Biossensor deteta glúten na dieta de celíacos

  Tupam Editores

Cientistas espanhóis desenvolveram um biossensor que muda de cor para indicar se a pessoa ingeriu ou não alimentos com glúten, mesmo em quantidades mínimas.

“O sensor pode ser especialmente útil para monitorizar a dieta de crianças com doença celíaca, cujos pais não conseguem ter controlo sobre o que comem fora de casa. Com apenas algumas gotas de urina, o dispositivo é capaz de detetar rapidamente se a pessoa ingeriu a proteína num determinado dia. Desse modo, é possível evitar consumir novamente o alimento suspeito de ter sido a fonte do nutriente”, explicou a professora Laura Lechuga, do Instituto Catalão de Nanociência e Nanotecnologia (ICN2), em Espanha.

Inspirado no modo de funcionamento dos exames de gravidez, o biossensor é baseado no princípio de ressonância de plásmons de superfície (SPR, na sigla em inglês).

Com recurso a esse método, a quantificação da substância de interesse é feita por medidas do índice de refração (desvio angular da luz), quantidade de luz absorvida, propriedades fluorescentes das moléculas analisadas ou meio de transdução químico-ótico - que “traduz” o sinal químico em ótico.

Doença-celíaca

Graças ao detetor ótico, o dispositivo é capaz de identificar e quantificar o peptídeo 33-mer α-2-gliadina, considerado o mais reativo do glúten. “Um dos subprodutos resultantes do metabolismo do glúten é esse peptídeo resistente ao processo de digestão e detetável na urina e nas fezes”, explicou Lechuga.

As pessoas com doença celíaca enfrentam o desafio de assegurar que as suas dietas sejam totalmente isentas de glúten, proteína presente em cereais como trigo, centeio, cevada e malte. Isso porque, além de o nutriente integrar várias matrizes de alimentos, em diferentes formas e proporções, mesmo os produtos declarados livres de glúten podem apresentar contaminação cruzada e provocar reações no organismo. Por isso, um exame rápido que possa indicar alguma ingestão não intencional pode ajudar os pacientes a identificar alimentos suspeitos.

A intenção da equipa é que o biossensor ótico de glúten possa chegar ao mercado o mais rapidamente possível.

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
16 de Setembro de 2019

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