COVID-19: EUROPA DE NOVO EM RISCO

COVID-19: EUROPA DE NOVO EM RISCO

SOCIEDADE E SAÚDE

  Tupam Editores

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A Europa está a tornar-se de novo no epicentro das infeções causadas por coronavírus no mundo. A afirmação, tão perentória, foi proferida por Hans Kluge, diretor-regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), para a Europa, em recente entrevista coletiva online para jornalistas, adiantando que o Continente pode vir a ter mais meio milhão de mortes até fevereiro de 2022, responsabilizando por isso, o ceticismo dos europeus em relação às vacinas.

Adiantou ainda na oportunidade, que o ritmo atual de transmissão da doença nos 53 países que formam a região europeia é muito preocupante e se não forem alteradas as táticas de reação aos surtos de COVID-19, no sentido de as prevenir, poderemos ter de nos confrontar com novos agravamentos, tendo salientado que a taxa de vacinação diminuiu em toda a região nos últimos meses, em vez de ter aumentado.

Os casos de infeção na Europa crescem de forma explosiva nas regiões onde ainda se verificam baixas taxas de imunização, mas também nos países que, não obstante terem taxas de vacinação elevadas, estão em apuros e retomando medidas restritivas já abandonadas, deixando claro que a pandemia ainda não terminou.

Muitos especialistas, de entre os quais alguns portugueses da Faculdade de Ciências de Lisboa, admitem que a entrada na quinta vaga de COVID-19, pode já ter começado, e vêm a público defender o reforço da vacina nos grupos etários onde os novos casos de infeção têm vindo a aumentar, ainda que sejam considerados de baixo risco para doença grave.

Segundo as previsões do Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC), os casos de infeção na Europa vão continuar a subir, impulsionados, entre outros fatores pelas baixas temperaturas, que obrigarão as pessoas a manter-se mais tempo em ambientes fechados e sem ventilação, propícios ao desenvolvimento da doença, alertando ainda que embora as vacinas evitem que muita gente adoeça e morra, nenhuma é 100% eficaz.

A diretora clínica da OMS para a Europa, Maria Van Kerkhove, referiu que os casos de infeção na Europa aumentaram mais de 55% nas últimas quatro semanas, apesar de um amplo suprimento de vacinas e ferramentas conexas disponíveis, ao mesmo tempo que o diretor-executivo do programa de emergência daquela Organização, Mike Ryan, alerta que a experiência na Europa foi “um tiro de aviso para o mundo”.

O rastreamento permanente da pandemia revela que a COVID-19 tem vindo a atingir com maior severidade o Reino Unido, os países bálticos e da região central e leste da europa, o que tem levado alguns governos da região a tomar medidas drásticas, restringindo o movimento de pessoas e bens.

Segundo o último boletim epidemiológico da OMS, o número de infeções semanais e de fatalidades a nível Global tem vindo a cair durante a última semana, contrariando a tendência na região europeia que pela quarta semana consecutiva reporta um incremento considerável de novos casos de infeção e mortes.

Entretanto, a OMS não esquece o esforço abnegado de todos os profissionais de saúde, exortando os líderes e decisores políticos a tudo fazerem para criarem e regulamentarem políticas de investimento que garantam a proteção dos profissionais de saúde e cuidadores, destacando a oportunidade de poderem alinhar essas ações com as políticas mundiais do trabalho, com vista à recuperação centrada no ser humano pós-crise COVID-19.

Estima-se que entre janeiro de 2020 e maio de 2021, possam ter morrido por COVID-19 entre 80 e 180 mil profissionais de saúde, números que levaram a OMS a liderar um projeto que visa criar um pacto global para os trabalhadores da saúde, que obedecendo às convenções e instrumentos legais existentes, os possa proteger, salvaguardando os seus direitos e a garantia de um trabalho livre de qualquer discriminação, projeto esse que irá ser apresentada à próxima Assembleia Mundial da Saúde a realizar em maio de 2022.

Liderando o processo de imaginar o futuro das ameaças infeciosas, a OMS congrega toda a informação obtida através de consultas a líderes mundiais e influenciadores de uma grande variedade de disciplinas para discutir o futuro, olhar para as tendências globais e construir consenso sobre as ações coletivas que a comunidade mundial pode realizar para atenuar os riscos em curso e previstos da COVID-19, bem como de outras potenciais ameaças infeciosas nos próximos 3 a 5 anos.

É também chegada a altura de os governos, organizações e profissionais de saúde pública começarem a pensar no enorme número de sobreviventes de COVID-19 que vão precisar durante algum tempo de cuidados continuados para uma variedade de sintomas físicos e psicológicos provocados pela pandemia e pelos longos períodos de isolamento a que estiveram sujeitos, sabendo-se desde já que pelo menos metade dos infetados permanece com sequelas até cerca de 6 meses, segundo revela um estudo alargado do Penn State College of Medicine da Pensilvânia, EUA.

No sentido de avaliar os efeitos da infeção pelo vírus SARS-CoV-2 na saúde, a curto e longo prazo, os pesquisadores examinaram estudos mundiais publicados em dezenas de relatórios contendo dados de mais de 250 mil adultos não vacinados e crianças, diagnosticados com a doença entre dezembro de 2019 a março de 2021 e que recuperaram.

Da investigação resultou que os sobreviventes tiveram uma série de complicações de saúde associados à COVID-19 que afetaram o bem-estar geral dos pacientes e a sua mobilidade, com taxas de incidência praticamente constantes durante um a seis meses após o diagnóstico inicial da doença. Sintomas como cansaço extremo injustificado, dificuldade em respirar, dores no peito e articulações, bem como a perda de paladar ou do olfato, experimentados durante a doença, podem manter-se até seis meses ou mais após a recuperação da COVID-19, em adultos e crianças.

Os países da UE/EEE que ainda não atingiram os objetivos de vacinação contra a COVID-19, mas considerados seguros para iniciarem o processo de desconfinamento de suas populações e que planeiam fazê-lo nas próximas semanas, correm um elevado risco de sofrer um significativo aumento de casos de infeção, hospitalizações e mortalidade, desde já e até ao final de novembro, segundo declarações de Andrea Ammon, diretora do ECDC.

Adianta ainda aquela responsável, que as previsões do ECDC mostram que a combinação de uma cobertura elevada de vacinação, aliada a uma redução efetiva de contactos sociais, são fatores decisivos para reduzir o risco de sobrecarga nos sistemas de saúde neste outono. Por isso, como opção de resposta, os países devem esforçar-se continuamente para aumentar a cobertura de vacinação em todas as faixas etárias elegíveis, independentemente dos atuais níveis de cobertura de vacinação, a fim de limitar o número de infeções provocadas pela variante Delta, que no espaço da UE/EEE é responsável por cerca de 99% dos casos reportados.

A eliminação de quaisquer lacunas de vacinação COVID-19 em populações mais vulneráveis e profissionais de saúde, antes da chegada do inverno, é igualmente fundamental para atenuar os riscos de eventuais bloqueios nos sistemas de saúde, provocados pela gripe e outras doenças respiratórias, mais comuns nesta estação do ano.

Portugal, com elevado índice de vacinação, permanece entre os países de menor risco para poder vir a sofrer um aumento de casos graves, hospitalização e mortalidade, a menos que se verifique um rápido declínio de eficácia da vacina por fatores imponderáveis. Ainda assim, é necessária vigilância permanente e manutenção dos cuidados preventivos, como distanciamento físico, higienização e melhor ventilação, em particular em ambientes escolares, dado se prever que sejam as crianças as mais atingidas nos próximos meses.

O tema da pandemia permanece na agenda dos governos de todo o mundo, levando-os a ponderar novas formas de resolver o problema dos desequilíbrios entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, através da criação de mecanismos mais eficazes de equidade na distribuição das vacinas pelos países economicamente mais débeis, como forma de proteger as fronteiras e impedir a propagação da COVID-19, tal como é reiteradamente recomendado pelos responsáveis da OMS.

O papel da OMS

Apesar das recomendações feitas pela OMS desde o início da pandemia, acerca da necessidade de uma postura ética e de equidade na distribuição das vacinas por todos os países e regiões do mundo, na realidade não foi possível atingir os objetivos delineados por aquela organização, dado que os países de alto e médio rendimento absorveram mais de 80% das doses administradas em todo o mundo.

Embora a nível Global os números se mantenham estáveis, mas elevados, verifica-se um declínio moderado nas últimas quatro semanas no número de mortes e contaminados na generalidade dos países, resultado evidente da eficácia vacinal e de testagem. Face a esses resultados, criou-se um certo clima de consenso de que a doença vai permanecer entre nós, sendo por isso necessário retomar as atividades económicas e sociais normais, já que o processo de vacinação se mostra eficaz, a população interiorizou a necessidade de precaução e as entidades reguladoras da saúde na maioria dos países têm vindo a reportar uma redução continuada no número de internamentos hospitalares, com o consequente alívio da pressão nas urgências.

Segundo o ourworldindata.org da Universidade de Oxford, 51,5% da população mundial já recebeu pelo menos uma dose da vacina para a COVID-19, tendo já sido administradas 7,41 mil milhões de doses a nível Global e 28,85 milhões são administradas por dia atualmente. Todavia, apenas 4,5% das pessoas de países com baixos recursos económicos receberam uma dose, o que é manifestamente injusto, quando comparamos por exemplo com os Emiratos Árabes Unidos, que já vacinaram 87,91% da sua população completamente e 97,91% receberam pelo menos uma primeira dose.

Proporcionar o acesso equitativo Global a uma vacina segura e eficaz, protegendo os profissionais de saúde em especial e todos os que estão em maior risco, é para a OMS a única maneira de mitigar o impacto económico e de saúde pública das pandemias, sendo que as vacinas são comprovadamente a arma mais eficaz para debelar a COVID-19 e caminhar progressivamente com maior segurança para o objetivo de imunizar toda a população. Contudo, parece haver cada vez maior unanimidade entre os especialistas, indicando que vamos ter de conviver com a endemia no futuro, tal como acontece com a gripe e outras viroses. A questão que se coloca é se iremos continuar a viver como antes ou se teremos de nos readaptar a novas formas de vida.

Os efeitos na saúde mental

Não existem hoje dúvidas de que a reação à COVID-19 impôs novas formas de vida, quer no plano individual quer em sociedade, na tentativa de controlar a infeção e que se irão manter no futuro. À pandemia sucedeu rapidamente uma crise económica e ambas têm tido consequências “invisíveis” na saúde mental das populações. A avaliação do impacto psicológico do confinamento e autoisolamento das populações, as consequências ligadas ao desemprego, às dificuldades económicas e à exclusão social que afetam a humanidade, de uma ou outra forma, ainda estão longe de poder ser feitas.

A saúde mental e o bem-estar devem ser entendidos como direitos humanos fundamentais e os países devem repensar um modelo de acesso aos cuidados no setor. Entre as recomendações da OMS estão o reforço dos serviços de saúde mental, a melhoria do acesso aos cuidados por via digital, o incremento dos serviços de apoio psicológico nas escolas, universidades, locais de trabalho e em particular para os trabalhadores da primeira linha no combate à pandemia.

Para o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, trata-se de uma componente-chave da saúde humana que requer uma ação imediata dos governos e Margaritis Schinas, vice-presidente da Comissão Europeia, deixa uma mensagem importante: “não há desculpas para atrasos” a lidar com o problema. Os cuidados com o bem-estar psíquico devem ser levados a sério, senão quando debelarmos esta pandemia teremos forçosamente de enfrentar outra – uma pandemia de saúde mental.

As novas variantes e a imunidade vacinal

Atualmente no segundo lugar do ranking mundial de vacinação, segundo o site ourworldindata.org, Portugal já ultrapassou o objetivo inicialmente indicado pela DGS para se atingir a imunidade de grupo, o que não significa a “libertação total” da sociedade, como precocemente foi anunciado.

Não podemos esquecer que a variante Delta do SARS-CoV-2, atualmente com uma prevalência de 99% em Portugal e na maior parte dos países da UE, nos fez retroceder no longo percurso para debelar a doença. Também as notícias da variante Lambda detetada no Peru em dezembro de 2020 e disseminada pela região da América do Sul, e a mais recente subvariante da mutação Delta já identificada na europa, vieram baralhar mais uma vez todas as previsões, constituindo nova preocupação para os especialistas e governos.

De referir que todos os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, sofrem mutações com o tempo, e a maioria delas com pouco ou nenhum impacto nas características do vírus. Todavia, certas mutações conseguem afetar as suas propriedades, influenciando a sua capacidade de propagação, a gravidade da doença que causa ou a eficácia das vacinas, medicamentos ou outras medidas usadas para a combater.

A preocupação com o surgimento de novas mutações do vírus é generalizada, mas a vacinação é, sem dúvida, a arma comprovadamente mais eficaz para vencer esta batalha. Numa luta contra o tempo, entre a vacinação e a progressão da doença, é necessário pedir a todos sem exceção, à população em geral, aos profissionais de saúde, cuidadores informais e forças de segurança, um esforço suplementar a fim de tentar travar definitivamente as novas variantes do SARS-CoV-2, que eventualmente possam surgir.

Certificado Digital COVID-19 da UE

Os vírus não conhecem fronteiras. Com um crescente número de países a desconfinar e a renunciarem à obrigatoriedade de quarentena para os cidadãos que possuam um certificado digital de vacinação, ou outros comprovativos de efeito similar, adotados nas várias regiões do Globo, torna-se indispensável proteger as fronteiras e impedir a sua propagação de forma eficaz.

Na Europa, o certificado Digital COVID-19 da UE, em vigor desde o dia 1 de julho de 2021, foi criado com o objetivo de iniciar o desconfinamento no espaço da UE e facilitar a livre circulação entre os Estados-Membros para tentar salvar a economia. Para uma abordagem comum das medidas a adotar sobre viagens, os países acordaram então, estabelecer critérios uniformes de mapeamento das zonas de risco, através do uso de quatro cores identificativas num quadro-matriz de fácil e intuitiva interpretação.

Zona vermelho-escura: risco muito alto (mais de 500 casos por 100 mil pessoas); zona vermelha (entre 50 e 500 pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); laranja (menos de 50 casos por 100 mil pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); zona verde (menos de 25 casos por 100 mil pessoas e teste positivo inferior a 4%).

O Certificado Digital COVID-19 da UE, do qual já foram emitidos mais de 8,8 milhões em Portugal, está disponível em formato digital e em papel, tem de ser renovado a cada seis meses e serve para comprovar que o seu portador foi vacinado contra a COVID-19, recebeu um resultado negativo do teste ou recuperou de uma infeção COVID-19.

Perspetivas

Uma saída sustentável da pandemia na UE depende dos progressos realizados a nível mundial, pois nenhum país ou região do mundo estarão seguros em relação à COVID-19 se a sua propagação não for contida a nível Global. Nesse sentido a UE e o conjunto dos Estados-Membros lideram desde a primeira hora o investimento no Mecanismo Mundial COVAX, tendo definida uma abordagem coordenada para partilha de vacinas através de um mecanismo autónomo, com o fim de ajudar os países parceiros e de economias mais débeis, a superar a atual pandemia.

Esse mecanismo é coliderado pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), The Vaccine Alliance (GAVI) e OMS, conjuntamente com a UNICEF, parceiro de distribuição, tendo por objetivo acelerar o desenvolvimento e fabrico de vacinas para a COVID-19 e garantir o acesso justo e equitativo para todos os países do mundo o que, no entanto, ainda está longe de se conseguir.

Terminado o ciclo de testagem e vacinação durante o período mais agudo de emergência executado pela task-force, após ter atingido o topo do ranking de vacinação a nível mundial, Portugal luta agora para regressar à atividade normal nos cuidados de saúde.

Segundo o último relatório da DGS, foram recebidas até agora no país 23 017 910 doses e administradas 16 936 974. Destas, pelo menos 9 039 364 pessoas receberam uma primeira dose e 8 904 253 a vacinação completa, o que corresponde a cerca de 87% e 86% da população, respetivamente, números que colocam Portugal atualmente nos primeiros lugares da corrida mundial da vacinação contra a COVID-19.

Ainda segundo a DGS já foram efetuados no País mais de 20 238 803 milhões de testes (PCR+ Antigénio). Com pequenas oscilações, o País tem mantido a tendência de estabilização das taxas de contágio da pandemia nas últimas semanas, mas com o índice de transmissibilidade (Rt) a subir ligeiramente para um valor médio atual de 1,12 na globalidade do território nacional e com a incidência de infeção nos últimos 14 dias a subir ligeiramente para 125,4 casos por 100 mil habitantes.

Situação atual na Europa

Contrariando a tendência na evolução da pandemia a nível Global, em que se verifica uma redução ou estabilização generalizada no número de casos de infeção e mortes ao longo das últimas quatro semanas, na generalidade dos países europeus continua a observar-se um aumento preocupante nas taxas de mortalidade por COVID-19, bem como no número de infeções. Os cinco países da região europeia que notificaram a maioria dos casos foram, por ordem decrescente, o Reino Unido, Rússia, Turquia, França e Espanha.

O alerta para a necessidade de maior controle é dado por Mike Ryan, diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, referindo que nas últimas semanas se tem verificado um aumento progressivo na região europeia, pedindo cautela, à medida que as temperaturas caem e as atividades laborais, viagens e lazer voltam ao normal.

Acresce que a circulação de uma subvariante da mutação Delta recentemente identificada em vários países europeus, considerada uma diversidade genética no SARS-CoV-2, e também já identificada em Portugal, não augura perspetivas de melhoria da situação a curto prazo.

O número acumulado de fatalidades por 100 000 habitantes (14 dias), continua com uma tendência crescente de subida na generalidade dos Países-Membros, durante a última semana. Bulgária (377,3); República Checa (292,1); Roménia (275,5); Eslováquia (246,1); Croácia (240,1); Eslovénia (235,6); Lituânia (234,8); Bélgica (225,3); Itália (219,8); Polónia (207,9).

Também o número acumulado de infeções por 100 000 habitantes (14 dias), continuou a crescer de forma preocupante na última semana na maior parte dos países da UE. Eslovénia (1117,3); Croácia (932,7); Eslováquia (740,2); Áustria (716,3); Lituânia (687,9); Estónia (683,2); Letónia (570,3); República Checa (559,1); Bélgica (551,7); Irlanda (518,1).

Em Portugal, o número diário de óbitos tem vindo a aumentar de forma preocupante tendo-se registado nas últimas 24 horas mais 9 fatalidades. Foram ainda confirmados mais 1477 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-Cov-2, o que perfaz um total – desde que a pandemia foi detetada no país em Março do último ano, de 1 102 438 infetados, 746 recuperados e 18 231 vítimas mortais. Há ainda a registar 35 250 casos ativos da doença, 383 internamentos hospitalares e 64 casos críticos, que estão a ser acompanhados em UCI pelas autoridades de saúde.

Apesar do agravamento da situação, de forma gradual e cautelosa, o processo de desconfinamento na região europeia decorre com normalidade, mas devido à predominância das novas variantes e a chegada do inverno, constata-se um certo receio entres as populações, devido à imprevisibilidade na evolução de outras potenciais estirpes da COVID-19. É por isso necessário avançar com cuidado, ter paciência e saber esperar. É imprescindível que além da vacinação, as demais regras de prevenção como o uso de máscara, a higienização pessoal e a prática de distanciamento, entre outras recomendações das autoridades da saúde e que o bom senso aconselha, sejam seguidas, mesmo após a vacinação completa.

A COVID-19 a nível Global

Segundo dados do site worldometers, que aglutina a informação disponibilizada pela OMS e pelos principais Centros de Controle e Prevenção de Doenças em todo o mundo, desde 31 de Dezembro de 2019 até hoje, dia 12 de novembro de 2021, foram notificados em todo o mundo 252 779 818 casos de doença, incluindo 5 098 342 mortes e mais de 228 687 090 recuperados.

Embora a nível Global o número de casos e fatalidades tenham vindo a diminuir significativamente nas últimas quatro semanas, com exceção da região europeia, o continente americano continua a ser o mais fustigado pela pandemia, em termos absolutos, com o número de infetados a ultrapassar 95 855 514, seguido da Ásia, com um total de 80 464 933 infetados, da Europa com 67 498 961 reportados e de África também com um aumento para 8 627 407 pessoas. A Oceânia com 332 280 contaminados continua a ser o continente com menos casos registados, embora com um pequeno aumento nas duas últimas semanas.

 

covid 19, mapa mundo

 

Independentemente da evolução futura da pandemia e de ainda poder vir a ser necessário prolongar as medidas de prevenção, a experiência de outras pandemias que surgiram no passado recomenda precaução absoluta pois, tal como outrora, a possibilidade de eclosão de novas vagas, particularmente com a aproximação do inverno permanece em aberto. A nova COVID-19 permanece latente, transmuta-se e já mostrou que não dá tréguas!

Apesar da vaga de otimismo que se instalou um pouco por todo o mundo, proporcionando o início de desconfinamento na maioria dos países, decorridos quase dois anos após a primeira infeção detetada em humanos, ainda persiste incerteza quanto ao evoluir da doença. Não podemos deixar ao acaso a nossa saúde, de nossos familiares e semelhantes. Todos os cuidados são poucos!

Caracterização do Novo Vírus COVID-19

Os coronavírus são uma família de vírus de RNA que geralmente provocam doença respiratória leve em humanos, semelhante a uma gripe comum. Porém, algumas estirpes podem apresentar-se como doença mais grave, como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) e a atual síndrome respiratória aguda severa (SARS-CoV-2).

O novo coronavírus (COVID-19) foi identificado pela primeira vez em humanos, na cidade de Wuhan, China, no final de Dezembro de 2019 e alastrou para outras regiões, acabando por contaminar todo o planeta e tendo dado origem à atual pandemia. Muito embora ainda não se conheça totalmente a sua origem, sabe-se que também possui capacidade de mutação em animais, como sucedeu no início entre as populações de martas nos Países Baixos, Dinamarca e Espanha, em julho de 2020.

Diferença entre epidemia e pandemia

A palavra pandemia, deriva do grego “pandemias” (todos + demos=povo), para identificar uma epidemia de doença infeciosa que se espalha quase simultaneamente entre a população de uma vasta região geográfica como continentes ou mesmo pelo planeta.

Metodologia da atualização de dados

A atual situação epidémica é acompanhada em permanência pela OMS, FDA, ECDC, EMA, DGS e outras Entidades de Saúde Regionais que divulgam os principais indicadores relativos ao número de casos atingidos pela doença, bem como o número de mortes diretamente atribuíveis à COVID-19. Não obstante os números sejam alterados a cada instante, o quadro seguinte reflete os últimos dados conhecidos, sendo nossa intenção mostrar uma panorâmica a nível Global que ajude a uma tomada de consciência das pessoas, tão realista quanto possível.

Situação Mundial da Pandemia a 12 de novembro, segundo a OMS:

covid 19, mapa mundo

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covid 19, mapa mundo

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RECOMENDAÇÕES DA ECDC

Como se dissemina a COVID-19?

As pessoas podem ser infetadas pelo COVID-19 através de outras pessoas portadoras do vírus, inalando pequenas gotículas infetadas, ao tossirem e espirrarem ou ao tocar superfícies contaminadas e em seguida tocarem o nariz, a boca ou os olhos.

Quais são os sintomas da doença?

A COVID-19 afeta cada pessoa de forma diferente. A maioria das pessoas infetadas experimenta sintomas ligeiros a moderados da doença e recuperam naturalmente, mas para muitas outras pode ser mais grave.

Os sintomas principais incluem uma combinação de febre, tosse seca, dores de garganta, dificuldade para respirar, dor muscular e tensão, diarreia, cansaço anormal, perda de olfato ou paladar, dores de cabeça (nova variante Delta), Nariz entupido (nova variante Delta).

Surto de doença, O que precisa saber?

Se já esteve em áreas afetadas pela COVID-19 com risco de exposição ou entrou em contacto com pessoa infetada com a doença e se, no espaço de 14 dias, desenvolve tosse, febre ou falta de ar, dores de cabeça e nariz entupido, sem motivo aparente:

– Fique em casa e não vá para o trabalho ou escola.

– Ligue de imediato para o número de saúde do país em que deseja obter informações; certifique-se de que menciona os sintomas, histórico de viagens e os contactos tidos.

– Não vá ao médico ou hospital. Lembre-se que pode infetar outras pessoas. Se precisar de entrar em contacto com seu médico ou visitar o serviço de emergência hospitalar, ligue com antecedência; indique sempre os seus sintomas, o histórico de viagens ou contactos.

Como pode proteger-se e aos outros da infeção

– Evite o contacto próximo com pessoas doentes, especialmente as que tossem ou espirram.

– Tussa e espirre no cotovelo ou num lenço de papel, NÃO na mão. Descarte o lenço usado imediatamente num contentor do lixo fechado e lave as mãos com água e sabão.

– Evite tocar nos olhos, nariz e boca antes de lavar as mãos.

– Lave regularmente as mãos com água e sabão, pelo menos durante 20 segundos ou use um desinfetante à base de álcool após tossir / espirrar, antes de comer e preparar alimentos, depois do uso do WC e após tocar superfícies em locais públicos.

– Pratique o distanciamento social, mantendo-se pelo menos a 2 metros de distância dos outros, especialmente de quem estiver a tossir ou espirrar.

 

Linha de Apoio em Portugal (SAÚDE 24): (+351) 808 24 24 24

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
12 de Novembro de 2021

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