PULMÃO

Composto do cardo trava metástases cerebrais

Uma terapia experimental com base num composto do cardo permitiu quadruplicar a sobrevida média de 18 pacientes com cancro do pulmão. Em causa está a substância silibinina, um composto presente nas sementes do cardo mariano.

Composto do cardo trava metástases cerebrais

A equipa, liderada pelo investigador espanhol Manuel Valiente, forneceu comprimidos com esse extrato de cardo a 18 pacientes terminais, com carcinoma pulmonar e metástases cerebrais, em combinação com o tratamento padrão de quimioterapia.

A sobrevida média desses pacientes, 15 meses e meio, quadruplicou, quando comparado com a dos pacientes que não tomaram o composto. E em três casos as metástases cerebrais desapareceram até que fossem indetetáveis.

Os resultados, embora ainda muito preliminares, são otimistas. "Entre dez a 30 por cento dos pacientes com cancro desenvolvem uma metástase cerebral. E o tratamento é muito difícil", afirmou Valiente, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO), em Madrid, Espanha.

As metástases cerebrais afetam 200 mil pessoas por ano somente nos Estados Unidos. E o prognóstico geralmente é mau ou muito mau.

O novo estudo, publicado na revista Nature Medicine, explica os mecanismos desses efeitos extraordinários do composto do cardo mariano.

O cancro do pulmão é o tumor que mais frequentemente causa uma metástase cerebral. As metástases cerebrais segregam substâncias que ativam o gene STAT3 em astrócitos, células em forma de estrela que, em condições normais, ajudam a manter os neurónios saudáveis.

Com o STAT3 ativado, os astrócitos vizinhos ao tumor favorecem o crescimento do tumoral e formam uma barreira que impede a chegada de defesas antitumorais. O composto silibinina do cardo atua no cérebro e inibe o STAT3, travando este processo, o que permite combater total ou parcialmente a metástase.

Esta é a primeira terapia experimental dirigida contra metástases cerebrais, segundo Neibla Priego, farmacologista do CNIO e coautora do trabalho.

Os autores do estudo procuram agora financiamento, cerca de 700 mil euros, para realizar um ensaio clínico maior, com cinquenta pacientes.

Fonte: El País

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