SOZINHO EM CASA

  Tupam Editores

Já não têm conta as vezes que chegou a casa depois de um dia de trabalho extenuante e a encontrou irreconhecível? Móveis roídos, louça partida, jornal e papel higiénico pelo chão, penas por toda a casa, xixi, e outras situações semelhantes deixaram de ser novidade para si? Então, está mais do que na hora de controlar a situação!

Louca partida

As rotinas cada vez mais conturbadas e atarefadas dos tutores exigem que os animais fiquem por longos períodos sozinhos em casa. O problema é que o instinto do cão diz-lhe que deve viver em grupo pois isso garantirá a sua sobrevivência, por se tratar de um animal social por natureza – tal como o ser humano.

Quando o seu grupo de “humanos” sai e o deixa sozinho, a sensação que o animal tem, instintivamente, é que a sua sobrevivência está ameaçada. A situação agrava-se ainda mais quando é muito apegado ao dono, daqueles que parecem uma verdadeira “sombra”.

Ao que parece, a maioria dos cães fica stressada ao passar mais de 4 a 6 horas sozinhos: solidão, medo, tédio e até ansiedade da separação – um problema muito comum atualmente –, são os sentimentos que experimentam e que os levam a quase “destruir” a casa. Traumas, insegurança ou maus-tratos do passado são, normalmente, os responsáveis por este tipo de sensações, que afetam o seu bem-estar, saúde... e os pertences do dono. Mas para tudo existe uma solução.

Algumas atitudes simples podem preparar o animal para ficar sozinho em casa, e um ambiente enriquecido com alguns petiscos e os seus brinquedos favoritos vão ajuda-lo a lidar com a solidão.

Treine-o para ficar sozinho em casa

Segundo especialistas na matéria o período mais stressante para a maioria dos cães é a primeira meia hora sem os donos, no entanto, em alguns animais este elevado nível de ansiedade pode manter-se durante todo o tempo em que estiverem sozinhos.

Os sinais mais comuns de sofrimento com o isolamento são vocalizações de protesto e o comportamento destrutivo. Outros sinais mais discretos são andar sem parar num corredor ou junto a uma parede, por exemplo, salivar excessivamente e alguns cães urinam aleatoriamente no chão, como forma de tentar aliviar o stress.

Tal como os seres humanos, alguns cães lidam melhor com o stress do que outros. Há inclusive raças que são mais independentes e que conseguem ficar oito a dez horas sozinhas por dia, como por exemplo cães da raça Lhasa Apso, Beagle, Pug, Cocker Spaniel e Buldogue.

Pug sózinho em casa

Mas também existem raças que não podem ficar muito tempo longe dos seus tutores pois lidam muito mal com a solidão, como por exemplo animais de raça Poodle, Pinscher, Chihuahua, e Yorkshire.

Independentemente da raça do animal, se este for ensinado a ficar sozinho e perceber que não vai ser abandonado, tudo correrá bem.

Segundo os veterinários deve criar-se um espaço de distração para o cão, com uma série de brinquedos de que goste. Neste local deve ser colocada a cama, água e comida, assim como um espaço onde possa fazer as suas necessidades.

É importante que o dono o acostume a ficar neste espaço mesmo quando está em casa. A ideia é criar um ambiente que dê prazer ao cão, e uma das formas de o ajudar a entender isso é brincar com ele nesse espaço diariamente. Caso contrário, vai entendê-lo como uma forma de punição, pois cada vez que o dono sai fica ali “preso”.

Para o acostumar a ficar sozinho deve inicialmente sair de casa por alguns minutos, não se distanciando muito. Se ele se manifestar com a sua saída regresse apenas quando já estiver calmo.

Deve ir aumentando gradativamente o tempo de ausência – 1 minuto e volta, 5 min. e volta, 10 min. e volta, 15 min. e assim por diante.  Este tipo de treino vai ajudá-lo a ficar menos ansioso, e a compreender que o dono regressa sempre.

Para o preparar para a sua saída, nada melhor do que uma boa caminhada. Vai deixá-lo relaxado, feliz e poderá extravasar as suas energias, adormecendo mesmo enquanto estiver ausente. Menos energia para gastar, mais tranquilidade em casa.

Para o acalmar pode recorrer também à televisão. Como nós, os cães são sensíveis a sons e imagens. Escolha um canal que transmita programas calmos, de música clássica, por exemplo, que o deixará menos tenso e diminuirá a sua ansiedade por estar sozinho.

Deixar um objeto que tenha o cheiro do dono (por exemplo uma Tshirt) num ponto estratégico da casa para que o animal fique mais tranquilo quando se deparar com ele, é outra opção interessante.

Arranjar uma companhia para o cão é outra possibilidade. Muitos cães que sofrem, choram e uivam por passarem horas sozinhos em casa adorariam ter a companhia de outros animais em casa durante a ausência do dono. Eles não iriam substituir o dono, mas ajudariam a amenizar a situação e tranquilizar o cão. No caso de outros cães, além da companhia, eles possibilitam brincadeiras e distração.

Além das opções referidas, outra atitude muito importante para habituar o animal à sua ausência é não valorizar o momento da sua saída ou chegada a casa. Procure agir naturalmente. Simplesmente saia sem dizer nada, e sem fazer contacto visual ou o animal irá perceber a angústia nos seus olhos. Nada de dizer “Adeus, a mama já vem” ou “Porta-te bem!”.

Os animais são inteligentes e se ele já percebeu precisamente quando vai sair, há que confundi-lo. Para que ele não associe um determinado gesto seu com o momento da sua partida, inverta as situações, ou seja, faça o que ele está à espera quando vai sair, mas fique em casa e não saia, por exemplo, guarde as chaves do carro no bolso e vá ver televisão, ou peque na sua mala e tome o pequeno-almoço com ela no colo. Desta forma, quebra a ligação que o animal tem com esses objetos e a sua saída.

Se ao chegar a casa o cão vier todo feliz e contente, pulando e latindo à sua volta, ignore este momento (por mais difícil que seja!).

Esperando pelo dono

Vá fazer qualquer coisa sem lhe dar atenção, até perceber que aquele estado totalmente excitado e descontrolado já diminuiu ou acabou mesmo.

Pode parecer até maldade mas fará um bem enorme ao animal nas próximas vezes que tiver de sair, pois ele já não ficará naquela ansiedade, horas a fio, à sua espera.

Se seguiu todas estas sugestões à risca para garantir a felicidade e bem-estar do seu fiel amigo mas nada disto surtiu efeito, saiba que há outras soluções bem interessantes atualmente que podem ajudar a amenizar o problema, até porque o sofrimento emocional não faz bem nem ao seu animal, nem a si, nem aos seus vizinhos.

Soluções inovadoras para amenizar o problema

Os bons tutores desejam sempre o melhor para os seus animais de companhia. Cada vez aparecem mais inovações no mercado animal pensados para resolver todo o tipo de problemas, neste caso específico, distrair e acalmar o cão na ausência do dono.

Uma inovação muito interessante para o efeito é o CleverPet – um brinquedo que não só estimula a mente do cão, mas também o recompensa sempre que este executa o exercício corretamente.

Trata-se de uma espécie de distribuidor de alimentos que é ativado pela ação de botões. O cão deve clicar nos interruptores que se acendem na sequência correta para desbloquear a comida.

Brinquedo cleverpet

O brinquedo possui vários níveis de estímulos e sequências e o dono pode ver todo o progresso do cão numa aplicação no seu telemóvel. Os exercícios vão dos mais básicos aos mais complexos, o que permite despertar o interesse aos mais diferentes animais. O CleverPet é um treino mental bastante eficaz para diminuir o estado de ansiedade dos animais.

Osso gobone interactivo

Outro brinquedo que promove horas de diversão é o GoBone – o primeiro osso inteligente do mercado. Controlado através de uma app o GoBone permite que os donos escolham diferentes perfis de comportamento do produto de acordo com a idade do cão, peso, raça e comportamento.

O dispositivo pode movimentar-se de forma autónoma, atraindo o cachorro para o perseguir e mastigar o brinquedo até conseguir o lanchinho que pode ser escondido dentro do osso.

A autonomia de bateria dá até oito horas, por isso este osso inteligente pode manter o cão entretido enquanto o dono está fora.

Mas um dos aparelhos mais inovadores é o PetChatz – uma câmara que permite que o dono ligue para o seu cão e possa vê-lo através de uma espécie de webcam, e que o animal também veja o dono.

A ligação pode ser feita de um computador, telemóvel ou tablet e a parte mais interessante é que o próprio animal também pode ligar para o dono, bastando para isso colocar a pata num espaço específico e o dono receberá a notificação no aparelho que estiver ligado ao PetChatz.

Com apenas um click, esteja onde estiver, o dono ainda pode dar uma recompensa ao seu “mais que tudo”, mas as surpresas não acabam por aqui, o dispositivo também contém um perfume calmante para ajudar a aliviar o stress do animal.

As soluções apresentadas conseguirão, por certo, amenizar o sofrimento que a ausência do dono provoca, e sossegar os donos mais sensíveis e preocupados com o bem-estar dos seus animais de companhia. Na verdade, muitas vezes não são apenas os animais que experimentam ansiedade de separação... os seus donos também!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
16 de Março de 2018

Referências Externas:

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