falar por mensagens de texto e ainda preferir usar o telefone fixo.

Alguns especialistas também recomendam desligar o router à noite, especialmente se o aparelho estiver no quarto. É importante minimizar a exposição à radiação MF durante a noite, sobretudo durante o sono, pois é nessa altura que o organismo repara danos no ADN.

Pode-se também optar por substituir a tecnologia Wi-Fi em casa pela Internet com fio e comprar-se um medidor de frequência de radiação para avaliar o nível de EMF em casa.

Contudo, é importante referir que nem todos os cientistas concordam que a radiação MF é perigosa. Alguns afirmam que esse tipo de radiação é muito fraco para penetrar no corpo humano o suficiente para causar efeitos adversos.

Fonte: Natural Health 365

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