Novo estudo pode ajudar na deteção precoce da pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez que pode surgir repentinamente, colocando tanto a vida da mãe como a do bebé em risco. Apesar de afetar aproximadamente uma em cada vinte gestações em todo o mundo, os médicos não dispõem de um método fiável para prever o seu início.

Recentemente, um estudo liderado pelo Dr. Manvendra Singh (INEM e Institut Imagine), em conjunto com colaboradores do Centro Max Delbrück, da Universidade Cornell e da Universidade de Bath, permitiu descobrir sinais biológicos “ocultos” que podem servir como um sistema de alerta precoce.
A investigação, publicada na Genome Biology, revelou processos até então desconhecidos que impulsionam o desenvolvimento da placenta saudável e anormal e identificou dois marcadores precoces importantes que podem permitir a deteção da pré-eclâmpsia semanas antes do aparecimento dos sintomas.
A pré-eclâmpsia é a segunda causa mais comum de morte materna no mundo, o que a torna um enigma evolutivo e um grave problema de saúde materna e neonatal. Infelizmente, costuma ser diagnosticada tarde demais, ou seja, quando a pressão arterial da gestante já está perigosamente alta.
Ao analisar como certos genes são ativados na placenta, os especialistas descobriram que pequenas regiões regulatórias no ADN retroviral (remanescentes genéticos de vírus antigos transmitidos pelos nossos ancestrais) desempenham um papel crucial na determinação do desenvolvimento normal da placenta.
Quando esses interruptores moleculares funcionam mal, a placenta não se forma adequadamente – uma característica da pré-eclâmpsia. Curiosamente, a equipa descobriu que essas disfunções deixam vestígios mensuráveis no sangue da mãe no início da gravidez, o que torna possível um teste de triagem não invasivo.
O estudo revela especificamente que a PSG9, uma proteína específica da gravidez, é regulada por dois fragmentos de resquícios virais antigos no nosso ADN (LTR8B e MER65). Quando essa regulação apresenta mau funcionamento, desencadeia uma cascata de eventos ligados à pré-eclâmpsia de início precoce (PE-IP), oferecendo um novo alvo preciso para triagem sanguínea.
As descobertas abrem uma nova perspetiva sobre como a pré-eclâmpsia tem início e revelam ferramentas que podem transformar o cuidado materno: triagem precoce, previsão de risco mais precisa e a possibilidade de futuros tratamentos direcionados a esses procedimentos recém-descobertos.
O estudo aproxima os especialistas de tornar visível o invisível, ao transformar um distúrbio silencioso e potencialmente fatal em algo que finalmente se pode detetar, compreender e, um dia, prevenir.