COVID-19: NOVA VARIANTE DE PREOCUPAÇÃO

COVID-19: NOVA VARIANTE DE PREOCUPAÇÃO

SOCIEDADE E SAÚDE

  Tupam Editores

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O surgimento de nova variante da COVID-19 designada por Ómicron, com grande capacidade de mutação e altamente transmissível, vem alertar a comunidade científica para a necessidade de desenvolver novas vacinas menos suscetíveis a mutações rápidas no coronavírus, de acordo com declarações recentes de proeminentes virologistas e imunologistas à Agência Reuters.

Segundo estes cientistas, a maioria das vacinas COVID-19 de primeira geração tem como alvo a proteína S, que se prende à superfície externa do vírus SARS-CoV-2, usado para infetar as células humanas. Porém, a mais recente e dramática evolução do vírus, vem destacar a necessidade de novas vacinas que tenham como alvo constituintes do vírus menos suscetíveis de sofrer mutações.

Vários grupos de pesquisa e empresas farmacêuticas já começaram a trabalhar em vacinas de proteção mais ampla, que visem as partes essenciais de que o vírus depende para a sua capacidade de mutação e sobrevivência. Especialistas alertam, no entanto, que provavelmente levará mais de um ano e generosos financiamentos até que se consiga obter algum sucesso.

A Ómicron continua a disseminar-se rapidamente pelo mundo e já é causa de COVID-19 em pelo menos 57 países, o que levou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesu, a admitir que é espectável que este número continue a aumentar e que, dadas as suas caraterísticas de propagação global e grande capacidade mutação, possa vir a ter um maior impacto no curso da pandemia, mas não se podendo ainda quantificar.

Os primeiros focos da variante Ómicron, cuja origem é ainda desconhecida, foram reconhecidos e detetados na África do Sul e no Botswana no início de novembro de 2021, evento que coincidiu com o aumento de casos de COVID-19 na região e cuja transmissão se propagou rapidamente pelo mundo através das viagens.

Apesar de muitos dos infetados com esta nova variante se revelarem assintomáticos e ainda ser prematuro determinar a sua evolução, é possível desde já indicar os principais sintomas gerados pela Ómicron a ter em conta: cansaço, pequena irritação na garganta, dores de cabeça e febre ligeira.

Entretanto, a OMS veio dizer que ainda não tem registos de qualquer morte relacionada com esta nova variante, que foi descoberta pela investigadora portuguesa Raquel Viana a 19 de novembro e reportada à OMS a 24 do mesmo mês. Raquel Viana, vive e trabalha na África do Sul e é investigadora e diretora de ciência de um dos maiores laboratórios privados de testes.

Considerada por alguns países como último recurso absoluto, e perante a evolução da pandemia por COVID-19, o diretor-regional da OMS (Europa), Hans Kluger, através de recente conferência de imprensa online, veio apelar à obrigatoriedade de vacinar todas as crianças na faixa etária dos 5 aos 14 anos de idade, para sua melhor proteção, dado ser o grupo atualmente mais afetado pela doença.

No espaço europeu (EU / EEE), a taxa geral de notificação de casos COVID-19 tem vindo a aumentar desde há oito semanas consecutivas, situando-se atualmente em 742,1 casos de infeção por 100 mil habitantes, contra 626,2 na semana anterior. No entanto, a taxa de mortalidade devido à doença nos últimos 14 dias foi de 46,7 mortes por milhão de habitantes, em comparação com 46,9 mortes na semana anterior, permanecendo estável durante a última quinzena. Em termos de internamentos hospitalares ou ocupação em UCI, a tendência é também de aumento em pelo menos um destes indicadores, quando comparados com a semana anterior.

Constata-se que os casos de infeção na Europa crescem de forma explosiva nas regiões onde ainda se verificam baixas taxas de imunização, mas também nos países que, não obstante terem taxas de vacinação elevadas, estão em apuros e retomando medidas restritivas já abandonadas, deixando claro que a pandemia voltou a agravar-se e não tem fim à vista.

Segundo previsões do Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC), os casos de infeção na Europa vão continuar a subir, impulsionados pela nova variante Ómicron e pelas baixas temperaturas, que obrigam as pessoas a manter-se mais tempo em ambientes fechados e sem ventilação, propícios ao desenvolvimento da doença, alertando ainda que embora as vacinas evitem que muita gente adoeça e morra, nenhuma é 100% eficaz.

A liderar o processo de imaginar o futuro das ameaças infeciosas, a OMS congrega toda a informação obtida através de consultas a líderes mundiais e influenciadores de uma grande variedade de disciplinas para discutir o futuro, olhar para as tendências globais e construir consenso sobre as ações coletivas que a comunidade mundial pode realizar para atenuar os riscos em curso e previstos da COVID-19, bem como de outras potenciais ameaças infeciosas nos próximos 3 a 5 anos.

É também chegada a altura de os governos, organizações e profissionais de saúde pública começarem a pensar no enorme número de sobreviventes de COVID-19 que vão precisar durante algum tempo de cuidados continuados para uma variedade de sintomas físicos e psicológicos provocados pela pandemia e pelos longos períodos de isolamento a que estiveram sujeitos, sabendo-se desde já que pelo menos metade dos infetados permanece com sequelas até cerca de 6 meses, segundo revela um estudo alargado do Penn State College of Medicine da Pensilvânia, EUA.

Para avaliar os efeitos da infeção pelo vírus SARS-CoV-2 na saúde, a curto e longo prazo, os pesquisadores examinaram estudos mundiais publicados em dezenas de relatórios contendo dados de mais de 250 mil adultos não vacinados e crianças, diagnosticados com a doença entre dezembro de 2019 a março de 2021 e que recuperaram.

Da investigação resultou que os sobreviventes tiveram uma série de complicações de saúde associados à COVID-19 que afetaram o bem-estar geral dos pacientes e a sua mobilidade, com taxas de incidência praticamente constantes durante um a seis meses após o diagnóstico inicial da doença. Sintomas como cansaço extremo injustificado, dificuldade em respirar, dores no peito e articulações, bem como a perda de paladar ou do olfato, experimentados durante a doença, podem manter-se até seis meses ou mais após a recuperação da COVID-19, em adultos e crianças.

Responsáveis da ECDC têm vindo a insistir que a combinação de uma cobertura elevada de vacinação, aliada a uma redução efetiva de contactos sociais e higienização pessoal e dos ambientes, são fatores decisivos para reduzir o risco de sobrecarga nos sistemas de saúde nesta estação de outono/inverno. Aos países competirá realizar esforços no sentido de aumentar de forma contínua a cobertura da vacinação em todas as faixas etárias elegíveis, incluindo agora também as crianças e os jovens da comunidade escolar.

A eliminação de quaisquer lacunas de vacinação COVID-19 em populações mais vulneráveis e nos profissionais de saúde, antes do pico do inverno que se adivinha severo, é igualmente fundamental para atenuar os riscos de eventuais bloqueios nos sistemas de saúde, provocados pela gripe e outras doenças respiratórias, mais comuns nessa estação do ano.

Portugal, apesar de se manter entre os países que têm um dos mais elevados índices de vacinação, passou a constar da lista dos países de risco moderado a elevado, devido a um aumento de casos graves, hospitalização e mortalidade, sendo por isso necessária uma permanente vigilância, testagem contínua e manutenção dos cuidados preventivos, como distanciamento físico, higienização e melhor ventilação, em particular em ambientes escolares, dado se prever que sejam as crianças as mais atingidas nos próximos meses de inverno.

O tema da pandemia permanece na agenda dos governos de todo o mundo, levando-os a ponderar novas formas de resolver o problema dos desequilíbrios entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, através da criação de mecanismos mais eficazes de equidade na distribuição das vacinas pelos países economicamente mais débeis, como forma de proteger as fronteiras e impedir a propagação da COVID-19, tal como é reiteradamente recomendado pelos responsáveis da OMS e sem os quais nunca se conseguirá travar a pandemia.

O papel da OMS

Apesar das recomendações feitas pela OMS desde o início da pandemia, acerca da necessidade de uma postura ética e de equidade na distribuição das vacinas por todos os países e regiões do mundo, na realidade não foi possível atingir os objetivos delineados por aquela organização, dado que os países de alto e médio rendimento absorveram a maior parte das doses administradas em todo o mundo.

A eficácia vacinal e de testagem, resultou numa redução no número de contaminados e de mortes na generalidade dos países, tendo-se criado a falsa ilusão de que tudo já estava controlado. Na realidade, face a esses resultados, criou-se um certo clima de consenso de que a doença vai permanecer entre nós, sendo por isso necessário retomar as atividades económicas e sociais normais, já que o processo de vacinação se mostra eficaz, a população interiorizou a necessidade de precaução e as entidades reguladoras da saúde na maioria dos países têm vindo a reportar uma redução ou estabilização no número de internamentos hospitalares, com o consequente alívio da pressão nas urgências.

Com base na revisão da informação e dados científicos relacionados com a duração da imunidade, a diretora do departamento de imunização da OMS, Kate O´Brien, afirmou em conferência de imprensa, que as vacinas autorizadas pela OMS e pela maioria dos Reguladores oferecem uma proteção robusta pelo menos durante seis meses contra formas graves da doença.

Segundo o ourworldindata.org da Universidade de Oxford, 55,4% da população mundial já recebeu pelo menos uma dose da vacina para a COVID-19, tendo já sido administradas 8,31 mil milhões de doses a nível Global e 31,49 milhões são administradas por dia atualmente. Todavia, apenas 6,3% das pessoas de países com baixos recursos económicos receberam uma dose, o que é manifestamente injusto, quando comparamos por exemplo com os Emiratos Árabes Unidos, que já vacinaram 88,40% da sua população completamente e 98,10% receberam pelo menos uma primeira dose.

Proporcionar o acesso equitativo Global a uma vacina segura e eficaz, protegendo os profissionais de saúde em especial e todos os que estão em maior risco, é para a OMS a única maneira de mitigar o impacto económico e de saúde pública das pandemias, sendo que as vacinas são comprovadamente a arma mais eficaz para debelar a COVID-19 e caminhar progressivamente com maior segurança para o objetivo de imunizar toda a população. Contudo, parece haver cada vez maior unanimidade entre os especialistas, indicando que vamos ter de conviver com a endemia no futuro, tal como acontece com a gripe e outras viroses. A questão que se coloca é se iremos continuar a viver como antes ou se teremos de nos readaptar a novas formas de vida.

Os efeitos na saúde mental

Não existem hoje dúvidas de que a reação à COVID-19 já impôs novas formas de vida, quer no plano individual quer em sociedade, na tentativa de controlar a infeção e que se irão manter no futuro. À pandemia sucedeu rapidamente uma crise económica e ambas têm tido consequências “invisíveis” na saúde mental das populações. A avaliação do impacto psicológico do confinamento e autoisolamento das populações, as consequências ligadas ao desemprego, às dificuldades económicas e à exclusão social que afetam a humanidade, de uma ou outra forma, ainda estão longe de poder ser feitas.

A saúde mental e o bem-estar devem ser entendidos como direitos humanos fundamentais e os países devem repensar um modelo de acesso aos cuidados no setor. Entre as recomendações da OMS estão o reforço dos serviços de saúde mental, a melhoria do acesso aos cuidados por via digital, o incremento dos serviços de apoio psicológico nas escolas, universidades, locais de trabalho e em particular para os trabalhadores da primeira linha no combate à pandemia.

A saúde mental é uma componente-chave da saúde humana que requer ação imediata dos governos e Margaritis Schinas, vice-presidente da Comissão Europeia, deixa uma mensagem importante: “não há desculpas para atrasos” a lidar com o problema. Os cuidados com o bem-estar psíquico devem ser levados a sério, senão quando debelarmos esta pandemia teremos forçosamente de enfrentar outra – uma pandemia de saúde mental.

As novas variantes e a imunidade vacinal

Atualmente no terceiro lugar do ranking mundial de vacinação, segundo o site ourworldindata.org, há já alguns meses que Portugal ultrapassou o objetivo inicialmente indicado pela DGS para se atingir a imunidade de grupo, o que não veio trazer aos portugueses a “libertação total” da sociedade, como precocemente foi anunciado.

Não podemos esquecer que a variante Delta do SARS-CoV-2, atualmente com uma prevalência de 99% em Portugal e na maior parte dos países da UE, nos fez retroceder no longo percurso para debelar a doença. As notícias mais recentes da nova variante Ómicron já identificada em 19 países da europa dizem-nos que esta se poderá tornar prevalente a nível Global, baralhando mais uma vez todas as previsões e onstituindo nova preocupação para os especialistas e governos.

De referir que todos os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, sofrem mutações ao longo do tempo, e a maioria delas com pouco ou nenhum impacto nas características do vírus. Todavia, certas mutações conseguem afetar as suas propriedades, influenciando a sua capacidade de propagação, a gravidade da doença que causa ou a eficácia das vacinas, medicamentos ou outras medidas usadas para a combater, como se começa a perceber.

A preocupação com o surgimento da nova mutação do vírus é generalizada, mas a vacinação é, sem dúvida, a arma comprovadamente mais eficaz para vencer esta batalha. Numa luta contra o tempo, entre a vacinação e a progressão da doença, é necessário pedir a todos sem exceção, à população em geral, aos profissionais de saúde, cuidadores informais e forças de segurança, mais um esforço suplementar a fim de tentar travar definitivamente esta nova variante do SARS-CoV-2, e outras que eventualmente possam surgir.

Certificado Digital COVID-19 da UE

Os vírus não conhecem fronteiras. Com um crescente número de países a desconfinar e a renunciarem à obrigatoriedade de quarentena para os cidadãos que possuam um certificado digital de vacinação, ou outros comprovativos de efeito similar, adotados nas várias regiões do Globo, torna-se indispensável proteger as fronteiras e impedir a sua propagação de forma eficaz.

Na Europa, o certificado Digital COVID-19 da UE, em vigor desde o dia 1 de julho de 2021, foi criado com o objetivo de iniciar o desconfinamento no espaço da UE e facilitar a livre circulação entre os Estados-Membros para tentar salvar a economia. Para uma abordagem comum das medidas a adotar sobre viagens, os países acordaram então, estabelecer critérios uniformes de mapeamento das zonas de risco, através do uso de quatro cores identificativas num quadro-matriz de fácil e intuitiva interpretação.

Zona vermelho-escura: risco muito alto (mais de 500 casos por 100 mil pessoas); zona vermelha (entre 50 e 500 pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); laranja (menos de 50 casos por 100 mil pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); zona verde (menos de 25 casos por 100 mil pessoas e teste positivo inferior a 4%).

O Certificado Digital COVID-19 da UE, do qual já foram emitidos mais de 8,8 milhões em Portugal, está disponível em formato digital e em papel, tem de ser renovado a cada seis meses e serve para comprovar que o seu portador foi vacinado contra a COVID-19, recebeu um resultado negativo do teste ou recuperou de uma infeção COVID-19.

Perspetivas

Como já referido, uma saída sustentável da pandemia na UE depende dos progressos realizados a nível mundial, pois nenhum país ou região do mundo estarão seguros em relação à COVID-19 se a sua propagação não for contida a nível Global. Nesse sentido a UE e o conjunto dos Estados-Membros lideram desde a primeira hora o investimento no Mecanismo Mundial COVAX, tendo definida uma abordagem coordenada para partilha de vacinas através de um mecanismo autónomo, com o fim de ajudar os países parceiros e de economias mais débeis, a superar a atual pandemia.

Esse mecanismo é coliderado pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), The Vaccine Alliance (GAVI) e OMS, conjuntamente com a UNICEF, parceiro de distribuição, tendo por objetivo acelerar o desenvolvimento e fabrico de vacinas para a COVID-19 e garantir o acesso justo e equitativo para todos os países do mundo o que, no entanto, ainda está longe de se conseguir.

Terminado o ciclo de testagem e vacinação durante o período mais agudo de emergência levado a cabo pela task-force, após ter atingido o topo do ranking de vacinação a nível mundial, Portugal luta agora para regressar à atividade normal nos cuidados de saúde, numa altura em que a situação se agrava de novo, devido à variante Ómicron e à sazonalidade das infeções respiratórias.

Segundo o último relatório da DGS, foram recebidas até agora no país 23 017 910 doses e administradas 16 936 974. Destas, pelo menos 9 039 364 pessoas receberam uma primeira dose, 8 904 253 a vacinação completa e 1 530 075 receberam uma terceira dose de reforço, o que corresponde a cerca de 88,63% e 89,19% da população, respetivamente, números que colocam Portugal atualmente nos primeiros lugares da corrida mundial da vacinação contra a COVID-19.

Ainda segundo a DGS já foram efetuados no País mais de 22 298 899 milhões de testes (PCR+ Antigénio). Com pequenas oscilações, o País tem mantido a tendência de estabilização das taxas de contágio da pandemia nas últimas semanas, mas com o índice de transmissibilidade (Rt) a manter-se com um valor médio de 1,11 na globalidade do território nacional e com a incidência de infeção nos últimos 14 dias a subir de forma preocupante para 442,4 casos por 100 mil habitantes.

Situação atual na Europa

Segundo a ECDC, a situação epidemiológica geral no espaço da UE / EEE na última semana, é caraterizada por uma taxa geral de notificação de casos alta e crescente e uma taxa de mortalidade que tem vindo a aumentar lentamente. Observam-se agora taxas crescentes de notificação de casos e uma situação epidemiológica de grande ou muito elevada preocupação, em particular nas zonas ocidental e setentrional da UE / EEE. Esta situação é em grande parte motivada pela alta transmissibilidade da variante Delta prevalecente na região, que veio limitar a redução da transmissão alcançada através da vacinação.

Na última semana, a ECDC incluiu oito países europeus na lista de “grande preocupação”: Alemanha, França, Holanda, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Polónia, e República Checa; onze países foram considerados como “muito preocupantes”: Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda e Portugal; oito países obtiveram a classificação de “preocupação moderada”: Áustria, Eslovênia, Estónia, Islândia, Letônia, Lituânia, Malta, Roménia e dois de baixa preocupação: Espanha e Suécia.

As previsões de novos casos de infeção e mortes, produzidas pelo Centro Europeu de Previsões COVID-19 e de internamentos hospitalares e UCI indicam que a tendência dominante é de crescente aumento de casos, tendência de estabilidade em internamentos hospitalares e de admissões em UCI.

Os últimos dados disponíveis mostram um acréscimo de 63 novos casos de SARS-CoV-2 Omicron na UE / EEE, contribuindo para um total geral de 337 casos confirmados até agora. De acordo com fontes públicas, os casos foram notificados por 21 países a saber: Alemanha (15), Áustria (15), Bélgica (14), Croácia (3), Dinamarca (83), Espanha (11), Estónia (6), Finlândia (9), França (32), Grécia (3), Islândia (12), Irlanda (1), Itália (11), Letônia (2), Liechtenstein (1), Noruega (29), Países Baixos (36), Portugal (37), República Checa (2), Romênia (2) e Suécia (13). Vários outros casos prováveis estão atualmente a ser investigados em outros países.

Em Portugal, o número diário de óbitos tem vindo de novo a aumentar de forma preocupante tendo-se registado nas últimas 24 horas mais 23 fatalidades. Foram ainda confirmados mais 3588 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-Cov-2, o que perfaz um total – desde que a pandemia foi detetada no país em Março do último ano, de 1 181 294 infetados, 1 097 554 recuperados e 18 610 vítimas mortais. Há ainda a registar 65 130 casos ativos da doença, 961 internamentos hospitalares e 142 casos críticos, que estão a ser acompanhados em UCI pelas autoridades de saúde.

O agravamento da situação tem vindo a travar o processo de desconfinamento e abertura económica na região europeia devido à predominância das novas variantes e a chegada do inverno, sentindo-se um certo receio entre as comunidades, devido à imprevisibilidade na evolução de outras potenciais estirpes da COVID-19.

É por isso necessário avançar com cuidado, ter paciência e saber esperar. É imprescindível que além da vacinação com doses de reforço, as demais regras de prevenção como o uso de máscara, a higienização pessoal e a prática de distanciamento, entre outras recomendações das autoridades da saúde e que o bom senso aconselha, sejam seguidas, mesmo após a vacinação completa.

A COVID-19 a nível Global

Segundo dados do site worldometers, que aglutina a informação disponibilizada pela OMS e pelos principais Centros de Controle e Prevenção de Doenças em todo o mundo, desde 31 de Dezembro de 2019 até hoje, dia 10 de dezembro de 2021, foram notificados em todo o mundo 268 888 409 casos de doença, incluindo 5 306 237mortes e mais de 242 019 027 recuperados.

A nível Global o número de casos e fatalidades tenham vindo a estabilizar lentamente, porém nas últimas 4 semanas notou-se um novo agravamento, em particular nas regiões norte americana e africana. Significativamente, o continente americano continua a ser o mais fustigado pela pandemia, em termos absolutos, com o número de infetados a ultrapassar 99 471 684, seguido da Ásia, com um total de 82 910 710 infetados, da Europa com 77 196 418 reportados e de África também com um aumento para 8 923 021 pessoas. A Oceânia com 385 855 contaminados continua a ser o continente com menos casos registados, embora nas duas últimas semanas se tenha verificado um incremento no número de fatalidades.

 

covid 19, mapa mundo

 

Independentemente da evolução futura da pandemia e de ainda poder vir a ser necessário prolongar as medidas de prevenção, a experiência de outras pandemias que surgiram no passado recomenda precaução absoluta pois, tal como outrora, a possibilidade de eclosão de novas vagas, particularmente com a aproximação do inverno permanece em aberto. A nova COVID-19 permanece latente, transmuta-se e já mostrou que não dá tréguas!

Apesar da vaga de otimismo que se instalou um pouco por todo o mundo, proporcionando o início de desconfinamento na maioria dos países, decorridos quase dois anos após a primeira infeção detetada em humanos, ainda persiste incerteza quanto ao evoluir da doença, particularmente agora com a nova variante. Não podemos deixar ao acaso a nossa saúde, de nossos familiares e semelhantes. Todos os cuidados são poucos!

Caracterização do Novo Vírus COVID-19

Os coronavírus são uma família de vírus de RNA que geralmente provocam doença respiratória leve em humanos, semelhante a uma gripe comum. Porém, algumas estirpes podem apresentar-se como doença mais grave, como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) e a atual síndrome respiratória aguda severa (SARS-CoV-2).

O novo coronavírus (COVID-19) foi identificado pela primeira vez em humanos, na cidade de Wuhan, China, no final de Dezembro de 2019 e alastrou para outras regiões, acabando por contaminar todo o planeta e tendo dado origem à atual pandemia. Muito embora ainda se desconheça sua origem, sabe-se que também possui capacidade de mutação em animais, como sucedeu no início entre as populações de martas nos Países Baixos, Dinamarca e Espanha, em julho de 2020.

Epidemia vs pandemia

A palavra pandemia, deriva do grego “pandemias” (todos + demos=povo), para identificar uma epidemia de doença infeciosa que se espalha quase simultaneamente entre a população de uma vasta região geográfica como continentes ou mesmo pelo planeta.

Metodologia da atualização de dados

A atual situação epidémica é acompanhada em permanência pela OMS, FDA, ECDC, EMA, DGS e outras Entidades de Saúde Regionais que divulgam os principais indicadores relativos ao número de casos atingidos pela doença, bem como o número de mortes diretamente atribuíveis à COVID-19. Não obstante os números sejam alterados a cada instante, o quadro seguinte reflete os últimos dados conhecidos, sendo nossa intenção mostrar uma panorâmica a nível Global que ajude a uma tomada de consciência das pessoas, tão realista quanto possível.

Situação Mundial da Pandemia a 10 de dezembro, segundo a OMS:

covid 19, mapa mundo

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covid 19, mapa mundo

covid 19, mapa mundo

RECOMENDAÇÕES DA ECDC

Como se dissemina a COVID-19?

As pessoas podem ser infetadas pelo COVID-19 através de outras pessoas portadoras do vírus, inalando pequenas gotículas infetadas, ao tossirem e espirrarem ou ao tocar superfícies contaminadas e em seguida tocarem o nariz, a boca ou os olhos.

Quais são os sintomas da doença?

A COVID-19 afeta cada pessoa de forma diferente. A maioria das pessoas infetadas experimenta sintomas ligeiros a moderados da doença e recuperam naturalmente, mas para muitas outras pode ser mais grave.

Os sintomas principais incluem uma combinação de febre, tosse seca, dores de garganta, dificuldade para respirar, dor muscular e tensão, diarreia, cansaço anormal, perda de olfato ou paladar, dores de cabeça (nova variante Delta), Nariz entupido (nova variante Delta).

Surto de doença, O que precisa saber?

Se já esteve em áreas afetadas pela COVID-19 com risco de exposição ou entrou em contacto com pessoa infetada com a doença e se, no espaço de 14 dias, desenvolve tosse, febre ou falta de ar, dores de cabeça e nariz entupido, sem motivo aparente:

– Fique em casa e não vá para o trabalho ou escola.

– Ligue de imediato para o número de saúde do país em que deseja obter informações; certifique-se de que menciona os sintomas, histórico de viagens e os contactos tidos.

– Não vá ao médico ou hospital. Lembre-se que pode infetar outras pessoas. Se precisar de entrar em contacto com seu médico ou visitar o serviço de emergência hospitalar, ligue com antecedência; indique sempre os seus sintomas, o histórico de viagens ou contactos.

Como pode proteger-se e aos outros da infeção

– Evite o contacto próximo com pessoas doentes, especialmente as que tossem ou espirram.

– Tussa e espirre no cotovelo ou num lenço de papel, NÃO na mão. Descarte o lenço usado imediatamente num contentor do lixo fechado e lave as mãos com água e sabão.

– Evite tocar nos olhos, nariz e boca antes de lavar as mãos.

– Lave regularmente as mãos com água e sabão, pelo menos durante 20 segundos ou use um desinfetante à base de álcool após tossir / espirrar, antes de comer e preparar alimentos, depois do uso do WC e após tocar superfícies em locais públicos.

– Pratique o distanciamento social, mantendo-se pelo menos a 2 metros de distância dos outros, especialmente de quem estiver a tossir ou espirrar.

 

Linha de Apoio em Portugal (SAÚDE 24): (+351) 808 24 24 24

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
10 de Dezembro de 2021

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