COVID-19: CUIDAR DAS SEQUELAS

COVID-19: CUIDAR DAS SEQUELAS

SOCIEDADE E SAÚDE

  Tupam Editores

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Com raras exceções em alguns países, a propagação do vírus continua em declínio a nível Global, com o índice de transmissibilidade (Rt) a manter-se abaixo de um, o que tem permitido baixar a guarda e proceder gradualmente ao desconfinamento e à reativação da economia, não obstante continuarem a existir riscos de contágio como tem vindo a ser lembrado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), nas últimas semanas.

Por isso, é agora a altura de os governos, organizações de saúde e profissionais de saúde pública começarem a pensar no enorme número de sobreviventes de COVID-19 que vão precisar durante algum tempo de cuidados continuados para uma variedade de sintomas físicos e psicológicos provocados pela pandemia e pelos longos períodos de isolamento a que estiveram sujeitos, sabendo-se desde já que pelo menos metade dos infetados permanece com sequelas até cerca de 6 meses, segundo revela estudo do Penn State College of Medicine da Pensilvânia.

Com o objetivo de determinar os efeitos da infeção pelo vírus SARS-CoV-2 na saúde, a curto e longo prazo, os pesquisadores examinaram estudos mundiais publicados em dezenas de relatórios contendo dados de mais de 250 mil adultos não vacinados e crianças, diagnosticados com a doença entre dezembro de 2019 a março de 2021 e que recuperaram.

Os resultados mostraram que os sobreviventes tiveram uma série de complicações de saúde associados à COVID-19 que afetaram o bem-estar geral dos pacientes e a sua mobilidade, com taxas de incidência praticamente constantes durante um a seis meses após o diagnóstico inicial da doença. Concluiram que sintomas como cansaço injustificado, dificuldade em respirar, dores no peito e articulações, bem como a perda de paladar ou do olfato, experimentados durante a doença, podem manter-se até seis meses ou mais após a recuperação da COVID-19, em adultos e crianças.

Entre os sintomas pós-covid mais destacados pelos investigadores nos sobreviventes, a nível do bem-estar geral, são referenciados perda de peso, fadiga persistente, febre e dor, bem como redução da mobilidade, dificuldade de concentração, ansiedade generalizada, anomalias pulmonares incluindo dificuldade em respirar, dor no peito e palpitações, queda de cabelo e erupções na pele e ainda problemas digestivos como falta de apetite, diarreia, dor de estômago e vómitos.

Apesar de os mecanismos pelos quais a COVID-19 causa sintomas persistentes nos sobreviventes ainda não serem totalmente compreendidos, crê-se que isso pode resultar de uma reação exacerbada do sistema imunológico desencadeada pelo vírus, por uma infeção persistente, reinfeção ou aumento da produção de anticorpos dirigidos aos próprios tecidos, o que nos leva a concluir que apesar dos progressos feitos pela humanidade no combate à pandemia, a batalha não termina com a recuperação da doença mais aguda.

Devido ao seu elevado grau de transmissibilidade, desde que foi detetada em março de 2021, a variante Delta do SARS-CoV-2 rapidamente se tornou predominante no espaço da União Europeia/Espaço Económico Europeu (UE/EEE), tendo-se transformado numa fonte de preocupação para governos, cientistas e população em geral.

Numa breve avaliação à atual situação pandémica, o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), uma agência da UE que concentra toda a informação relativa à atividade viral no espaço europeu, veio recentemente alertar para o “alto risco de pico no outono” em casos de infeção por COVID-19 e mortes, em países com insuficiente cobertura vacinal.

Os países da UE/EEE que ainda não atingiram os objetivos de vacinação contra a COVID-19 considerados seguros para iniciarem o processo de desconfinamento de suas populações e que planeiam fazê-lo nas próximas semanas, correm um elevado risco de sofrer um significativo aumento de casos de infeção, hospitalizações e mortalidade, desde já e até ao final de novembro, segundo declarações de Andrea Ammon, diretora do ECDC.

Adianta ainda aquela responsável, que as previsões do ECDC mostram que a combinação de uma cobertura elevada de vacinação, aliada a uma redução efetiva de contactos sociais, são fatores decisivos para reduzir o risco de sobrecarga nos sistemas de saúde neste outono.

Por isso, como opção de resposta, os países devem esforçar-se continuamente para aumentar a cobertura de vacinação em todas as faixas etárias elegíveis, independentemente dos atuais níveis de cobertura de vacinação, a fim de limitar o número de infeções provocadas pela variante Delta, que no espaço da UE/EEE é responsável por cerca de 99% dos casos reportados.

A circulação do vírus é ainda muito elevada e por isso, mesmo entre os indivíduos com vacinação completa, mas portadores de sistemas imunitários mais vulneráveis, permanece o risco de infeção/reinfeção, com prognóstico grave. Além disso, a percentagem de população vacinada da UE/EEE ainda está em 74,7%, havendo um número muito elevado de abstencionistas suscetíveis à infeção, o que obriga a uma monitorização contínua por forma a determinar onde estão as lacunas e tentar tudo fazer para as eliminar.

A eliminação de quaisquer lacunas de vacinação COVID-19 em populações mais vulneráveis e profissionais de saúde, antes da chegada do inverno, é igualmente fundamental para atenuar os riscos de eventuais bloqueios nos sistemas de saúde, provocados pela gripe e outras doenças respiratórias, mais comuns nesta estação do ano.

Com elevados índices de vacinação, Portugal permanece entre os países de menor risco para poder vir a sofrer um aumento de casos graves, hospitalização e mortalidade, a menos que se verifique um rápido declínio de eficácia da vacina por fatores imponderáveis. Ainda assim, é necessária vigilância permanente e manutenção dos cuidados preventivos, como distanciamento físico, higienização e melhor ventilação, em particular em ambientes escolares, dado se prever que sejam as crianças as mais atingidas nos próximos meses.

Já na terceira e última fase de desconfinamento, com 86,38% da população portuguesa com a vacinação completa, 88,28% com pelo menos uma dose, o índice de transmissibilidade abaixo de um e o número de internamentos hospitalares a cair sucessivamente, o regresso às atividades “quase” normais está em curso, o que em muito se fica a dever ao sentido cívico dos nossos compatriotas e ao trabalho abnegado dos profissionais de saúde.

A nível Global, as taxas de infeção e de fatalidades caíram 4% e 6% respetivamente na última semana, após terem sido administradas mais de 6,6 mil milhões de doses de vacinas, desde que a primeira pessoa foi vacinada no Reino Unido a 8 de dezembro de 2020, com a OMS a anunciar que a região europeia é a única onde ainda se verifica um aumento no número de infeções e de mortes com um crescimento de 14% e 13% respetivamente, na última semana.

Considerando a desigualdade que se verifica nos níveis de vacinação entre os países desenvolvidos e os que ainda mantêm baixos níveis de desenvolvimento e, considerando que a pandemia só pode ser completamente controlada quando a nível Global se verificar equalização percentual no número de pessoas vacinadas, a UE e os EUA, estabeleceram uma nova parceria, tendo por objetivo atingir uma taxa Global de vacinação contra a COVID-19 de 70 por cento até setembro de 2022, coincidindo com a realização da próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, onde serão apresentados os resultados.

Trata-se de um acordo particularmente relevante, numa altura em que é cada vez mais consensual haver fortes probabilidades de o vírus SARS-CoV-2 permanecer entre nós e evoluir de forma idêntica à gripe, mas que continue a sofrer mutações, em particular nos países em que o nível de vacinação ainda é muito baixo, o que impede a sua irradicação a nível Global.

O tema da pandemia permanece na agenda dos governos de todo o mundo, levando-os a ponderar novas formas de resolver o problema dos desequilíbrios entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, através da criação de mecanismos mais eficazes de equidade na distribuição das vacinas pelos países economicamente mais frágeis, como forma de proteger as fronteiras e impedir a propagação da COVID-19, tal como é reiteradamente recomendado pelos responsáveis da OMS.

A anteceder a reunião de cúpula dos chefes de estado e de governo dos países mais ricos do mundo (G20), a realizar em Roma no final de outubro de 2021 os ministros da saúde do G20 acordaram por unanimidade ratificar um documento que designaram por “Pacto de Roma”, que tem por objetivo reforçar a entrega de vacinas e outros recursos correlacionados, aos países mais carenciados para imunização das suas populações contra a pandemia.

O papel da OMS

Apesar das recomendações feitas pela OMS desde o início da pandemia, acerca da necessidade de uma postura ética e equidade na distribuição das vacinas por todos os países e regiões do mundo, na realidade não foi possível atingir os objetivos delineados por aquela organização, dado que os países de alto e médio rendimento absorveram mais de 80% das doses administradas em todo o mundo.

A nível Global, embora os números se mantenham elevados, verifica-se um decréscimo acentuado nas últimas quatro semanas no número de mortes e contaminados, resultado evidente da eficácia vacinal e de testagem. Face aos resultados, criou-se um certo clima de consenso de que é necessário retomar as atividades económicas e sociais normais, já que o processo de vacinação se mostra eficaz, a população interiorizou a necessidade de precaução e as entidades reguladoras da saúde na maioria dos países têm vindo a reportar uma redução continuada no número de internamentos hospitalares com o consequente alívio da pressão nas urgências.

Segundo o ourworldindata.org da Universidade de Oxford, 48% da população mundial já recebeu pelo menos uma dose da vacina para a COVID-19, tendo já sido administradas 6,6 mil milhões de doses a nível Global e 23,17 milhões são administradas por dia atualmente. Todavia, apenas 2,5% das pessoas de países com baixos recursos económicos receberam uma dose, o que é manifestamente injusto, quando comparamos por exemplo com os Emiratos Árabes Unidos, que já vacinaram 84,83% da sua população completamente e 95% receberam pelo menos uma primeira dose.

Proporcionar o acesso equitativo Global a uma vacina segura e eficaz, protegendo os profissionais de saúde em especial e todos os que estão em maior risco, é para a OMS a única maneira de mitigar o impacto económico e de saúde pública das pandemias, sendo que as vacinas são comprovadamente a arma mais eficaz para debelar a COVID-19 e caminhar progressivamente com maior segurança para o objetivo de imunizar a toda a população. Contudo, parece haver cada vez maior unanimidade entre os especialistas, indicando que vamos ter de conviver com a endemia no futuro, tal como acontece com a gripe e outras viroses. A questão que se coloca é se iremos continuar a viver como antes ou se teremos de nos readaptar a novas formas de vida.

Os efeitos na saúde mental

Não existem hoje dúvidas de que a reação à COVID-19 impôs novas formas de vida, quer no plano individual quer em sociedade, na tentativa de controlar a infeção. À pandemia sucedeu rapidamente uma crise económica e ambas têm tido consequências “invisíveis” na saúde mental das populações. A avaliação do impacto psicológico do confinamento e autoisolamento das populações, as consequências ligadas ao desemprego, às dificuldades económicas e à exclusão social que afetam a humanidade, de uma ou outra forma, ainda está longe de poder ser feita.

A saúde mental e o bem-estar devem ser entendidos como direitos humanos fundamentais e os países devem repensar o acesso aos cuidados no setor. Entre as recomendações da OMS estão o reforço dos serviços de saúde mental, a melhoria do acesso aos cuidados por via digital, o incremento dos serviços de apoio psicológico nas escolas, universidades, locais de trabalho e em particular para os trabalhadores de primeira linha no combate à pandemia.

Para o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, trata-se de uma componente-chave da saúde humana que requer uma ação imediata dos governos e Margaritis Schinas, vice-presidente da Comissão Europeia, deixa uma mensagem importante: “não há desculpas para atrasos” a lidar com o problema. Os cuidados com o bem-estar psíquico devem ser levados a sério, senão quando debelarmos esta pandemia teremos forçosamente de enfrentar outra – uma pandemia de saúde mental.

As novas variantes e a imunidade vacinal

Com cerca de 90,6 % da população portuguesa já com a vacinação completa e 98,2% pelo menos com a primeira dose, Portugal já ultrapassou o objetivo inicialmente indicado pela DGS para se atingir a imunidade de grupo, o que não significa a “libertação total” da população, como precocemente anunciado.

Não podemos esquecer que a variante Delta do SARS-CoV-2, atualmente com uma prevalência de 99% em Portugal e na maior parte dos países da UE, nos fez retroceder no longo percurso para debelar a doença. Também as notícias da variante Lambda, detetada no Peru em dezembro de 2020 e disseminada pela região da América do Sul, vieram baralhar mais uma vez todas as previsões, constituindo nova preocupação para os especialistas e governos.

De referir que todos os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, sofrem mutações com o tempo, e a maioria delas com pouco ou nenhum impacto nas características do vírus. Todavia, certas mutações conseguem afetar as suas propriedades, influenciando a sua capacidade de propagação, a gravidade da doença que causa ou a eficácia das vacinas, medicamentos ou outras medidas usadas para a combater.

A preocupação com o surgimento de novas mutações do vírus é generalizada, mas a vacinação é, sem dúvida, a arma comprovadamente mais eficaz para vencer esta batalha.

Numa luta contra o tempo, entre a vacinação e a progressão da doença, é necessário pedir a todos sem exceção, à população em geral, aos profissionais de saúde, cuidadores informais e forças de segurança, um esforço suplementar a fim de tentar travar definitivamente as novas variantes do SARS-CoV-2, que eventualmente possam surgir.

Certificado Digital COVID-19 da UE

Os vírus não conhecem fronteiras. Com um crescente número de países a desconfinar e a renunciarem à obrigatoriedade de quarentena para os cidadãos que possuam um certificado digital de vacinação, ou outros comprovativos de efeito similar, adotados nas várias regiões do Globo, torna-se indispensável proteger as fronteiras e impedir a sua propagação de forma eficaz.

Na Europa, o certificado Digital COVID-19 da UE, em vigor desde o dia 1 de julho de 2021, foi criado com o objetivo de iniciar o desconfinamento no espaço da UE e facilitar a livre circulação entre os Estados-Membros para tentar salvar a economia. Para uma abordagem comum das medidas a adotar sobre viagens, os países acordaram então, estabelecer critérios uniformes de mapeamento das zonas de risco, através do uso de quatro cores identificativas num quadro-matriz de fácil e intuitiva interpretação.

Zona vermelho-escura: risco muito alto (mais de 500 casos por 100 mil pessoas); zona vermelha (entre 50 e 500 pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); laranja (menos de 50 casos por 100 mil pessoas e teste positivo igual a 4% ou mais); zona verde (menos de 25 casos por 100 mil pessoas e teste positivo inferior a 4%).

O Certificado Digital COVID-19 da UE, do qual já foram emitidos mais de 6,5 milhões em Portugal, está disponível em formato digital e em papel, tem de ser renovado a cada seis meses e serve para comprovar que o seu portador foi vacinado contra a COVID-19, recebeu um resultado negativo do teste ou recuperou de uma infeção COVID-19.

Perspetivas

Uma saída sustentável da pandemia na UE depende dos progressos realizados a nível mundial, pois nenhum país ou região do mundo estarão seguros em relação à COVID-19 se a sua propagação não for contida a nível Global. Nesse sentido a UE e o conjunto dos seus Estados-Membros lideram desde a primeira hora o investimento no Mecanismo Mundial COVAX, tendo definida uma abordagem coordenada para partilha de vacinas através de um mecanismo autónomo, com o fim de ajudar os países parceiros a superar a atual pandemia.

Esse mecanismo é coliderado pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), The Vaccine Alliance (GAVI) e OMS, conjuntamente com a UNICEF, parceiro de distribuição, tendo por objetivo acelerar o desenvolvimento e fabrico de vacinas para a COVID-19 e garantir o acesso justo e equitativo para todos os países do mundo o que, no entanto, ainda está muito longe de se conseguir.

Portugal, focado na massificação da testagem e vacinação através da task-force da DGS, conseguiu atingir e manter-se no topo do ranking de vacinação a nível mundial.

Segundo o último relatório da DGS, foram recebidas até agora no país 20 414 230 doses e administradas 16 394 069. Destas, pelo menos 8 975 593 pessoas receberam uma primeira dose e 8 782 671 a vacinação completa, o que corresponde a cerca de 86,38% e 88,28% da população, respetivamente, números que colocam Portugal atualmente no grupo de líderes na corrida mundial da vacinação contra a COVID-19.

Ainda segundo a DGS já foram efetuados no País mais de 19 185 884 milhões de testes (PCR+ Antigénio), testes que até ao dia 30 de setembro eram comparticipados a 100% pelo SNS, mas que deixaram de o ser desde aquela data.

Com ligeiras oscilações, mas de forma consistente, o País tem mantido a tendência de descida nas taxas de contágio da pandemia nas últimas semanas, com o índice de transmissibilidade (Rt) a manter-se abaixo de 1 (um), com o valor médio atual de 0,97 na globalidade do território nacional e com a incidência de infeção nos últimos 14 dias a cair para 83,2 casos por 100 mil habitantes.

Situação atual na Europa

Contrariando a tendência na evolução da pandemia a nível Global em que se verifica uma redução generalizada no número de casos de infeção e mortes ao longo das últimas semanas, em alguns países europeus continuou a observar-se um incremento crescente nas taxas de mortalidade por COVID-19, bem como no número de infeções.

O número acumulado de fatalidades por 100 000 habitantes (14 dias), continua com uma tendência de subida nos Países-Membros já referenciados na semana anterior. Bulgária (167,88); Roménia (164,47); Lituânia (120,25); Letónia (61,33); Grécia (42,54); Croácia (42,38); Estónia (40,63); Eslovénia (24,33); Eslováquia (23,64); Irlanda (14,30).

Ainda sem uma tendência definida, o número acumulado de infeções por 100 000 habitantes (14 dias), continuou a crescer na última semana em grande parte dos países da UE. Lituânia (972,23); Letónia (864,40); Estónia (859,23); Roménia (858,96); Eslovénia (555,33; Croácia (441,58); Bulgária (402,81); Eslováquia (396,00); Irlanda (372,25); Grécia (287,63).

Em Portugal, o número diário de óbitos tem vindo a cair significativamente, tendo-se registado nas últimas 24 horas mais 6 fatalidades. Foram ainda confirmados mais 777 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-Cov-2, o que perfaz um total – desde que a pandemia foi detetada no país em Março do último ano, de 1 077 963 infetados, 1 029 815 recuperados e 18 071 vítimas mortais. Há ainda a registar 30 077 casos ativos da doença, 321 internamentos hospitalares e 56 casos críticos, que estão a ser acompanhados em UCI pelas autoridades de saúde.

Embora de forma gradual e cautelosa, o processo de desconfinamento na região europeia decorre com normalidade, mas devido à predominância das novas variantes e ao aproximar do inverno, ainda há algum receio e imprevisibilidade na evolução de outras potenciais estirpes da COVID-19. É por isso necessário avançar com cuidado, ter paciência e saber esperar. É imprescindível que além da vacinação, as demais regras de prevenção como o uso de máscara, a higienização pessoal e a prática de distanciamento, entre outras recomendações das autoridades da saúde e que o bom senso aconselha, sejam seguidas, mesmo após a vacinação completa.

A COVID-19 a nível Global

Segundo dados do site worldometers, que aglutina a informação disponibilizada pela OMS e pelos principais Centros de Controle e Prevenção de Doenças em todo o mundo, desde 31 de Dezembro de 2019 até hoje, dia 15 de outubro de 2021, foram notificados em todo o mundo 240 470 110 casos de doença, incluindo 4 899 069 mortes e mais de 217 759 359 recuperados.

Embora a nível Global o número de casos e fatalidades tenham vindo a diminuir significativamente nas últimas quatro semanas, em valores absolutos o continente americano, continua a ser o mais fustigado pela pandemia, com o número de infetados a ultrapassar 92 955 357, seguido da Ásia, com um total de 77 636 321 infetados, da Europa com 61 118 239 reportados e de África também com um aumento para 8 489 736 pessoas. A Oceânia com 269 736 contaminados continua a ser o continente com menos casos registados, embora com um ligeiro crescimento nas últimas semanas.

 

covid 19, mapa mundo

 

Independentemente da evolução futura da pandemia e de ainda poder vir a ser necessário prolongar as medidas de prevenção, a experiência de outras pandemias que surgiram no passado recomenda precaução absoluta pois, tal como outrora, a possibilidade de eclosão de novas vagas, particularmente com a aproximação do inverno permanece em aberto. A nova COVID-19 permanece latente, transmuta-se e não dá tréguas!

Apesar da vaga de otimismo que se instalou um pouco por todo o mundo, proporcionando o início de desconfinamento na maioria dos países, decorridos quase dois anos após a primeira infeção detetada em humanos, ainda persiste alguma incerteza quanto ao evoluir da doença. Não podemos deixar ao acaso a nossa saúde, de nossos familiares e semelhantes. Todos os cuidados são poucos!

Caracterização do Novo Vírus COVID-19

Os coronavírus são uma família de vírus de RNA que geralmente provocam doença respiratória leve em humanos, semelhante a uma gripe comum. Porém, algumas estirpes podem apresentar-se como doença mais grave, como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) e a atual síndrome respiratória aguda severa (SARS-CoV-2).

O novo coronavírus (COVID-19) foi identificado pela primeira vez em humanos, na cidade de Wuhan, China, no final de Dezembro de 2019 e alastrou para outras regiões, acabando por contaminar todo o planeta e tendo dado origem à atual pandemia. Muito embora ainda não se conheça totalmente a sua origem, sabe-se que também possui capacidade de mutação em animais, como sucedeu no início entre as populações de martas nos Países Baixos, Dinamarca e Espanha, em julho de 2020.

Diferença entre epidemia e pandemia

A palavra pandemia, deriva do grego “pandemias” (todos + demos=povo), para identificar uma epidemia de doença infeciosa que se espalha quase simultaneamente entre a população de uma vasta região geográfica como continentes ou mesmo pelo planeta.

Metodologia da atualização de dados

A atual situação epidémica é acompanhada em permanência pela OMS, FDA, ECDC, EMA, DGS e outras Entidades de Saúde Regionais que divulgam os principais indicadores relativos ao número de casos atingidos pela doença, bem como o número de mortes diretamente atribuíveis à COVID-19. Não obstante os números evoluírem a cada instante, o quadro seguinte reflete os últimos dados conhecidos, sendo nossa intenção mostrar uma panorâmica a nível Global que ajude a uma tomada de consciência das pessoas, tão realista quanto possível.

Situação Mundial da Pandemia a 15 de outubro, segundo a OMS:

 

covid 19, mapa mundo

covid 19, mapa mundo

covid 19, mapa mundo

covid 19, mapa mundo

 

RECOMENDAÇÕES DA ECDC

Como se dissemina a COVID-19?

As pessoas podem ser infetadas pelo COVID-19 através de outras pessoas portadoras do vírus, inalando pequenas gotículas infetadas ao tossirem e espirrarem ou ao tocar superfícies contaminadas e em seguida tocarem o nariz, a boca ou os olhos.

Quais são os sintomas da doença?

A COVID-19 afeta cada pessoa de forma diferente. A maioria das pessoas infetadas experimenta sintomas ligeiros a moderados da doença e recuperam naturalmente, mas para muitas outras pode ser mais grave.

Os sintomas principais incluem uma combinação de febre, tosse seca, dores de garganta, dificuldade para respirar, dor muscular e tensão, diarreia, cansaço anormal, perda de olfato ou paladar, dores de cabeça (nova variante Delta), Nariz entupido (nova variante Delta).

Surto de doença, O que precisa saber?

Se já esteve em áreas afetadas pela COVID-19 com risco de exposição ou entrou em contacto com pessoa infetada com a doença e se, no espaço de 14 dias, desenvolve tosse, febre ou falta de ar, dores de cabeça e nariz entupido, sem motivo aparente:

– Fique em casa e não vá para o trabalho ou escola.

– Ligue de imediato para o número de saúde do país em que deseja obter informações; certifique-se de que menciona os sintomas, histórico de viagens e os contactos tidos.

– Não vá ao médico ou hospital. Lembre-se que pode infetar outras pessoas. Se precisar de entrar em contacto com seu médico ou visitar o serviço de emergência hospitalar, ligue com antecedência; indique sempre os seus sintomas, o histórico de viagens ou contactos.

Como pode proteger-se e aos outros da infeção

– Evite o contacto próximo com pessoas doentes, especialmente as que tossem ou espirram.

– Tussa e espirre no cotovelo ou num lenço de papel, NÃO na mão. Descarte o lenço usado imediatamente num contentor do lixo fechado e lave as mãos com água e sabão.

– Evite tocar nos olhos, nariz e boca antes de lavar as mãos.

– Lave regularmente as mãos com água e sabão, pelo menos durante 20 segundos ou use um desinfetante à base de álcool após tossir / espirrar, antes de comer e preparar alimentos, depois do uso do WC e após tocar superfícies em locais públicos.

– Pratique o distanciamento social, mantendo-se pelo menos a 2 metros de distância dos outros, especialmente de quem estiver a tossir ou espirrar.

 

Linha de Apoio em Portugal (SAÚDE 24): (+351) 808 24 24 24

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
15 de Outubro de 2021

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