OS INUS

  Tupam Editores

Conhecido como "terra do sol nascente", residência de gueixas, guerreiros samurais e lutadores de Sumo, o Japão é um dos países mais ricos cultural e tradicionalmente. Para além do precioso património e das tecnologias pioneiras que deu ao mundo, também presenteou os apreciadores do cão com uma larga lista de raças de cães Japoneses, muitas das quais reconhecidas pelo American Kennel Club (AKC).

A Federação Cinológica Internacional (FCI), organização que estabelece os padrões para diferenciar as raças originárias de determinado local, reconhece como nativas do Japão 10 tipos de raças de cães. São elas a Akita Inu, Shiba Inu, Hokkaido Ken, Shikoku Ken, Kai Ken, Kishu Ken, Tosa Inu, Chin Japonês, Spitz Japonês e o Terrier Japonês.

Sempre aliados à lealdade, coragem e obediência, conceitos muito fortes no Japão, a maioria das raças de cães japoneses está associada a áreas específicas do Japão.

Basicamente, as diferenças entre as raças residem no tamanho, cor, usos e algumas outras caraterísticas menores. Possuem um focinho Akita – talvez a mais conhecida e venerada entre as raças nativas japonesas – típico, corpos quadrados, cabeças em forma de cunha, olhos de tendência triangular, orelhas pequenas e eretas, pelagem curta, grossa e espessa, e uma cauda enrolada sobre o dorso.

Acredita-se que tenham características especiais associadas aos conceitos de espírito, obediência, lealdade e bravura e possuem temperamentos calmos e atenciosos, com grande dignidade. Embora sejam conhecidos como cães de caça, necessitam de ser criados dentro de casa, como um membro da família. Se deixados sozinhos no quintal, tendem a desenvolver problemas de "personalidade" e tornar-se muito destrutivos.

Na verdade, são tão parecidos que no Japão, as raças nativas são classificadas e divididas em sub-grupos: grande (Akita), média (Kai, Kishu, Ainu, Shikoku) e pequena (Shiba, Chin).

As diferentes raças e as suas características especiais

Algumas raças de cães japonesas são consideradas as mais antigas do mundo e algumas delas estiveram próximo da extinção, como por exemplo o Akita Inu, uma raça com mais de 4 mil anos, muito venerada e famosa do Japão, que atrai legiões de fãs de todo o mundo, especialmente por ter protagonizado filmes como "Sempre ao Seu Lado" e "Hachiko Monogatari", baseados numa história real que ocorreu nas décadas de 20 e 30.

Akita

O que muita gente desconhece é que esta raça quase foi extinta durante a Segunda Guerra Mundial devido à utilização do seu pelo como forro dos casacos dos soldados japoneses e também pela escassez de alimentos que levou muitos animais a morrer de fome.

O Akita é um cão nórdico, com reputação de caçador muito feroz. No entanto, em família é um cão muito amigo, companheiro, dócil e confiável que se comporta de forma mansa e suave, até com as crianças. Muito inteligentes e sensíveis, são animais que podem facilmente ser treinados e ensinados tornando-se sempre excelentes cães de guarda e proteção, em relação a pessoas de quem gostem ou de propriedades que devam defender.

Os Akitas apresentam fortes traços de personalidade e temperamento, gostam do ar livre para prática de atividades físicas como caminhadas, caça, jogos ou mesmo nadar em rios e lagos e, embora possam viver bem em espaços pequenos, precisam de fazer exercícios físicos diariamente.

Parecido com o Akita, o Shiba Inu é também uma das raças mais antigas, estimando-se que exista no Japão há mais de três mil anos. Um dos cães mais populares fora do país, o Shiba é o mais pequeno das raças de cães nativos do Japão e foi inicialmente desenvolvido para caçar aves e, ocasionalmente, javalis pela capacidade da visão e faro na vegetação rasteira de zonas montanhosas. Alerta e ágil, com os sentidos aguçados, é também um excelente cão de guarda e companheiro.

De início pode parecer algo distante mas esta raça é tipicamente bem humorada, inteligente e ativa. Possui bravura e intrepidez, associadas a uma grande calma e força mental; bom coração e boa disposição.

Shiba Inu

Pode ser descrito como um cão saudável e forte, capaz de enfrentar o rigor da vida ao ar livre tal como apreciar o conforto da vida numa casa. São fáceis de tratar, não precisando de nenhuma dieta em especial além de uma boa ração. Podem correr quilómetros com o dono ou então fazer o seu exercício perseguindo uma bola pelo quintal. A sua agilidade e elasticidade felina fornece-lhe boa resistência aos ferimentos que possa vir a ter, e o tamanho "normal" e proporções simétricas das várias partes do seu corpo, diminuem as probabilidades de estar susceptível a algum desequilíbrio.

O Hokkaido Inu, também conhecido como o cão Ainu é considerado uma das raças de porte médio mais antigas do Japão, acreditando-se que esteja fortemente ligada ao povo ainu, que se instalou em Hokkaido há mais de um milénio. Inicialmente utilizado como cão de guarda, na ilha de Hokkaido, teve igualmente importância na caça de ursos e outros animais de grande porte, tendo associadas características como bravura, impulsividade, agilidade e rapidez de movimentos.

No seio familiar é um animal dócil, devoto, com um temperamento seguro face às crianças, se desde novo for habituado à sua presença. No entanto, é adverso a presenças desconhecidas, pelo que o seu lado menos sociável necessita de ser educado e acompanhado ao longo do crescimento. Por serem cães muitos ativos, não é aconselhável que vivam em espaços exíguos, devendo idealmente viver no exterior.

O Shikoku, também chamado Kochi-ken, foi criado como cão de caça do javali nas montanhas da região de Kochi, no sul do Japão. Promulgada como raça e património natural em 1937, são cães valentes, fortes e suficientemente ágeis para percorrer as regiões montanhosas.

O Shikoku é prudente, corajoso e de bom senso. Leal ao seu dono, possui características mais acentuadas do que a maioria dos cães japoneses. Musculoso e bem proporcionado, o Shikoku tem uma postura de andar flexível e, ao mesmo tempo, elegante.

Caçador entusiasta, sensibilidade primitiva, com olfato e audição bem apurados, enérgico, robusto e sempre alerta, este companheiro obedece facilmente desde que tenha um dono firme e justo.

O Kai, que também recebe a denominação Kai-tora-ken, é uma raça que tem as suas origens nos cães de médio porte que antigamente existiam no Japão. Teve o seu desenvolvimento e fixação no distrito de Kai, uma região rodeada de montanhas.

Eram usados principalmente na caça grossa de animais como porcos selvagens, ursos e cervos. Os seus fortes instintos de matilha são considerados como um facto que contribui para a pureza da raça, declarada "Monumento Natural" em 1934. É um cão de temperamento mordaz e muito alerta, tendo a rusticidade adequada às regiões montanhosas.

Desenvolvida há milhares de anos, a raça Kishu Ken tem muitas semelhanças com as demais raças nativas do Japão como o Akita Inu e o Shiba Inu. É um cão de tamanho médio, com pelagem geralmente branca.

Facilmente domesticáveis, são cães inteligentes, corajosos, mas também teimosos, voluntariosos, valentes caçadores e sempre fieis ao seu dono. Dão-se bem em família e com as crianças. Com os outros cães, devido à sua forte personalidade, podem provocar algumas brigas com o objetivo de dominar.

Ninguém sabe ao certo dizer se o Tosa Inu, ou Tosa Ken, é realmente uma raça nativa japonesa. Alguns acreditam que ele possa ser uma mistura entre a raça japonesa Shikoku Inu e cães de raças europeias (como São Bernardo, antigo Buldogue Inglês, Mastif, Pointer Alemão, Great Dane e Bull Terrier).

O Japão tem um historial de criação de cães de luta desde o século XIV. O Tosa Inu é a raça mais temida e respeitada, tendo sido muito utilizado como cão de luta, por ser muito corajoso e possuir habilidades atléticas invulgares. Considerado, com orgulho, parte da herança do país, o Tosa é um cão confidante, calmo, inteligente, audacioso, corajoso, de compostura e paciência e, normalmente, não é tímido, medroso ou agressivo.

Desempenha atualmente o papel de cão de companheiro, pois é muito afetuoso com os donos, gentil com as crianças, e bom cão de guarda. Exige um treino firme, espaço e algum exercício diário, podendo apreciar algumas brincadeiras no quintal de casa ou uma caminhada.

Mas nem todas as raças de cães japoneses são assim tão antigas. O Spitz japonês, por exemplo, é uma raça relativamente nova, criado no Japão na década de 1920 e 1930, a partir do cruzamento de uma série de outras raças Spitz.

De porte médio, com uma postura muito elegante e possuidor de uma pelagem branca admirável e exuberante, é um cão muito inteligente, obediente, leal, ativo, carinhoso, astuto e brincalhão, que aprende depressa, sendo naturalmente um bom cão de guarda.

Desenvolve uma relação dócil e dedicada com o dono e é um animal seguro para estar com as crianças, que adora. Aprecia as brincadeiras e os jogos e necessita de algum exercício físico, principalmente se viver em espaços menos amplos. O destaque vai mesmo para a sua longevidade (podem viver 10 a 16 anos).

Terrier Japonês

Uma das raças de cães mais interessantes e enigmáticas de entre todas as raças conhecidas e catalogadas do mundo é o Terrier Japonês.

O Terrier Japonês foi desenvolvido a partir do século XVIII nas proximidades de Kobe e Yokohama, através de cruzamentos com raças locais, o que resultou num cão mais leve, tendo sido fixado o seu tipo físico definitivo por volta de 1930, embora somente em 1940 tenha sido reconhecido.

Apesar de ser uma raça bastante rara dentro de seu próprio país, a sua procura tem aumentado devido à sua fácil adaptação para ambientes menores, principalmente em países do oriente. É um cão de pequeno porte, bastante sensível, que possui uma pelagem com pelos curtos, lisos, densos e brilhantes. A sua coloração base é tricolor com preto e castanho, além de branco na cabeça, branco com manchas pretas, marcação preto e castanho no tronco. É um excelente cão para companheiro, uma ótima raça para se ter junto da família, para brincadeiras e para lidar com crianças de todas as idades.

Por fim, mas não menos interessante, o Chin Japonês, também conhecido por Spaniel Japonês ou simplesmente Chin. De acordo com alguns textos, no século XVIII, era moda miniaturizar esta raça, e alguns cães tornaram-se tão pequenos que eram mantidos em gaiolas suspensas no teto na sala de estar, ao lado das aves.

Chin Japonês

O Chin é um cão alegre, que gosta de passear e exercitar-se, mas um pouco barulhento; no entanto, quando se cansa de perturbar, é tranquilo, doce, sensível e carinhoso. Pode ser um pouco teimoso, às vezes, impertinente e inquieto, tem uma memória de elefante e muito amor para dar aos seus donos, principalmente às crianças de quem gosta muito, desde que elas respeitem o seu espaço.

Um dos pontos fortes da raça é o temperamento. Ao mesmo tempo brincalhão e altivo, mostra-se bastante seletivo nas suas relações, por exemplo, com estranhos é um pouco distante. Com outros cães e até mesmo com gatos é, normalmente, sociável.

Não restam dúvidas de que apesar de serem raças diferentes existem pontos comuns entre estes animais, particularmente a lealdade e a obediência ao dono, mas e no que diz respeito à saúde? Serão as doenças e os problemas igualmente semelhantes?

Saúde e cuidados específicos de cada raça

Para garantir uma melhor qualidade de vida, bem-estar e saúde canina, é importante não descuidar alguns cuidados básicos como o banho, a escovagem do pelo, o corte das unhas dos animais e, em algumas raças, a tosquia.

Shiba Inu no veterinário

Cada tipo de pelagem – e entre as raças mencionadas há diferenças – exige manutenção e cuidados próprios, tanto ao nível da escovagem como do banho ou da remoção de nós.

Por exemplo no Akita Inu, que possui uma pelagem abundante, é necessário que seja escovado diariamente (ou, pelo menos, uma vez por semana), para evitar a formação de nós e o acúmulo de sujidade.

Já o Shiba Inu tem uma pelagem que não obriga a cuidados tão frequentes e não necessita de tosa. Por possuir uma proteção natural no pelo é importante ter cuidado com o número de banhos, que devem ser pouco frequentes, a fim de evitar que fique ressecado e favoreça as doenças de pele.

No Spitz Japonês, a pelagem também necessita de algum cuidado: convém escová-lo regularmente e tosquiá-lo duas vezes por ano, na Primavera e no Outono.

O longo pelo do Chin requer uma escovagem regular para se manter saudável, limpo, evitando irritações da pele. É aconselhável manter as orelhas sempre bem secas, limpas e sem excesso de cera, e proteger os seus grandes olhos contra arranhões e corpos estranhos.

Por outro lado, para que o pelo do Tosa Inu e do Shikoku se mantenha com boa e saudável aparência é necessária apenas uma escovagem semanal.

O pelo é o espelho do estado físico e até psicológico dos cães, por isso um pêlo em más condições pode indicar problemas de saúde. Nestes casos é necessária uma intervenção mais profunda para além das escovagens e só o veterinário poderá diagnosticar e aconselhar o tratamento adequado.

Os problemas de saúde mais comuns entre estes animais são influenciados quer pela longevidade que podem atingir, mas também pelo tamanho do cão. Assim, as raças de maior porte podem sofrer com displasia da anca e do cotovelo, problemas no joelho, degeneração das articulações, disfunção da tiroide, doenças variadas do sistema imunológico, episódios de epilepsia, problemas de pele (como a dermatite) e algumas complicações oculares, como o entrópio ou a Atrofia Progressiva da Retina, um problema grave que pode levar à cegueira.

As raças de pequeno porte podem ser afetadas por doenças das articulações, luxação da patela, displasia coxofemural, e ainda doenças dos olhos, como a catarata, e da pele, como as dermatites alérgicas. No caso particular do Chin, por causa de sua ossatura fina, característica da raça, são frequentes as lesões e membros partidos. Os cães de meia-idade têm tendência para sofrerem de problemas discais na coluna vertebral.

De forma a prevenir ou a diagnosticar precocemente este tipo de enfermidades características de cada raça é importante levar os animais a consultas veterinárias periódicas.

Uma coisa é certa, independentemente do tamanho e da raça do cão, todos os animais precisam de espaço para brincar e desgastar energias. É necessário dar-lhes oportunidade de serem ativos, e incentivar o exercício ou eles encontrarão outras formas de o fazer. E você terá um animal entediado, destrutivo, com excesso de peso, depressivo, cuja saúde será mais frágil ao longo da vida, e não é isso que queremos para os nossos leais companheiros, não é verdade?

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
07 de Junho de 2017

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