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Acorda com frequência durante a noite?

Um recente estudo publicado pela revista científica Natures Neurocience, revela que breves e repetidos despertares ao longo da noite são normais e podem beneficiar a memória.

Acorda com frequência durante a noite?

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O sono é um estado ordinário de consciência, complementar ao de vigília ou desperto, em que em que se verifica um repouso normal e periódico, caraterizado pela suspensão temporária da atividade percetivo-sensorial e motora voluntária.
É um processo neurológico complexo, caraterizado pela deslocação de padrões cerebrais, fluídos que se movimentam através do cérebro e uma queda na temperatura corporal, que visa restaurar as capacidades naturais à medida que as suas funções vão sendo desativadas.
A complexidade da sua microestrutura, abrange microdespertares, ciclos de sono e transição entre os vários estágios. Quando fragmentado, prejudica a consolidação da memória, enquanto o sono de movimento ocular não rápido (NREM) com grande frequência de ciclos e ondas delta e o sono de movimento rápido dos olhos (REM) o promovem. Todavia, a relação entre os microdespertares e caraterísticas do sono que promovem a memória, permanece desconhecida.
Em comparação com o período em que estamos acordados, a noradrenalina, uma hormona produzida pelas glândulas suprarrenais que é libertada na corrente sanguínea para transmitir sinais nervosos que ajudam a regular funções cerebrais importantes como o humor e a concentração e memória, muito embora seja libertada a níveis mais baixos durante o sono, desempenha um importante papel nesse processo.
Através de um comunicado, Celia Kjaerby, professora do Centro de Neuromedicina Translacional da Universidade de Copenhaga e uma das autoras do estudo em que foi observado o cérebro de ratinhos de laboratório enquanto dormiam, verificaram que os níveis de noradrenalina subiam e desciam num processo estável e oscilatório, notando ainda que esse ritmo coincidia com frequentes e fugazes surtos de excitação no cérebro, de onde concluíram que a noradrenalina os fazia acordar mais de 100 vezes durante a noite.
Quando isso ocorre, significa que estamos acordados a nível neurológico, porém o momento é tão breve que a pessoa que está a dormir não se apercebe, acrescentou Mie Andersen, uma outra coautora do estudo. A equipa constatou igualmente que uma maior amplitude da norepinefrina levou a um despertar mais completo, aumentando ainda a frequência dos ciclos do sono, padrões de ondas cerebrais que ocorrem durante o sono e que estão associados à aprendizagem e ao processamento da memória.
De forma semelhante a um computador, “Pode-se dizer que esses pequenos despertares reiniciam o cérebro para que este esteja pronto a armazenar a memória quando voltamos a mergulhar no sono”, referiu, por sua vez, Maiken Nedergaard, também ele professor na Universidade de Copenhaga. Sempre que os investigadores reduziam artificialmente a amplitude da oscilação da norepinefrina nos cérebros adormecidos dos ratinhos, estes demonstravam um pior desempenho nos testes de memória.
De acordo com a equipa, a criação de uma técnica para afinar as oscilações da noradrenalina nos humanos “pode constituir uma poderosa ferramenta terapêutica” para a melhoria “da memória do sono”. Outra conclusão do estudo é que não se deve esperar que o nosso sono seja perfeito. Acordar por breves instantes, quer se note ou não, é bastante normal e, geralmente, não deve ser motivo de preocupação, a menos que esses episódios sejam desencadeados por distúrbios como a apneia do sono, por exemplo.
Obviamente que não é bom estar sem dormir durante longos períodos, mas este estudo sugere que os despertares de curta duração são uma parte natural das fases do sono relacionadas com a memória, podendo até significar que se tenha dormido muito bem, segundo declarações de Celia Kjaerby.

Fonte: Tupam Editores

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